{"id":97833,"date":"2022-11-22T18:03:51","date_gmt":"2022-11-22T18:03:51","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/logon_article\/como-uma-guerra-fora-de-nos-pode-ser-uma-guerra-interna\/"},"modified":"2022-11-22T18:03:51","modified_gmt":"2022-11-22T18:03:51","slug":"como-uma-guerra-fora-de-nos-pode-ser-uma-guerra-interna","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/como-uma-guerra-fora-de-nos-pode-ser-uma-guerra-interna\/","title":{"rendered":"Como uma guerra fora de n\u00f3s pode ser uma guerra interna?"},"content":{"rendered":"<p>\u201cVemos contradi\u00e7\u00e3o em n\u00f3s e sobre n\u00f3s, e o que somos, o mundo \u00e9\u201d<br \/>\nKrishnamurti\u00a0<a href=\"http:\/\/h3\">[1]<\/a><\/p>\n<p>Que venha a paz, a esperada estabilidade para sempre!<\/p>\n<p>A paz \u00e9 um grande ideal. Mas enquanto gravitamos em torno desse desejo, nossas mentes e cora\u00e7\u00f5es abrigam a energia nervosa da luta di\u00e1ria pela sobreviv\u00eancia, que nos tira a clareza e a energia.<\/p>\n<p>No mesmo instante em que clamamos pela paz, recebemos e externamos cr\u00edticas e corre\u00e7\u00f5es aos outros. Continuamos magoando e sendo magoados. Por que queremos tanto a paz e n\u00e3o conseguimos vivenci\u00e1-la em nossas vidas?<\/p>\n<p>\u00c9 importante percebermos por que agimos assim.<\/p>\n<p>A sabedoria universal diz que n\u00f3s somos um universo em miniatura. Tudo que ocorre fora de n\u00f3s \u00e9 uma proje\u00e7\u00e3o do que acontece internamente. Assim, se internamente experimentamos conflitos e confrontos, guerreamos onde quer que estejamos, pois as cores de nossas lutas internas tingem o lugar onde pisamos.<\/p>\n<p>Uma quest\u00e3o-chave na reflex\u00e3o a respeito de nossos conflitos internos \u00e9 termos consci\u00eancia de nosso egocentrismo. Vivemos centrados em n\u00f3s mesmos. Em primeiro lugar somos n\u00f3s e muito depois v\u00eam os demais. Nossas a\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es visam autodefesa e autoconserva\u00e7\u00e3o. Isso resulta n\u00e3o apenas de nossa consci\u00eancia biol\u00f3gica ancestral, mas tamb\u00e9m de nosso inconsciente individual e coletivo, de nossas cren\u00e7as, da educa\u00e7\u00e3o e do ambiente em que vivemos. Fazemos sem perceber, de forma autom\u00e1tica.<\/p>\n<p>Na ilus\u00e3o de ficarmos bem, competimos, criticamos, julgamos e nos isolamos em tribos e bolhas. Cada pessoa com quem cruzamos na cal\u00e7ada pensa da mesma forma visceral e, portanto, disputa espa\u00e7o conosco e age para proteger-se. \u00c9 um ambiente hostil. Somos mais uns contra os outros do que uns com os outros. Esta separatividade \u00e9 uma grande doen\u00e7a da alma humana e nos distancia da paz que tanto almejamos.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o queremos guerras, se buscamos paz, a mudan\u00e7a que precisa ser feita \u00e9 em n\u00f3s, e passa pelo distanciamento dos p\u00f3los opostos. Ao ampliarmos a percep\u00e7\u00e3o de nosso pr\u00f3prio interior e nos aproximarmos do caminho do meio, aos poucos, atingimos a\u00a0 condi\u00e7\u00e3o ativa, mas n\u00e3o indiferente, da neutralidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>OUTRO TIPO DE VIDA NOS ESPERA<\/strong><\/p>\n<p>Temos como meta outro tipo de vida, mas de onde vem essa ideia?<\/p>\n<p>Sondando os conflitos internos no campo da espiritualidade, vemos que esse desejo existe por termos a mem\u00f3ria dessa possibilidade, a inquieta\u00e7\u00e3o e a saudade da vida em Unidade. A verdadeira forma de vida \u2013 que conhecemos em nosso \u00edntimo &#8211; \u00e9 oposta \u00e0 separatividade gerada pelo egocentrismo.<\/p>\n<p>Se esvaziarmos nossa consci\u00eancia baseada no passado, condicionamentos, automatismos e ac\u00famulo de conhecimentos, abriremos espa\u00e7o para a percep\u00e7\u00e3o interior do nosso ser real, o princ\u00edpio imortal que habita dentro de todos n\u00f3s. Por\u00e9m, como ainda s\u00f3 temos olhos para n\u00f3s mesmos, n\u00e3o vemos a luz que cintila &#8211; como o clar\u00e3o moment\u00e2neo dos rel\u00e2mpagos &#8211; evocando que existe algo al\u00e9m da nossa personalidade.<\/p>\n<p>A atividade dessa centelha de luz que s\u00f3 percebemos de forma furtiva, inconsciente, fustiga nosso ser e nos inquieta. Traz a sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o estarmos adequados ao mundo e queremos outra vida. A inquieta\u00e7\u00e3o \u00e9 sentida fortemente. Sem compreender o que nos falta, tentamos atacar o desconhecido, que \u00e9 o imortal em n\u00f3s. L\u00e1 vamos n\u00f3s atacando novamente. \u00c9 um equ\u00edvoco.<\/p>\n<p>Junto \u00e0 mat\u00e9ria est\u00e1 o esp\u00edrito, aspectos diferentes da mesma realidade. \u00c9 preciso que nos conectemos ao nosso centro, permitindo que a consci\u00eancia seja a interlocutora entre estes dois aspectos, e integrando-os dentro de n\u00f3s.<\/p>\n<p>Neste processo, o autoconhecimento como um reconhecimento de nosso estado interior \u00e9 uma ferramenta poderosa de desconstru\u00e7\u00e3o de nossa estrutura egoc\u00eantrica. Permite abrir espa\u00e7o para novos valores, novas idea\u00e7\u00f5es, nova energia.<\/p>\n<p>Um aspecto importante do egocentrismo \u00e9 o apego. Desapegar-se das manifesta\u00e7\u00f5es da consci\u00eancia (pensamentos, emo\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es, al\u00e9m das coisas materiais) trar\u00e1 medo e ansiedade, pois entraremos em um campo desconhecido. Entretanto, na medida em que o egocentrismo for sendo vencido, ansiedade e medo tamb\u00e9m o ser\u00e3o, processualmente, dando espa\u00e7o para uma consci\u00eancia mais espiritual.<\/p>\n<p>\u00c9 um processo purificador para que seja poss\u00edvel ouvir a voz do mais profundo do nosso ser, ou a voz do Universo em n\u00f3s.<\/p>\n<p>A auto inicia\u00e7\u00e3o espiritual requer um esfor\u00e7o cont\u00ednuo que n\u00e3o estamos acostumados a empreender, e muita vigil\u00e2ncia. \u00c9 preciso atingir um estado em que n\u00e3o nos sentiremos amea\u00e7ados uns pelos outros, e sim, em que nos reconheceremos como companheiros de jornada.<\/p>\n<p>A preciosa \u2018paz\u2019 que buscamos n\u00e3o est\u00e1 nos extremos, mas no caminho do meio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"logon-article__body\">\n<div class=\"article-body-container\">\n<h3>Refer\u00eancia:<\/h3>\n<\/div>\n<\/div>\n<p><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a>\u00a0Krishnamurti, J.\u00a0<em>\u201cThe Collected Works of J. Krishnamurti, Volume VI &#8211; The Origin of Conflict\u201d<\/em>, Krishnamurti Foundation America, Ojai, CA, 2012<\/p>\n","protected":false},"author":609,"featured_media":97746,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110108],"tags_english_":[],"class_list":["post-97833","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-spiritsoul-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/97833","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/609"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/97746"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=97833"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=97833"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=97833"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=97833"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}