{"id":89729,"date":"2019-07-10T17:57:41","date_gmt":"2019-07-10T17:57:41","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/logon_article\/encontros\/"},"modified":"2019-07-10T17:57:41","modified_gmt":"2019-07-10T17:57:41","slug":"encontros","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/encontros\/","title":{"rendered":"Encontros"},"content":{"rendered":"<p class=\"text-align-justify\">Podemos conhecer uma pessoa, dar-lhe a m\u00e3o, trocar algumas palavras. Um olhar pode nos dar uma impress\u00e3o. Pode ser que sejamos cautelosos porque tivemos alguma experi\u00eancia ruim no passado. Nosso cora\u00e7\u00e3o, no entanto, segue seus pr\u00f3prios caminhos e, espontaneamente, sem prestar aten\u00e7\u00e3o a nossas experi\u00eancias, estabelece uma proximidade ou uma dist\u00e2ncia, deixa o amor incendiar-se ou cria uma avers\u00e3o feroz. Depois desse encontro, \u00e0s vezes temos vergonha de como nos comportamos.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">\u201cMas estamos todos ligados!\u201d, diz o cora\u00e7\u00e3o. \u201cN\u00e3o se deixe enganar. O modo como voc\u00ea se comportou \u00e9 voc\u00ea; a maneira como voc\u00ea deu aten\u00e7\u00e3o a essa pessoa, o amor e a amizade, tudo isso \u00e9 voc\u00ea\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Mas&#8230; nossa experi\u00eancia nos ensina que a aten\u00e7\u00e3o que damos a algu\u00e9m pode trazer decep\u00e7\u00e3o, o amor pode ser tra\u00eddo e as amizades, dissolvidas. Toda vez que isso acontece, \u00e9 doloroso \u2013 e ficamos feridos. Quase todos os dias vemos na m\u00eddia como aquilo que \u00e9 essencial para o cora\u00e7\u00e3o das pessoas \u00e9 pisado e como a vida mais \u00edntima de uma pessoa \u00e9 atra\u00edda para o mercado midi\u00e1tico. Alguma coisa dentro de n\u00f3s come\u00e7a a protestar: \u201cIsso n\u00e3o pode ser verdade! Amor \u00e9 amor; amizade \u00e9 amizade \u201d. Mas a m\u00eddia celebra isso \u2013 esse \u00e9 o neg\u00f3cio dela. De uma maneira n\u00e3o dita, ela insinua: &#8220;Voc\u00ea pode imaginar altos ideais, mas a natureza humana simplesmente n\u00e3o existe, e esta reportagem continua demonstrando isso&#8221;. Um certo esp\u00edrito de desprezo parece acompanhar algumas dessas reportagens e o fasc\u00ednio delas vem da desarmonia com os valores de nosso ser mais \u00edntimo. &#8220;Isso realmente n\u00e3o pode ser, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel!&#8221;, podemos dizer para n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Seria o mesmo fato que aconteceu antes e foi repetido v\u00e1rias vezes como um disco quebrado? Veja, as circunst\u00e2ncias s\u00e3o sempre diferentes, mas o tema \u00e9 sempre o mesmo: \u00e9 a ruptura da Unidade que vai puxando valores internos para fora e criando uma apar\u00eancia de mundo exterior, na qual, os seres internos se encaram pelo lado de fora \u2013 como se fossem estranhos!<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">\u201c\u00c9 isso o que o destino significa: ser o oposto \u2013 e ser isso e nada mais: ser sempre o oposto\u201d. (Rilke em <em>Elegias 8<\/em>: <em>Dieses heisst Schicksal: gegenueber sein und nichts als das und immer gegenueber)<\/em>.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">N\u00f3s nos confrontamos \u2013 e, quando chegamos muito perto um do outro, sofremos em meio a toda essa felicidade. O mesmo poeta pergunta: \u201cEsses sofrimentos antigos n\u00e3o deveriam ser frut\u00edferos para n\u00f3s?\u201d. (Rilke, em <em>Elegia 1<\/em> <em>Sollen nicht endlich uns diese \u00e4ltesten Schmerzen fruchtbarer werden?). <\/em>E ele chega \u00e0 conclus\u00e3o de que sofrimentos fazem que \u201cnos tornemos <em>algo mais do que n\u00f3s mesmos<\/em>\u201d (Rilke, em <em>Elegia 1,<\/em> na sequ\u00eancia:<em> \u201cmehr zu sein als er [uns] selbst\u201d)<\/em>.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O que \u00e9 isso, esse <em>&#8220;mais&#8221;?<\/em> Vamos observar nossos encontros. Eles est\u00e3o sempre ligados a algum tipo de aten\u00e7\u00e3o. Temos aberturas, portas que se abrem uma para outra, pois n\u00e3o somos seres fechados. E assim, chegamos um ao outro com nossos pensamentos, nossos sentimentos e nossa psique. Em encontros mais aprofundados, desenvolvem-se espa\u00e7os do tipo psicol\u00f3gico e as duas pessoas formam uma atmosfera em comum. Alguma coisa vai fluindo de um e se misturando com a outra pessoa. \u00c9 como misturar uma bebida \u2013 e cada uma delas bebe um pouco. Assim, absorvemos um ao outro, nos transformamos por meio do outro e nos encaramos no reflexo do outro. \u00c0s vezes \u00e9 maravilhoso, outras vezes \u00e9 horr\u00edvel. Mas sempre seremos um pouco transformados. De qualquer modo, ser\u00e1 que chegamos realmente a nos tornar esse \u201calgo mais&#8221; sobre o qual Rilke est\u00e1 falando?<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Podemos nos ver como partes de um quebra-cabe\u00e7a; mas somos partes que n\u00e3o se encaixam bem. Todos se sentem como se fossem uma totalidade \u2013 e est\u00e3o certos, pois cada pessoa define a si mesma. Mas o quebra-cabe\u00e7a da humanidade n\u00e3o pode ser montado desse modo porque, nessa busca individual, tendemos a n\u00e3o considerar o <em>ponto de vista geral.<\/em><\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Cada encontro com outra pessoa cont\u00e9m a promessa potencial de Unidade. Mas geralmente permanece uma promessa n\u00e3o cumprida, porque sentimos abismos e fossos desconhecidos entre n\u00f3s \u2013 e fugimos deles. Eles est\u00e3o dentro de n\u00f3s e, consequentemente, tamb\u00e9m em nossa rela\u00e7\u00e3o com os outros. Ent\u00e3o nos sentimos como um ser que n\u00e3o \u00e9 suficientemente poderoso ou que n\u00e3o \u00e9 suficiente completo para preench\u00ea-los.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Por isso, ficamos com nossos medos, nossas reservas e nossas t\u00e1ticas. Sentimos que \u00e9 preciso haver um ser maior do que somos para preencher os abismos, para limpar os caminhos. E, no entanto, \u00e0s vezes h\u00e1 algo dentro de n\u00f3s que se ilumina como um flash interior de luz, e que nos mostra que h\u00e1 algum potencial dentro de n\u00f3s que ainda n\u00e3o foi realizado.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">\u00c9 assim que a Unidade nos confronta em momentos iluminados. \u00c9 o est\u00e1gio muito simples, invis\u00edvel e onipresente em que toda a\u00e7\u00e3o ocorre \u2013 incluindo nossos encontros. A Unidade \u00e9 a \u00fanica vida da qual participamos. \u00c9 o Todo, a \u00fanica realidade: aquela realidade que sentimos como se estivesse fragmentada.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Podemos pesquisar com mais frequ\u00eancia a maneira pela qual a Unidade brilha dentro de n\u00f3s. Esse n\u00facleo essencial e abrangente que se encontra dentro de n\u00f3s pode nos instruir sobre como podemos abord\u00e1-lo da melhor maneira.&nbsp; Assim, poderemos dissolver os obst\u00e1culos internos, reconhecer e curar velhas feridas e preencher os lugares vazios em nossa alma! Se nos comprometermos a curar esse relacionamento com nosso pr\u00f3prio ser, nossas boas inten\u00e7\u00f5es poder\u00e3o ser cumpridas e nosso maior sonho ser\u00e1 realizado: poderemos encontrar outras pessoas com um cora\u00e7\u00e3o verdadeiramente aberto.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":920,"featured_media":6411,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110108],"tags_english_":[],"class_list":["post-89729","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-spiritsoul-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/89729","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/920"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6411"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=89729"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=89729"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=89729"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=89729"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}