{"id":90394,"date":"2020-03-31T21:31:15","date_gmt":"2020-03-31T21:31:15","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/logon_article\/o-destino-de-everett-climb\/"},"modified":"2020-03-31T21:31:15","modified_gmt":"2020-03-31T21:31:15","slug":"o-destino-de-everett-climb","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/o-destino-de-everett-climb\/","title":{"rendered":"O Destino de Everett Climb"},"content":{"rendered":"<p class=\"text-align-justify\">Everett Climb \u00e9 alpinista. Seria o acaso ou o destino?<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Seu irm\u00e3o ca\u00e7ula, Ruppert, que viaja muito, perdeu&nbsp;seu avi\u00e3o em Katmandu, o qual&nbsp;caiu na cadeia do Himalaia, sem deixar nenhum sobrevivente.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Ao receber essa not\u00edcia, Ruppert teve um ataque card\u00edaco fatal que o deixou sem vida no piso de sua cozinha.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Robert, primo de Ruppert, que todos os dias joga na loteria o mesmo n\u00famero, ganhou o pr\u00eamio na sexta-feira 13. Mas ele perdeu seu ticket, que foi encontrado por Al\u00edcia, uma moradora de rua que pedia esmola na frente de seu pr\u00e9dio.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Seis meses mais tarde, Robert e Al\u00edcia encontram-se durante uma tarde beneficente em favor das v\u00edtimas de terremotos. Eles se casam um m\u00eas mais tarde. Durante sua viagem de n\u00fapcias nas montanhas do Cazaquist\u00e3o, um terremoto excepcional e inesperado ocorre, e os dois perecem sob os escombros.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O que pensar de tudo isso? Acaso? Destino? Fatalidade? Eis a quest\u00e3o!<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">As situa\u00e7\u00f5es de nossa vida, pequenas ou grandes, nossas experi\u00eancias felizes ou infelizes, nossas escolhas de vida (carreira profissional, fam\u00edlia, evolu\u00e7\u00e3o pessoal) estariam inscritas numa trama do destino?<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">H\u00e1 lugar para a fatalidade ou o acaso? Ou tudo isso seria apenas uma fabrica\u00e7\u00e3o intelectual inveross\u00edmil escondendo o fato de que, na verdade, n\u00e3o h\u00e1 nada? Por que interpretar, dar um motivo \u00e0s coisas que nos acontecem?<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Bem, pode ser simplesmente porque temos necessidade de compreender, de explicar as pequenas e as grandes coisas.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Todos conhecemos a teoria do efeito borboleta, do meteorologista Edward Lorenz, sobre a previsibilidade:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"text-align-justify\">O batimento das asas de uma borboleta no Brasil pode provocar um tornado no Texas?<\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"text-align-justify\">Essa teoria deu lugar a numerosas interpreta\u00e7\u00f5es e variantes, a maioria usadas para mostrar que um grande acontecimento pode ter sua origem em outro, bem menor. H\u00e1 um aspecto de \u201cbonecas russas\u201d nessa teoria.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Existe uma diferen\u00e7a t\u00e3o grande entre acaso e previsibilidade? O acaso caracteriza a imprevisibilidade dos acontecimentos submetidos \u00e0 lei das probabilidades, como, por exemplo, em um jogo de dados. Quando lan\u00e7o um dado de seis faces, h\u00e1 uma chance em seis que ele termine seu curso no seis. Se passo a dois dados, uma chance em trinta e seis de conseguir um duplo seis, e com tr\u00eas dados, uma chance em duzentas e dezesseis&nbsp;de obter um triplo seis.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">A previsibilidade \u00e9, por outro lado, o fato de extrapolar um acontecimento futuro com base em um acontecimento passado. Mas, nesse caso, a lei das probabilidades interv\u00e9m.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">No bel\u00edssimo filme de Jean-Pierre Jeunet, \u201cA Cidade das Crian\u00e7as Perdidas\u201d (1995), h\u00e1 uma cena memor\u00e1vel sobre esse tipo de encadeamento de eventos, do mais insignificante (uma l\u00e1grima de crian\u00e7a) ao mais apocal\u00edptico (um acidente com um cargueiro), tudo para sublinhar bem que, afinal, nada \u00e9 devido ao acaso.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Apelar \u00e0 lei das probabilidades \u00e9 aceitar que \u201ctudo pode acontecer\u201d. \u00c9 tamb\u00e9m aceitar que todo acontecimento pode ocorrer porque outro evento aconteceu antes, e assim por diante.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Minha vida seria, portanto, uma longa sequ\u00eancia de acontecimentos sem outra liga\u00e7\u00e3o entre si que n\u00e3o certa probabilidade? Se estudo medicina, \u00e9 prov\u00e1vel que me torne m\u00e9dico, e, se me torno m\u00e9dico, \u00e9 prov\u00e1vel que fa\u00e7a massagens card\u00edacas em um escoc\u00eas de 73 anos em um avi\u00e3o com destino a Katmandu. Mas por que eu estudaria medicina? Eis a\u00ed uma quest\u00e3o \u00e0 qual \u00e9 dif\u00edcil responder simplesmente com a lei das probabilidades. Sinto que h\u00e1 algo errado entre o porqu\u00ea das coisas e a probabilidade de que elas aconte\u00e7am.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">E mesmo que eu n\u00e3o saiba o porqu\u00ea, n\u00e3o consigo aceitar que tudo isso seja devido ao mero acaso, a uma s\u00e9rie de probabilidades.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Hoje \u00e9 admitido e provado que a cadeira na qual estou sentado neste momento est\u00e1 submetida a certas leis na escala de dimens\u00f5es de meu escrit\u00f3rio, mas que, na escala do infinitamente pequeno, s\u00e3o leis totalmente diferentes que se aplicam. O que quer dizer que, dependendo do seu ponto de vista, as leis que se aplicam \u00e0s coisas n\u00e3o s\u00e3o as mesmas.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Em resumo: se \u00e9 o acaso, \u00e9 estranho; se \u00e9 o destino, aonde ele me leva?<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">At\u00e9 onde estou pronto a ir para compreender o que me acontece e o sentido de tudo isso?<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">A&nbsp;ideia de&nbsp;destino do senso comum&nbsp;\u00e9 bem pr\u00e1tica, pode responder a todo tipo de enigmas. Como no exemplo da fam\u00edlia Climb, o acaso e a lei das probabilidades s\u00e3o uma explica\u00e7\u00e3o um pouco fr\u00e1gil e fraca.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">No entanto, isso n\u00e3o significa pensar que TUDO&nbsp;que acontece seja fruto do destino. Porque, ent\u00e3o, surgiria depressa a quest\u00e3o do sentido da vida. E isso se tornaria algo muito perturbador. Estou pronto para essa pergunta?<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Qual \u00e9 o sentido da minha vida? Qual \u00e9 o sentido que EU dou \u00e0 minha vida?<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Al\u00e9m do fato de eu crer no destino ou n\u00e3o, de crer no acaso ou n\u00e3o, experimento essa necessidade vital de sentido. E diante de tudo que foi feito na hist\u00f3ria da humanidade, parece que eu n\u00e3o sou o \u00fanico; longe disso. \u00c9, portanto, l\u00f3gico que eu sinta afinidade com os que t\u00eam as mesmas preocupa\u00e7\u00f5es. E isso me abre um caminho de compreens\u00e3o de mim mesmo, do mundo, da vida. A compreens\u00e3o \u00e9 uma chave muito importante para a busca de sentido. Na compreens\u00e3o, h\u00e1 luz!<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">A compreens\u00e3o \u00e9 mais importante que a explica\u00e7\u00e3o. Se me explicam como vivem as abelhas, \u00e9 bom. Se compreendo as abelhas, \u00e9 melhor. A chave da compreens\u00e3o permite abrir uma porta: a porta do conhecimento. Se compreendo as abelhas, posso viver com elas, se as conhe\u00e7o, sou um com elas. Os limites j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam import\u00e2ncia. As cren\u00e7as j\u00e1 n\u00e3o s\u00e3o objeto de interesse. O ego\u00edsmo j\u00e1 n\u00e3o tem raz\u00e3o de ser.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Entro, ent\u00e3o, em outra rela\u00e7\u00e3o com o destino. Meu destino j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 o controlador que minha vida me imp\u00f5e, ele \u00e9 o companheiro com o qual vivo minhas experi\u00eancias. J\u00e1 n\u00e3o me encontro na encosta descendente de uma fatalidade, mas num caminho de liberdade. Ele faz eco \u00e0 minha busca por sentido.<\/p>\n","protected":false},"author":914,"featured_media":8300,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110108],"tags_english_":[],"class_list":["post-90394","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-spiritsoul-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/90394","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/914"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8300"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=90394"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=90394"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=90394"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=90394"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}