{"id":91101,"date":"2020-10-24T07:16:51","date_gmt":"2020-10-24T07:16:51","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/logon_article\/o-pequeno-principe-a-historia-do-retorno-parte-3\/"},"modified":"2025-01-01T20:26:36","modified_gmt":"2025-01-01T20:26:36","slug":"o-pequeno-principe-a-historia-do-retorno-parte-3","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/o-pequeno-principe-a-historia-do-retorno-parte-3\/","title":{"rendered":"O Pequeno Pr\u00edncipe \u2013 a hist\u00f3ria do retorno \u2013 Parte 3"},"content":{"rendered":"<p class=\"text-align-justify\"><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/o-pequeno-principe-a-historia-do-retorno-parte-2\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ir para a parte 2<\/a><\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/castbox.fm\/app\/castbox\/player\/id3452609\/id372125746?v=8.22.11&amp;autoplay=0\" width=\"100%\" height=\"200\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">A conversa entre os dois personagens revela entendimento m\u00fatuo e un\u00edssono. Quando o Pequeno Pr\u00edncipe pergunta onde est\u00e3o as pessoas, uma vez que se sente t\u00e3o s\u00f3 no deserto, a cobra diz: \u201cTamb\u00e9m \u00e9 solit\u00e1rio entre os homens\u201d. N\u00e3o h\u00e1 nada a dizer sobre isso, pois foi exatamente isso que o homenzinho vivenciou ao encontrar os habitantes dos asteroides que visitou. Parece que a cobra n\u00e3o apenas declara uma verdade geral, mas, de alguma forma, subtraiu sua resposta do visitante peculiar. Enquanto a serpente se enrosca em torno do tornozelo do Pequeno Pr\u00edncipe, ela nota \u2013 de uma forma bastante horripilante \u2013 que pode enviar qualquer pessoa de volta \u00e0 Terra com seu toque (presas). Mas o homenzinho fr\u00e1gil \u00e9 t\u00e3o puro que a cobra demonstra miseric\u00f3rdia. Ela se oferece para ajud\u00e1-lo a voltar ao seu planeta. O Pequeno Pr\u00edncipe n\u00e3o tem d\u00favidas sobre a natureza dessa ajuda. O entendimento completo \u00e9 revelado enquanto eles se sentam t\u00e3o silenciosamente quanto o deserto, tendo o deserto do Pequeno Pr\u00edncipe tremeluzindo acima deles.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">S\u00e3o como uma \u201cflor sem valor algum\u201d, informa ela ao protagonista, que nunca sabe onde encontrar os homens: \u201cO vento os carrega. Eles n\u00e3o t\u00eam ra\u00edzes, o que lhes torna a vida muito dif\u00edcil.\u201d. Nenhuma resposta vem do min\u00fasculo andarilho: ele apenas diz adeus. Deve ser estranho para ele ter ra\u00edzes que crescem em dire\u00e7\u00e3o ao c\u00e9u.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Ele chega a uma estrada que leva a um jardim de rosas. H\u00e1 cinco mil flores l\u00e1, e todas se parecem com sua rosa \u201c\u00fanica entre todas\u201d, que ele considerava \u00fanica. Angustiado, ele cai em l\u00e1grimas.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">E ent\u00e3o a raposa aparece. N\u00e3o \u00e9 por acaso que chega ali mesmo, perto das rosas. A raposa e as rosas \u2013 especialmente a rosa do Pequeno Pr\u00edncipe \u2013 t\u00eam uma liga\u00e7\u00e3o. Elas est\u00e3o conectadas por suas cores fortes, seus tra\u00e7os femininos e suas personalidades. Al\u00e9m delas e da \u201cflor sem valor algum\u201d, todos os outros personagens da hist\u00f3ria s\u00e3o homens ou seres masculinos. A vida e o pensamento da rosa e da raposa representam a necessidade e as dificuldades da afilia\u00e7\u00e3o e do pertencimento, e o desejo de ser domesticado e se tornar completo. Elas podem ser tentadas a manipular outras pessoas ou fazer um espet\u00e1culo para alcan\u00e7ar seu objetivo. Mas, se reconhecermos nossos poderes m\u00e1gicos, se formos capazes de control\u00e1-los e utiliz\u00e1-los para prop\u00f3sitos puros e nobres, esses truques n\u00e3o ser\u00e3o necess\u00e1rios.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Quando o Pequeno Pr\u00edncipe encontra a raposa, ele apenas ouve uma sauda\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o v\u00ea ningu\u00e9m. Ele se vira, mas ainda n\u00e3o consegue ver a raposa. S\u00f3 consegue v\u00ea-la quando a voz lhe diz: \u201cEstou bem aqui, debaixo da macieira.\u201d. Tudo isso prev\u00ea que o encontro com a raposa mudar\u00e1 (\u201cconverter\u00e1\u201d) a vida e o modo de pensar do Pequeno Pr\u00edncipe, e o levar\u00e1 \u00e0 completude (macieira).<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">A raposa demonstra para ele o valor de sua rosa e o faz entender a maneira como ele poderia se conectar com ela. N\u00e3o \u00e9 de admirar que a raposa saiba de tudo isso: ela representa a rosa, o reino interior da rosa. Ele traduz a fragr\u00e2ncia da rosa em palavras.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Antes de lhe oferecer um segredo como presente, a raposa aconselha o Pequeno Pr\u00edncipe a voltar \u00e0s cinco mil rosas do jardim. O n\u00famero cinco mil pode ser rastreado at\u00e9 o n\u00famero cinco \u2013 o pentagrama m\u00e1gico, que \u00e9 o s\u00edmbolo da ordem divina e do renascimento. As propor\u00e7\u00f5es e a estrutura da rosa tamb\u00e9m est\u00e3o conectadas ao n\u00famero cinco.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">As palavras do Pequeno Pr\u00edncipe dirigidas \u00e0s cinco mil rosas parecem ser bastante dolorosas. Ele ainda n\u00e3o se recuperou de seu desapontamento com o fato de que o valor de sua rosa \u201c\u00fanica\u201d foi (aparentemente) questionado pelo jardim. Por\u00e9m, a fala do protagonista n\u00e3o \u00e9 ego\u00edsta, excludente ou degradante, mas sim um elogio \u00e0 Rosa Eterna e \u00danica. <em>Uma <\/em>ao inv\u00e9s de muitas, <em>interna<\/em> ao inv\u00e9s de externa: a Rosa do Cora\u00e7\u00e3o. Se ele puder se unir a ela, todas as rosas ser\u00e3o Uma e \u00danica para ele: e ele ser\u00e1 respons\u00e1vel por todas elas!<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">S\u00f3 depois disso o Pequeno Pr\u00edncipe recebe as famosas palavras de inicia\u00e7\u00e3o da raposa:<\/p>\n<p class=\"text-align-center\">\u201cS\u00f3 se v\u00ea bem com o cora\u00e7\u00e3o. O essencial \u00e9 invis\u00edvel aos olhos\u201d<\/p>\n<p class=\"text-align-center\">\u201c\u00c9 o tempo que voc\u00ea gastou com sua rosa que a torna t\u00e3o importante\u201d<\/p>\n<p class=\"text-align-center\">\u201cVoc\u00ea \u00e9 respons\u00e1vel por sua rosa &#8230;\u201d<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Aqui come\u00e7a a <em>religio,<\/em> e, mais especificamente, a fase da f\u00e9.<\/p>\n<h3><strong>F\u00c9<\/strong><\/h3>\n<p class=\"text-align-justify\">Ap\u00f3s o encontro com a raposa, o Pequeno Pr\u00edncipe encontra duas pessoas cuja ocupa\u00e7\u00e3o e vis\u00e3o de mundo s\u00e3o semelhantes \u00e0s das que vivem nos asteroides.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O primeiro \u00e9 um manobrista ferrovi\u00e1rio. Desde que conheceu a raposa, a perspectiva e a vida do protagonista mudaram: ele segue \u201cnovos trilhos\u201d. O estrondo e \u201crugidos de trov\u00e3o\u201d feitos por trens desviados de uma plataforma para a outra s\u00e3o o completo oposto do vazio do deserto e do lento sil\u00eancio. O destino dos ve\u00edculos parece bastante f\u00fatil para o agente ferrovi\u00e1rio. Para ele, o significado e o poder est\u00e3o na capacidade de enviar trens a diferentes plataformas. Sua tarefa mec\u00e2nica assemelha-se \u00e0 do acendedor de l\u00e2mpadas: parece ser seu equivalente na Terra. O maquinista tamb\u00e9m espelha o rei, pois tamb\u00e9m compartilha uma p\u00e9rola de sabedoria em rela\u00e7\u00e3o aos passageiros: \u201cNingu\u00e9m nunca fica satisfeito onde est\u00e1\u201d. Essas palavras devem afetar profundamente o Pequeno Pr\u00edncipe, mas, de acordo com a hist\u00f3ria, ele n\u00e3o reage a elas. Prov\u00e9rbios e m\u00e1ximas que t\u00eam valor de ensinamento podem vir de fontes imprevistas, se formos capazes de notar e dar-lhes aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O outro personagem \u00e9 um comerciante que vende p\u00edlulas que podem matar a sede. Com um comprimido, pode-se \u201ceconomizar\u201d uma hora que, de outra forma, teria sido gasta em bebida. O vendedor desse produto aparentemente \u00fatil assemelha-se ao empres\u00e1rio e ao cientista dos asteroides.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Assim, os tr\u00eas \u00faltimos personagens aparentemente \u00fateis dos asteroides s\u00e3o evocados nesses dois indiv\u00edduos terrestres. A terceira pessoa que o Pequeno Pr\u00edncipe encontra na Terra \u00e9 o piloto, que est\u00e1 tentando consertar o motor de seu avi\u00e3o no deserto, longe de todos os outros. Ele \u00e9 algu\u00e9m que merece o tempo e a amizade do protagonista. Isso \u00e9 comprovado pelo fato de que, quando o Pequeno Pr\u00edncipe pede ao piloto que lhe desenhe um carneiro, o homem tenta, mas s\u00f3 realiza o desejo do protagonista na quarta tentativa, quando usa uma t\u00e9cnica n\u00e3o convencional: ele desenha uma caixa dizendo que o carneiro est\u00e1 l\u00e1 dentro. Essa foi uma li\u00e7\u00e3o que o homem aprendeu: como um adulto t\u00edpico, ele apenas procurou fugir da tarefa; mas, por causa do Pequeno Pr\u00edncipe, ele teve de enfrentar a lacuna entre seu eu puro de crian\u00e7a e seu eu adulto com foco na praticidade.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">A amizade entre o protagonista e o piloto vai se aprofundando: eles aprendem cada vez mais um com o outro. Eles t\u00eam dois mundos separados, mas suas ra\u00edzes s\u00e3o as mesmas. Essa base compartilhada fica cada vez mais clara e \u2013 al\u00e9m de alguns exemplos de imprud\u00eancia, desacordo e raiva \u2013 leva ao entendimento m\u00fatuo e \u00e0 solidariedade.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Quando o piloto fica sem \u00e1gua, o comportamento deles \u00e9 o melhor exemplo do fato de que eles v\u00eam de mundos diferentes. Com medo de morrer, o piloto d\u00e1 uma resposta evasiva e irritada ao Pequeno Pr\u00edncipe, a quem as necessidades f\u00edsicas de comer e beber obviamente n\u00e3o afetam (mas dormir, sim). O protagonista entende a gravidade (e o valor did\u00e1tico) da situa\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o afirma estar com sede tamb\u00e9m, e sugere que saiam em busca de um po\u00e7o. A ideia parece absurda para o piloto, mas, como ele n\u00e3o tem um plano melhor, eles partem. Depois de horas vagando, a noite cai. Os personagens sentam-se para descansar sob o c\u00e9u estrelado. Quando o piloto pergunta se o Pequeno Pr\u00edncipe est\u00e1 realmente com sede, o homenzinho diz: \u201cA \u00e1gua tamb\u00e9m pode fazer bem ao cora\u00e7\u00e3o &#8230;\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O piloto n\u00e3o o entende, mas \u00e9 revelado que existem dois tipos de sede: uma do corpo e outra da alma. Os dois personagens est\u00e3o com sede de maneiras diferentes \u2013 eles precisam de um po\u00e7o que possa fornecer \u00e1gua para ambos. Eles est\u00e3o cansados. Antes que o Pequeno Pr\u00edncipe adorme\u00e7a, proclama dois pensamentos importantes:<\/p>\n<p class=\"text-align-center\">\u201cAs estrelas s\u00e3o lindas, por causa de uma flor que n\u00e3o se v\u00ea\u201d<\/p>\n<p class=\"text-align-center\">\u201cO que torna o deserto bonito \u00e9 que em algum lugar ele esconde um po\u00e7o\u201d<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">S\u00e3o duas ideias an\u00e1logas. O segundo conceito atinge o piloto, e ele expressa sua concord\u00e2ncia. Enquanto ele olha com ternura o rosto do pr\u00edncipe adormecido \u2013 o espelho de sua alma \u2013 ele entende que \u201cO que \u00e9 mais importante \u00e9 invis\u00edvel &#8230;\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Ele percebe e compreende que o que \u00e9 diferente, o que existe em um n\u00edvel superior \u2013 o que n\u00e3o vem deste mundo \u2013 \u00e9 invis\u00edvel, mas brilha no vis\u00edvel e o torna mais belo. Enquanto caminha com o Pequeno Pr\u00edncipe adormecido em seus bra\u00e7os, ele encontra o po\u00e7o ao raiar da aurora \u2013 quando nasce a luz. Aqui come\u00e7a a fase de F\u00e9 para o piloto, e de Esperan\u00e7a para o Pequeno Pr\u00edncipe.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\"><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/o-pequeno-principe-a-historia-do-retorno-parte-4\/\">Continua na parte 4<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":917,"featured_media":10860,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110069],"tags_english_":[],"class_list":["post-91101","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-art-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/91101","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/917"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10860"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91101"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91101"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=91101"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=91101"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}