{"id":91110,"date":"2020-10-24T07:37:35","date_gmt":"2020-10-24T07:37:35","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/logon_article\/o-pequeno-principe-a-historia-do-retorno-parte-4\/"},"modified":"2025-01-01T20:24:58","modified_gmt":"2025-01-01T20:24:58","slug":"o-pequeno-principe-a-historia-do-retorno-parte-4","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/o-pequeno-principe-a-historia-do-retorno-parte-4\/","title":{"rendered":"O Pequeno Pr\u00edncipe &#8211; a hist\u00f3ria do retorno &#8211; Parte 4"},"content":{"rendered":"<p class=\"text-align-justify\"><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/o-pequeno-principe-a-historia-do-retorno-parte-3\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ir para a parte 3<\/a><\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/castbox.fm\/app\/castbox\/player\/id3452609\/id372126831?v=8.22.11&amp;autoplay=0\" width=\"100%\" height=\"200\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n<h3>ESPERAN\u00c7A<\/h3>\n<p class=\"text-align-justify\">O po\u00e7o cheio de vida, que parece ter vindo de uma aldeia de conto de fadas, contrasta fortemente com o deserto do Saara. O Pequeno Pr\u00edncipe e o piloto puxam \u00e1gua do po\u00e7o m\u00e1gico. A roldana canta e o sol pisca na \u00e1gua tr\u00eamula do balde \u2013 um po\u00e7o de luz, uma fonte de esperan\u00e7a que surge da f\u00e9. \u201cEstou com sede dessa \u00e1gua\u201d, diz o Pequeno Pr\u00edncipe. E ele est\u00e1 pronto para beber primeiro. Depois que o piloto tamb\u00e9m sacia a sede, o protagonista o relembra de sua promessa de desenhar uma focinheira para seu carneiro para evitar que ele coma a Rosa. O desenho \u00e9 conclu\u00eddo \u2013 incompletamente, como se descobriu mais tarde \u2013 e o piloto sente que o Pequeno Pr\u00edncipe tem planos secretos. Ele descobre que o anivers\u00e1rio da chegada do protagonista \u00e0 Terra est\u00e1 se aproximando \u2013 o que \u00e9 uma oportunidade perfeita para ele retornar \u00e0 sua Rosa em seu asteroide acima do deserto. Ele partir\u00e1 em sua jornada perto do po\u00e7o; por isso, passa a noite l\u00e1.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">No dia seguinte, o piloto v\u00ea o Pequeno Pr\u00edncipe sentado em cima da velha muralha de pedra (a divis\u00e3o entre esperan\u00e7a e amor), perto do po\u00e7o. Ele est\u00e1 conversando com uma serpente venenosa \u2013 a mesma que ele conheceu quando chegou \u00e0 Terra. Seu retorno para casa s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel com a ajuda amb\u00edgua da cobra. \u00c9 uma prova\u00e7\u00e3o terr\u00edvel: ele tem de morrer (ou \u201cPode parecer que estou sofrendo. Pode parecer um pouco como se eu estivesse morrendo.\u201d) da picada de uma cobra venenosa. O piloto n\u00e3o pode impedir o plano do Pequeno Pr\u00edncipe. Ele tamb\u00e9m est\u00e1 se preparando para ir para casa, pois conseguiu consertar o motor do avi\u00e3o (sincronicidade).<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Faz muito tempo que as doutrinas da tradi\u00e7\u00e3o esot\u00e9rica proclamam o conhecimento da \u201cmorte \u00e1urea\u201d e o \u201cmorrer para a vida\u201d. Isso acontece quando um indiv\u00edduo deixa tudo para tr\u00e1s, mata seu eu terreno e parte de seus fardos e correntes mundanas. \u201cN\u00e3o posso carregar este corpo comigo: \u00e9 muito pesado!\u201d, diz o Pequeno Pr\u00edncipe. A morte f\u00edsica \u00e9 apenas uma analogia para a \u201cmorte\u201d de nossa vida terrena, mas as duas podem coincidir. Aqui, a hist\u00f3ria do Pequeno Pr\u00edncipe corresponde \u00e0s descri\u00e7\u00f5es dos evangelhos sobre o Mist\u00e9rio do G\u00f3lgota. Esses textos fornecem uma descri\u00e7\u00e3o horr\u00edvel da crucifica\u00e7\u00e3o e do terror encharcado de sangue que levou at\u00e9 ela. \u00c9 preciso descer bem fundo para tornar a magn\u00edfica ressurrei\u00e7\u00e3o a mais completa e cat\u00e1rtica poss\u00edvel.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">As \u00faltimas palavras do Pequeno Pr\u00edncipe enfatizam sua responsabilidade para com sua Rosa. Em seguida, a cobra da cor do sol (\u201ccom um lampejo amarelo\u201d) fornece seu veneno curativo para o homenzinho que busca deixar a Terra para tr\u00e1s e voltar para casa. J\u00e1 para o Pequeno Pr\u00edncipe, por sua inoc\u00eancia e pureza, a picada de cobra \u00e9 um beijo de amor (segundo Mikhail Naimy). A serpente desempenha um papel semelhante a Judas (e como o nome indica, juda\u00edsmo) com seu beijo no Mist\u00e9rio do G\u00f3lgota. Sem ele, a ressurrei\u00e7\u00e3o m\u00edstica n\u00e3o poderia ser conclu\u00edda.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O Pequeno Pr\u00edncipe n\u00e3o s\u00f3 volta para seu asteroide, como tamb\u00e9m entra no reino do Amor.<\/p>\n<h3>AMOR<\/h3>\n<p class=\"text-align-justify\">Anos depois dos acontecimentos, o piloto est\u00e1 em sua casa e conta: \u201cMas eu sei que ele voltou para seu planeta, porque n\u00e3o encontrei seu corpo ao raiar do dia. N\u00e3o era um corpo t\u00e3o pesado&#8230;\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Quando a escurid\u00e3o (medo, d\u00favida, tristeza) desaparece e o Sol brilha sobre um Novo Dia no deserto (o corredor da morte da vida) o milagre dos Evangelhos se repete: o corpo do ressuscitado desaparece da Terra. Ao inv\u00e9s de uma caverna, agora se trata do deserto \u00e0 noite. A\u00ed est\u00e1 um sinal de transfigura\u00e7\u00e3o, de \u201cmorrer para a vida\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">A ovelha desenhada para o Pequeno Pr\u00edncipe tem um papel enigm\u00e1tico na narrativa. Quando o protagonista encontra o piloto de madrugada, ele o acorda com este pedido: \u201cPor favor, desenha-me um carneiro!\u201d O pedido surpreendente, vindo em um lugar e hora inesperados, de uma criatura surpreendente, \u00e9 um chamado para despertar o homem adormecido. Esse chamado o tira de seu sonho, de seus pensamentos, de seus problemas \u201cfavoritos\u201d e lhe d\u00e1 uma nova perspectiva.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O carneiro \u201ctrancado\u201d ou escondido em uma caixa \u00e9 o pr\u00f3prio Pequeno Pr\u00edncipe \u2013 portanto, n\u00e3o \u00e9 surpresa que esse seja o desenho de que ele gosta, j\u00e1 que o cordeiro \u00e9 o s\u00edmbolo mais antigo e relevante de Jesus Cristo (\u201co cordeiro de Deus\u201d). Assim como o animal domesticado e inocente \u00e9 oferecido em sacrif\u00edcio na f\u00e9 do Antigo Testamento, Jesus Cristo \u00e9 oferecido no milagre da ressurrei\u00e7\u00e3o. O Pequeno Pr\u00edncipe tamb\u00e9m faz sacrif\u00edcios por sua Rosa, que est\u00e1 escondida dentro dele, exatamente como a met\u00e1fora do carneiro dentro da caixa. Essa flor m\u00e1gica trancada em seu corpo \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o da rosa e a Rosa do cora\u00e7\u00e3o: a Rosa.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Mas por que o Pequeno Pr\u00edncipe fica preocupado, achando que o carneiro vai comer sua Rosa quando ele voltar para casa? Outro medo (ou d\u00favida) junta-se a este, vindo do piloto, j\u00e1 no ep\u00edlogo do conto. Ele percebe que se esqueceu de colocar a focinheira que desenhou para o carneiro, portanto, agora ela \u00e9 in\u00fatil (a falta de aten\u00e7\u00e3o e consci\u00eancia). Se o Pequeno Pr\u00edncipe esquecer de fechar sua Rosa na redoma, o carneiro poder\u00e1 com\u00ea-la em um segundo! Neste sentido, o carneiro tamb\u00e9m \u00e9 um s\u00edmbolo duplo: ele \u00e9 um animal que pode ser domesticado, mas seus dentes amea\u00e7am as plantas comest\u00edveis: at\u00e9 mesmo as que t\u00eam espinhos. Enquanto perambulava pelo deserto, o Pequeno Pr\u00edncipe \u2013 como um \u201ccordeiro\u201d \u2013 teve medo de voltar a brigar com sua Rosa. Foi por isso que pediu o desenho como escudo protetor. Ele n\u00e3o poderia saber qual seria o resultado de seu auto-sacrif\u00edcio nem quais mudan\u00e7as a fase do Amor trar\u00e1. Ao retornar do deserto, o piloto n\u00e3o passou da fase da F\u00e9 \u2013 o que significa que, \u00e0s vezes, ele cai na descren\u00e7a. Algumas vezes ele fica pensando na quest\u00e3o da focinheira com otimismo; \u00e0s vezes, com desespero. Ent\u00e3o, ele faz a pergunta, que \u00e9 cr\u00edtica para muitos, com base em seu estado de esp\u00edrito:<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\"><em>Olhe para o c\u00e9u. Perguntem-se: \u00e9 sim ou n\u00e3o? O carneiro comeu a flor? E voc\u00ea vai ver como tudo muda&#8230;<\/em><\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">E assim a hist\u00f3ria inacabada do Pequeno Pr\u00edncipe nos deixa olhando para o c\u00e9u e para dentro de n\u00f3s mesmos. Ela nunca nos abandona: ela nos obriga a refletir sobre ela. Nesse sentido, essa narrativa \u00e9 semelhante \u00e0s f\u00f3rmulas de encerramento dos contos populares que impulsionam os leitores ou ouvintes a utilizarem a mensagem da hist\u00f3ria em suas vidas \u2013 mas claro, internamente, n\u00e3o externamente.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Na hist\u00f3ria, h\u00e1 uma defici\u00eancia quanto ao perigo de a focinheira ser in\u00fatil. Mesmo se estivesse funcionando, ainda dependeria da consci\u00eancia do Pequeno Pr\u00edncipe coloc\u00e1-lo no carneiro \u00e0 noite. Se ele esquecer de fazer isso, o carneiro pode comer a Rosa. Se o Pequeno Pr\u00edncipe perceber que a focinheira n\u00e3o serve para nada, depender\u00e1 tamb\u00e9m de sua consci\u00eancia se ele vai se esquecer ou n\u00e3o de fechar a Rosa na redoma. De qualquer forma, sua consci\u00eancia \u00e9 crucial. Ainda mais porque ele, de fato, \u00e9 o carneiro.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Assim como ele \u00e9 tamb\u00e9m a Rosa.<\/p>\n","protected":false},"author":917,"featured_media":10883,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110069],"tags_english_":[],"class_list":["post-91110","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-art-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/91110","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/917"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10883"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91110"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91110"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=91110"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=91110"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}