{"id":91811,"date":"2021-05-19T17:22:57","date_gmt":"2021-05-19T17:22:57","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/logon_article\/poder-e-consciencia-nos-relacionamentos-parte-2\/"},"modified":"2025-01-02T13:41:12","modified_gmt":"2025-01-02T13:41:12","slug":"poder-e-consciencia-nos-relacionamentos-parte-2","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/poder-e-consciencia-nos-relacionamentos-parte-2\/","title":{"rendered":"Poder e consci\u00eancia nos relacionamentos &#8211; Parte 2"},"content":{"rendered":"<p class=\"text-align-justify\"><a href=\"https:\/\/www.logon.media\/pt-br\/poder-e-consciencia-nos-relacionamentos-parte-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ir para a Parte 1<\/a><\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: #75 Poder e consci\u00eancia nos relacionamentos - parte 2\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/6ppzrDSrDr4GZnKBy5su0D?si=3IkeHIKOR8CvnVyv7k1J4w&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<h3>Cria\u00e7\u00e3o e Consci\u00eancia<\/h3>\n<p class=\"text-align-justify\">O mito de Shiva e Shakti nos mostra as fases sucessivas da cria\u00e7\u00e3o e o processo de tomada de consci\u00eancia na intera\u00e7\u00e3o da for\u00e7a masculina e da pot\u00eancia feminina.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\"><em>No in\u00edcio \u00e9 o Um &#8211; Shiva, o Todo-Um transcendente<\/em>. Seu ser eterno, Brahman, significa consci\u00eancia ilimitada. \u00c9 o Um sem um \u201csegundo\u201d. Todos os processos criativos ainda est\u00e3o em repouso. Eles ainda est\u00e3o inativos dentro dele. As divindades rezam para sua energia &#8220;adormecida&#8221; para que ela possa vir ao mundo e assumir uma forma concreta e um poder efetivo. Assim nasceu Sati.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\"><em>Ent\u00e3o, passam a ser dois: Shiva e Shakti\/Sati \u2013 consci\u00eancia e poder<\/em>. A partir do infinito sem forma do Uno, a cria\u00e7\u00e3o toma forma atrav\u00e9s do princ\u00edpio da distin\u00e7\u00e3o. A consci\u00eancia suprema divide-se em dois aspectos complementares, que criam em conjunto e t\u00eam muitos nomes: Shiva e Shakti, Purusha e Prakriti, Esp\u00edrito e Mat\u00e9ria, Consci\u00eancia e Energia. A cria\u00e7\u00e3o come\u00e7a quando Sua vontade consciente assim o decide e eleva-se n\u2019Ele como uma corrente de energia. Depois, Ele se desliga de Seu repouso e come\u00e7a sua dan\u00e7a pelo mundo: Shiva e Shakti se unem. Ele se entrega devotadamente \u00e0s m\u00e3os dela.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"text-align-justify\">\u00c9 que Ele quer se transformar em mundos nos quais Ele possa se alegrar sob trilh\u00f5es de formas; e Ela o capacita a realizar esse desejo. Com seu poder criativo de execu\u00e7\u00e3o, sua inesgot\u00e1vel energia, ela se torna a Divina M\u00e3e do Cosmos, o poder criador do mundo e do nascimento do mundo. (Thole 2015)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"text-align-justify\">\n<h3>O divino mergulha na natureza<\/h3>\n<p class=\"text-align-justify\"><em>Ent\u00e3o, dois se transformam em muitos. Sati causa o desdobramento da natureza<\/em>. O poder pulsante de Shakti leva ao desenvolvimento de toda a natureza. Ela traz \u00e0 luz formas sempre novas, desde os come\u00e7os mais sutis, passando pelas v\u00e1rias fases dos mundos interiores psicol\u00f3gicos, at\u00e9 \u00e0 materialidade mais densa. A partir de seu ponto de vista, tudo \u00e9 o Tudo-em-Um primordial, que se expressa no mundo como Dois-em-Um. Mas, pouco a pouco, ela o vai envolvendo cada vez mais com a sua variedade de formas, de modo que, assim, cada vez menos de seu ser consciente pode penetrar atrav\u00e9s desse envolt\u00f3rio. A uma determinada altura, Shiva j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 vis\u00edvel claramente naquilo que Shakti produziu. <em>Agora \u00e9 ele quem dorme dentro dela<\/em>.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">\n<h3>Parvati traz a liberta\u00e7\u00e3o e a conclus\u00e3o<\/h3>\n<p class=\"text-align-justify\"><em>Os muitos se transformam em Um: esse \u00e9 o caminho de Parvati at\u00e9 Ele<\/em>.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O \u00eaxtase amoroso dissolvente de Shiva e Sati\/Shakti ganha uma continua\u00e7\u00e3o, pois, com Parvati, o processo de cria\u00e7\u00e3o \u00e9 finalmente cumprido e se realiza.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"text-align-justify\">O devir da forma deve ser seguido pelo devir da consci\u00eancia, para que os parceiros sejam novamente iguais entre si. Portanto, a for\u00e7a Shakti funciona em dois n\u00edveis. Enquanto Sati simboliza predominantemente o n\u00edvel natural da M\u00e3e do Mundo, Parvati representa o alto n\u00edvel do Mahashakti, o Todo-Consciente [&#8230;.]. Ela \u00e9 a senhora suprema que n\u00e3o est\u00e1 ligada a seu trabalho por nenhum mecanismo da natureza, e tem o poder de conduzir a consci\u00eancia limitada do ser individual de volta \u00e0 experi\u00eancia da uni\u00e3o total, atrav\u00e9s do caminho de uma maior tomada de consci\u00eancia. (Thole,\u00a02015)<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"text-align-justify\">O que o casal divino exemplifica para n\u00f3s na narrativa mitol\u00f3gica \u00e9 uma esp\u00e9cie de &#8220;projeto&#8221; que deseja transformar nossa coexist\u00eancia di\u00e1ria.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"text-align-justify\">Este \u00e9 o la\u00e7o que mant\u00e9m as estrelas unidas:<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Os Dois que s\u00e3o Um formam o segredo de todo o poder.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Os dois que s\u00e3o um tamb\u00e9m est\u00e3o nas coisas poderosas e certas.<\/p>\n<p class=\"text-align-center\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0\u00a0<em>Sri Aurobindo<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"text-align-justify\">\n<h3>O drama da depend\u00eancia e da liberta\u00e7\u00e3o\u00a0tamb\u00e9m acontece no interior do ser humano<\/h3>\n<p class=\"text-align-justify\">O tema do poder tamb\u00e9m desempenha um papel decisivo na parceria. \u00c9\u00a0como a &#8220;cola&#8221; de qualquer rela\u00e7\u00e3o, mas s\u00f3 a perceberemos se aprendermos a ver atrav\u00e9s dos\u00a0impulsos de poder infantis e adolescentes, quando trabalharmos intensivamente com nossos lados obscuros e reprimidos.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Tal como com Shiva e Shakti, as partes dependentes e independentes est\u00e3o brigando constantemente dentro de n\u00f3s. Nossa car\u00eancia fundamental vem desde nossa mais tenra inf\u00e2ncia. Quanto menos as primeiras necessidades elementares puderem ser satisfeitas na rela\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e e o pai, mais projetaremos, depois, nossas necessidades para o parceiro, na rela\u00e7\u00e3o de casal.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Ent\u00e3o, no futuro, mas especialmente na puberdade, n\u00e3o poderemos avan\u00e7ar r\u00e1pido o bastante para ficarmos independentes e autossuficientes. Portanto, tenderemos a sucumbir a uma ilus\u00e3o de querer tornar-nos independentes (cf. Dittmar 2015). No entanto, crescer n\u00e3o consiste apenas em ganhar <em>independ\u00eancia<\/em>. Muito mais importante \u00e9 o <em>aumento da capacidade de se relacionar,<\/em> aprendendo a construir uma rede amplamente ramificada de relacionamentos. <em>Precisamos uns dos outros<\/em>. Precisamos de relacionamento. Na verdade, podemos aprender a nos tornar <em>capazes de nos relacionarmos<\/em>.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Isso exige que ambos os parceiros tentem mostrar um ao outro suas partes independentes e dependentes em p\u00e9 de igualdade, e que realmente permitam a vulnerabilidade e depend\u00eancia um do outro. Podemos reconhecer que n\u00e3o adianta nada afirmar seu pr\u00f3prio interesse contra o do parceiro. Ao fazer isso, s\u00f3 prejudicar\u00edamos o relacionamento em nome da satisfa\u00e7\u00e3o de nossas necessidades de\u00a0curto prazo.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Quando nos tornamos cada vez mais conscientes de nossas feridas e vulnerabilidades, deixamos de lado nossa armadura protetora e damos ao nosso potencial mais \u00edntimo a oportunidade de se revelar. Pode acontecer que nosso eu real sinta sua permeabilidade \u2013 tal como estamos &#8220;destinados&#8221; a ser. Nessa abertura gradual, podemos entrar em contato com uma <em>realidade<\/em> que est\u00e1 por detr\u00e1s e acima de tudo \u2013 com um espa\u00e7o, uma vivacidade, uma plenitude, uma conex\u00e3o que est\u00e1 para al\u00e9m de toda imagina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Podemos ver essa abertura interior como um processo de autoempoderamento. Ao reconhecer gradualmente as partes imaturas da personalidade, a car\u00eancia e a independ\u00eancia compulsiva dentro de n\u00f3s, as identifica\u00e7\u00f5es com essas partes do ego podem se afrouxar \u2013 e talvez at\u00e9 dissolver-se.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\"><em>O poder do amor<\/em> que irradia do n\u00facleo mais \u00edntimo de nosso ser pode emergir e funcionar cada vez mais livremente. Esse poder irradia para muito al\u00e9m da parceria, para a parte mais \u00edntima da mat\u00e9ria. <em>Ele tamb\u00e9m far\u00e1 da Terra uma &#8220;Nova Terra&#8221;<\/em>. Sintonizamo-nos, dessa forma, com o trabalho divino \u2013 com Shiva e Parvati.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">\n<h3>Refer\u00e2ncias<\/h3>\n<p class=\"text-align-justify\">Dittmar, Vivian: beziehungsweise &#8211; Beziehung kann man lernen (Sabedoria nos relacionamentos: o relacionamento pode ser aprendido), edi\u00e7\u00e3o ES, Munique 2015.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Sri Aurobindo: Savitri, Livro I, Canto 4.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Thole, Ela: Die g\u00f6ttliche Shakti (A Divina Shakti), Bielefeld 2015.<\/p>\n","protected":false},"author":920,"featured_media":13635,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110120],"tags_english_":[],"class_list":["post-91811","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-zeitgeist-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/91811","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/920"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13635"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91811"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91811"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=91811"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=91811"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}