{"id":91092,"date":"2020-10-24T07:00:01","date_gmt":"2020-10-24T07:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/logon_article\/o-pequeno-principe-a-historia-do-retorno-parte-2\/"},"modified":"2025-01-01T20:28:10","modified_gmt":"2025-01-01T20:28:10","slug":"o-pequeno-principe-a-historia-do-retorno-parte-2","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/o-pequeno-principe-a-historia-do-retorno-parte-2\/","title":{"rendered":"O Pequeno Pr\u00edncipe \u2013 a hist\u00f3ria do retorno \u2013 Parte 2"},"content":{"rendered":"<p class=\"text-align-justify\"><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/o-pequeno-principe-a-historia-do-retorno-parte-1\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ir para a parte 1<\/a><\/p>\n<p><iframe src=\"https:\/\/castbox.fm\/app\/castbox\/player\/id3452609\/id371039116?v=8.22.11&amp;autoplay=0\" width=\"100%\" height=\"200\" frameborder=\"0\"><\/iframe><\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O Pequeno Pr\u00edncipe vivia em um aster\u00f3ide e viajou para muitos outros planetas antes de chegar \u00e0 Terra. Cada um desses planetas era habitado por um (tipo de) ser humano. Essa imagem se correlaciona com os ensinamentos esot\u00e9ricos \u2013 implica a exist\u00eancia de microcosmos esf\u00e9ricos. De acordo com esses ensinamentos, o ser humano original era um ser imortal com uma personalidade divina e um sistema de vida complexo e esf\u00e9rico. Mas, ap\u00f3s a queda espiritual \u2013 que foi uma cat\u00e1strofe c\u00f3smica \u2013 passou a ser apenas um sistema de vida danificado e incompleto, que de tempos em tempos se conecta a uma personalidade mortal e terrena, cujo prop\u00f3sito na vida seria restaurar esse microcosmo, desenvolvendo uma personalidade divina e imortal.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O asteroide do Pequeno Pr\u00edncipe se correlaciona com a imagem do estado de deca\u00eddo. Pertence ao mundo e \u00e0 natureza dos opostos, com todas as suas consequ\u00eancias. Muitas vezes os dias se transformam em noites devido ao pequeno tamanho do planeta e, embora seu \u00fanico habitante adore ver o p\u00f4r do sol, for\u00e7as destrutivas tamb\u00e9m est\u00e3o em a\u00e7\u00e3o. Sementes ruins, brotos, baob\u00e1s se espalham constantemente, e o dono do asteroide s\u00f3 pode mant\u00ea-los na linha atrav\u00e9s da capina implac\u00e1vel \u2013 essa tarefa reflete um esfor\u00e7o interno cont\u00ednuo para purificar a consci\u00eancia. Esse \u00e9 um tra\u00e7o de uma alma nobre, de origens nobres: \u00e9 por isso que o t\u00edtulo de Pr\u00edncipe tem sua justificativa. N\u00e3o \u00e9 de estranhar que uma flor \u201cnobre\u201d \u2013 uma rosa \u2013 comece a desabrochar nesse planeta. No entanto, a rosa \u00e9 um s\u00edmbolo duplo: seu caule tem muitos espinhos, mas seu c\u00e1lice \u00e9 lindo, perfumado. \u00c9 como o cora\u00e7\u00e3o humano, que \u00e9 tingido de vermelho por desejos e paix\u00f5es egoc\u00eantricas; um pouco mais l\u00e1 dentro, h\u00e1 afeto confundido com amor; mas l\u00e1 no fundo h\u00e1 amor divino \u2013 como um po\u00e7o no deserto \u2013 que (iria) espalhar a verdadeira fragr\u00e2ncia da flor.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Assim que a flor do Pequeno Pr\u00edncipe se torna autoconsciente, ela se comporta como a casca externa do cora\u00e7\u00e3o humano: ela \u00e9 enjoada, importuna, sarc\u00e1stica e pretensiosa. Projetando tudo isso para fora e com medo das dificuldades e perigos do mundo exterior, ela exige ser protegida, \u00e0 noite, por uma redoma. Depois de um tempo, o Pequeno Pr\u00edncipe fica farto. Ele decide deixar sua casa; p\u00f5e seu planeta em ordem pela \u00faltima vez, e se despede da rosa. Ent\u00e3o, a rosa sai da casca externa do cora\u00e7\u00e3o (ela nem precisa mais da redoma) e \u201cpisa\u201d no territ\u00f3rio do afeto confundido com o amor. Assim, ela admite suas faltas e expressa seu amor pelo Pequeno Pr\u00edncipe, embora tamb\u00e9m o culpe pelo que aconteceu. Por enquanto, sua compreens\u00e3o e generosidade derivam de sua vaidade; e suas l\u00e1grimas de autopiedade s\u00e3o contidas por orgulho.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O Pequeno Pr\u00edncipe parte para outros asteroides (microcosmos). Ele visita seis planetas e seu s\u00e9timo destino \u00e9 a Terra. Como o piloto teve que executar um pouso de emerg\u00eancia devido a um erro funcional, um problema com o motor, o Pequeno Pr\u00edncipe tamb\u00e9m tem de deixar sua casa et\u00e9rica pelo mesmo motivo. Sua vis\u00e3o encantadoramente pura e infantil, admirada pelo piloto (quando o homenzinho v\u00ea o elefante engolido na jiboia, e o carneiro no desenho da caixa), falha quando se trata da rosa, porque ele n\u00e3o consegue reconhecer a Rosa sob as p\u00e9talas da flor.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Todos os habitantes dos planetas visitados s\u00e3o obsessivos e teimosos \u2013 caricaturas disformes das personalidades divinas dos microcosmos originais. S\u00e3o indiv\u00edduos terrenos egoc\u00eantricos que s\u00e3o obcecados por si mesmos. Foram se tornando cada vez mais gananciosos, retendo os poderes divinos para seu pr\u00f3prio bem \u2013 o que levou \u00e0 queda dos microcosmos, no passado c\u00f3smico.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O rei fica obcecado em ser ditador; o homem vaidoso, com a pr\u00f3pria faceirice; o beberr\u00e3o, com a embriaguez. Esses tr\u00eas s\u00e3o facilmente ridicularizados ou lamentados pelo mundo. No entanto, as tr\u00eas personalidades teimosas a seguir podem parecer \u00fateis e respeit\u00e1veis \u200b\u200b\u2013 embora sejam t\u00e3o obsessivas e presun\u00e7osas quanto as outras: o empres\u00e1rio se esfor\u00e7a para possuir cada vez mais; o acendedor de lampi\u00f5es se oprime com seu falso senso de miss\u00e3o; o ge\u00f3grafo busca conhecimentos superficiais; e os tiranos buscam pessoas a serem dominadas.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Para o Pequeno Pr\u00edncipe, a pessoa menos agrad\u00e1vel \u00e9 o b\u00eabado; e a mais agrad\u00e1vel \u00e9 o acendedor de lampi\u00f5es. \u00c9 interessante que os dois estejam conectados: o que bebe anseia por torpor; o outro, por dormir. Ambos t\u00eam problemas em estar acordados. A vida do b\u00eabado gira em torno de si mesmo: ele bebe para esquecer a vergonha de ter bebido.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O car\u00e1ter aparentemente agrad\u00e1vel do acendedor de l\u00e2mpadas \u2013 apresentado por meio de tradi\u00e7\u00f5es religiosas externas, mandamentos e rituais \u2013 incorpora a obsess\u00e3o de manter a falsa luz. Essa pr\u00e1tica religiosa compulsiva \u00e9 de fato como o \u00f3pio: semelhante ao alcoolismo. No entanto, eles se relacionam de forma diferente: o b\u00eabado se despreza (n\u00e3o sem raz\u00e3o); o acendedor de lampi\u00f5es elogia a si mesmo sem motivo).<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Mas encontramos um ditado s\u00e1bio entre os seis indiv\u00edduos obsessivos: &#8220;&#8216;Ent\u00e3o voc\u00ea deve julgar a si mesmo\u201d, respondeu o rei, &#8221; essa \u00e9 a coisa mais dif\u00edcil de todas. \u00c9 muito mais dif\u00edcil julgar a si mesmo do que julgar os outros. Se voc\u00ea conseguir se julgar corretamente, ent\u00e3o voc\u00ea \u00e9 de fato um ser humano de verdadeira sabedoria. &#8216;\u201d<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Mas isso \u00e9 apenas um espet\u00e1culo que o rei est\u00e1 fazendo, pois ele n\u00e3o vivencia essas palavras de sabedoria. O Pequeno Pr\u00edncipe, no entanto, pensa e vive de acordo com essa m\u00e1xima, cada dia mais \u2013 especialmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua Rosa. E, de acordo com o conselho do ge\u00f3grafo, seu s\u00e9timo destino \u00e9 o planeta Terra.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O Pequeno Pr\u00edncipe chega \u00e0 Terra no deserto do Saara. O deserto, assim como a Rosa, tem um significado duplo. Por um lado, \u00e9 uma terra devastada, que representa a futilidade do mundo; por outro lado, \u00e9 onde a pobreza e a pureza de esp\u00edrito podem ser alcan\u00e7adas, quando nos distanciamos dos prazeres terrenos e das prova\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Aqui, o protagonista encontra pela primeira vez a cobra, \u00e0 noite. Esse animal tamb\u00e9m \u00e9 um s\u00edmbolo duplo. No sentido negativo, representa engano e tenta\u00e7\u00e3o, e, como vimos no desenho do narrador, ele engole e digere sua presa inteira. O tipo mais perigoso \u00e9 a serpente venenosa, que traz veneno em suas presas. Mas o veneno em pequenas quantidades pode ser rem\u00e9dio; e isso nos leva aos tra\u00e7os positivos do s\u00edmbolo da cobra. O animal tamb\u00e9m representa ast\u00facia, pois guarda tesouros valiosos (conhecimento oculto). Ela pode trocar sua pele: portanto, tamb\u00e9m \u00e9 s\u00edmbolo de renascimento. Esse animal t\u00e3o complexo est\u00e1 intimamente relacionado com tudo o que o deserto representa.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">\u00c9 o primeiro ser que o Pequeno Pr\u00edncipe encontra na Terra, e que tamb\u00e9m ajudar\u00e1 o protagonista a deixar o planeta. A cobra lhe d\u00e1 as boas-vindas e o envia de volta, demonstrando evid\u00eancias de suas muitas habilidades.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\"><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/o-pequeno-principe-a-historia-do-retorno-parte-3\/\">Continua na parte 3<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":917,"featured_media":10837,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110069],"tags_english_":[],"class_list":["post-91092","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-art-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/91092","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/917"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10837"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=91092"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=91092"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=91092"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=91092"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}