{"id":91696,"date":"2021-04-25T18:58:36","date_gmt":"2021-04-25T18:58:36","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/logon_article\/sobre-morrer-a-margem-do-tempo-parte-1\/"},"modified":"2025-01-01T17:04:41","modified_gmt":"2025-01-01T17:04:41","slug":"sobre-morrer-a-margem-do-tempo-parte-1","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/sobre-morrer-a-margem-do-tempo-parte-1\/","title":{"rendered":"Sobre Morrer \u00e0 Margem do Tempo &#8211; Parte 1"},"content":{"rendered":"<p><iframe title=\"Spotify Embed: #35 Sobre morrer \u00e0 margem do tempo - Parte 1\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/5D9xqAJA1HczYEl3Oum6Hc?si=Y423sgZwT4qhsSib8nqBeg&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<p class=\"text-align-justify\"><em>Sobre Morrer \u00e0 Margem do Tempo:<\/em> ser\u00e1 que esse t\u00edtulo n\u00e3o \u00e9 um pouco estranho? Bem, na verdade, n\u00e3o, porque \u00e9 exatamente assim: a morte acontece na fronteira do tempo. Afinal, quando morremos, entra alguma coisa no decorrer do tempo tal como o conhecemos at\u00e9 agora: um outro n\u00edvel de ser, um outro n\u00edvel de vir a ser.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Trata-se de algo desconhecido. Isso \u00e9 provavelmente o que mais assusta as pessoas: o fato de que existe alguma coisa que elas n\u00e3o sabem e n\u00e3o podem controlar. N\u00e3o h\u00e1 como resistir. Acabaremos nos rendendo. Temos de nos render.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Mas tamb\u00e9m podemos nos entregar ao processo de morrer. E, para isso, precisamos de confian\u00e7a: temos de confiar na vida. Parece ser um paradoxo \u2013 e ainda assim a chave \u00e9 essa.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Afinal, j\u00e1 enquanto estamos vivos, percebemos muitas vezes que as coisas chegam ao fim \u2013 por exemplo: circunst\u00e2ncias de nossa vida, relacionamentos etc.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Ent\u00e3o \u201cdeixamos pra l\u00e1\u201d \u2013 por livre e espont\u00e2nea vontade ou porque n\u00e3o temos outra escolha. E assim a vida continua. Talvez no in\u00edcio pare\u00e7a um pouco estranho, ou at\u00e9 mesmo bastante estranho, mas nossa vida continua.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Isso \u00e9 verdade tanto para nossa vida exterior como para nossa vida interior. Passamos por processos em que trocamos de pele, nos livramos de padr\u00f5es de pensamento e comportamento, deixamos para tr\u00e1s antigos padr\u00f5es emocionais. Eles v\u00e3o morrendo \u00e0 medida que vivemos. E \u00e0 medida que aprendemos que podemos crescer por meio de todos esses processos de morte, nossa confian\u00e7a na vida tamb\u00e9m aumenta. \u00c9 que a vida nos ensina como morrer.<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"text-align-justify\">\u00d3 Senhor, concede a cada um sua pr\u00f3pria morte,<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">o morrer que sai dessa vida<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">cheia de amor, significado e necessidade,<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">pois somos apenas casca e folha.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">A grande morte que todos t\u00eam dentro de si,<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">esse \u00e9 o fruto ao redor do qual<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">todas as coisas giram.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0<em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/em><\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">(Rainer Maria Rilke, em <em>O Livro de Horas<\/em>)<\/p>\n<\/blockquote>\n<h3>Krishnamurti fala sobre a morte<a title=\"\" href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><sup><sup>[1]<\/sup><\/sup><\/a><\/h3>\n<p class=\"text-align-justify\">A morte sempre foi um dos problemas, talvez o maior problema da vida humana. N\u00e3o \u00e9 o amor, nem o medo, nem os relacionamentos, mas essa quest\u00e3o, esse segredo, esse sentimento de estar chegando ao fim \u00e9 o que preocupa a humanidade desde os tempos antigos.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Morrer \u00e9 algo no futuro, algo de que temos medo, que n\u00e3o queremos. E, no entanto, est\u00e1 sempre l\u00e1. Seja por acidente, doen\u00e7a ou velhice \u2013 ela est\u00e1 sempre l\u00e1. Sejamos jovens ou velhos, fr\u00e1geis ou cheios de entusiasmo pela vida, ela est\u00e1 sempre l\u00e1.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">A maioria de n\u00f3s tem medo de morrer porque n\u00e3o sabemos o que significa viver. N\u00e3o sabemos viver; portanto, n\u00e3o sabemos como morrer. Enquanto tivermos medo da vida, teremos medo da morte. O homem que n\u00e3o tem medo da vida n\u00e3o tem medo de ficar completamente inseguro, pois entende que interiormente, psicologicamente, n\u00e3o h\u00e1 seguran\u00e7a. Quando n\u00e3o h\u00e1 seguran\u00e7a, h\u00e1 um movimento sem fim, e ent\u00e3o vida e morte s\u00e3o a mesma coisa.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Para descobrir o que realmente acontece quando voc\u00ea morre, voc\u00ea precisa morrer. N\u00e3o \u00e9 brincadeira. Voc\u00ea precisa morrer \u2013 n\u00e3o fisicamente, mas psicologicamente, internamente, morrer para as coisas que voc\u00ea amava e para as coisas pelas quais voc\u00ea est\u00e1 ressentido. Se voc\u00ea morreu para um de seus prazeres, o menor ou o maior, naturalmente, sem qualquer restri\u00e7\u00e3o ou argumento, ent\u00e3o voc\u00ea saber\u00e1 o que significa morrer. Morrer \u00e9 ter uma mente completamente vazia de si mesma, vazia de seus anseios, prazeres e agonias di\u00e1rias. A morte \u00e9 uma renova\u00e7\u00e3o, uma muta\u00e7\u00e3o na qual o pensamento n\u00e3o funciona porque o pensamento \u00e9 antigo. Quando h\u00e1 morte, h\u00e1 algo totalmente novo. A liberta\u00e7\u00e3o do conhecido \u00e9 a morte \u2013 e ent\u00e3o voc\u00ea est\u00e1 vivendo.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">(continua na <a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/sobre-morrer-a-margem-do-tempo-parte-2\/\">parte 2<\/a>)<\/p>\n<hr \/>\n<p class=\"text-align-justify\"><a title=\"\" href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\"><sup><sup>[1]<\/sup><\/sup><\/a> Em <em>Liberte-se do Passado, <\/em>cap\u00edtulo 9<em>,<\/em> ed. Cultrix [tradu\u00e7\u00e3o adaptada].<\/p>\n","protected":false},"author":920,"featured_media":13216,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110108],"tags_english_":[],"class_list":["post-91696","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-spiritsoul-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/91696","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/920"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13216"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91696"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91696"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=91696"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=91696"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}