{"id":88684,"date":"2017-11-21T10:14:08","date_gmt":"2017-11-21T10:14:08","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/logon_article\/alem-do-pensamento\/"},"modified":"2025-01-01T21:24:55","modified_gmt":"2025-01-01T21:24:55","slug":"alem-do-pensamento","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/alem-do-pensamento\/","title":{"rendered":"Al\u00e9m do pensamento"},"content":{"rendered":"<p><iframe title=\"Spotify Embed: #40 Al\u00e9m do pensamento\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/7F85UfpMSd4Awy6AN4agEg?si=ouW2OUOHRTGBISzhxYbOWQ&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<p>V\u00e1rios pensamentos fluem atrav\u00e9s de mim como um fluxo constante de cores, sons e formas. Ser\u00e1 que sou a criadora desses pensamentos?<\/p>\n<p>Enquanto eu me sento e observo, vejo os pensamentos fluindo em mim. N\u00e3o sou eu quem inicia o pensamento, mas ainda assim ele continua acontecendo como se eu estivesse fora de mim mesma. N\u00e3o sou a pensadora, mas o pensamento acontece, de qualquer maneira! E, enquanto os pensamentos v\u00e3o fluindo e refluindo, apanho um que parece ser mais importante que os outros. Eu o chamo de &#8220;meu pensamento&#8221;. Considero-me sua criadora. Orgulho-me de sua influ\u00eancia. Sinto-me ferida quando \u00e9 mal interpretado. Identifico-me com ele: eu e meu pensamento nos tornamos uma unidade singular al\u00e9m da qual n\u00e3o consigo enxergar.<\/p>\n<p>Chamo outros pensamentos de &#8220;seus pensamentos&#8221; e oponho-me apaixonadamente a eles. Vejo como esses pensamentos v\u00e3o construindo uma parede cada vez mais firme entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>Observo os pensamentos de meus ancestrais. Chamo-os de &#8220;meu passado&#8221;. Culpo-os por minha dor interior, mas tamb\u00e9m me orgulho de minha hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>Leio e ou\u00e7o os pensamentos dos grandes pensadores. Esculpo meu intelecto de acordo com seus modelos. Penso neles e penso seus pensamentos. Ou\u00e7o meus amigos, considero suas opini\u00f5es, posiciono-me, renovando sempre meu relacionamento com eles. Descobrimos padr\u00f5es e classifica\u00e7\u00f5es para os conceitos que temos em comum e estamos sempre ocupados em adaptar e reestruturar o edif\u00edcio-pensamento \u2013 aquele edif\u00edcio que chamamos de \u201cnossa identidade\u201d. As paredes desse edif\u00edcio ficam cada vez mais fortes e a sala em que me encontro est\u00e1 ficando cada vez menor. Esse edif\u00edcio torna-se minha realidade.<\/p>\n<p>Enquanto eu me sento em sil\u00eancio e observo, mal consigo ver algo por detr\u00e1s dessas paredes. Observo os pensamentos que chamo de \u201cmeus\u201d ou \u201cseus\u201d, \u201cbons\u201d ou \u201cruins\u201d, \u201cimportantes\u201d ou \u201ctriviais\u201d, e, quanto mais eu os fixo, mais firmes eles se tornam e mais firmemente me seguram. Estou sentada no escuro, ignorante em meio \u00e0 minha pr\u00f3pria biblioteca mental, quase me afogando nos in\u00fameros conceitos e ideias que colecionei ao longo dos anos.<\/p>\n<p>Enquanto eu me sento em sil\u00eancio e observo, percebo que nada disso sou eu, nada disso \u00e9 real, nada disso importa.<\/p>\n<p>Volto-me novamente para o movimento constante que \u00e9 a vida. Tudo aquilo que chamei de &#8220;eu&#8221;, com orgulho e desespero, minha identidade t\u00e3o cuidadosamente modelada, talvez seja apenas uma forma tempor\u00e1ria dentro da qual decidi me aprisionar. E, quando abandono a ilus\u00e3o de que esses pensamentos sou eu, vejo-os perderem sua nitidez: tornam-se mais brilhantes, mais transl\u00facidos.<\/p>\n<p>Sempre pensei que chegaria um momento em que pararia de pensar: um momento de um profundo naufr\u00e1gio, em que todos os pensamentos simplesmente evaporariam. Mas, por mais que eu tentasse afugent\u00e1-los, o pensar, o assumir, o identificar-se simplesmente nunca pararam. Eu nunca parei.<\/p>\n<p>Enquanto eu me sento em sil\u00eancio e observo, percebo que n\u00e3o preciso for\u00e7ar meus pensamentos a desaparecerem de vista. Eles s\u00e3o o que s\u00e3o: um fluxo constante de imagens, conceitos, explica\u00e7\u00f5es, opini\u00f5es. Mas n\u00e3o sou sua criadora: n\u00e3o passo de uma escrava deles. Sou apenas uma observadora que contempla espontaneamente os intermin\u00e1veis \u200b\u200bmovimentos da vida. Sento-me e observo. Percebo que n\u00e3o posso ser explicada por meio de qualquer conceito ou l\u00f3gica, e estou al\u00e9m de qualquer opini\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto eu me sento em sil\u00eancio e observo, j\u00e1 n\u00e3o consigo me identificar com um pensamento ou outro. Eles v\u00eam e v\u00e3o e eu j\u00e1 n\u00e3o me importo com a exist\u00eancia deles, pois n\u00e3o me prendo a eles: eles n\u00e3o me sujeitam \u00e0s suas limita\u00e7\u00f5es. Eu os deixo ir e eles ficam cada vez mais claros: perdem suas formas r\u00edgidas e suas cores escuras se iluminam. As paredes, que antes eram t\u00e3o duras, se transformam em nuvens de luz que brincam \u00e0 minha volta como uma brisa suave.<\/p>\n<p>Enquanto eu me sento e observo em sil\u00eancio, vejo que o edif\u00edcio-pensamento ao meu redor vai perdendo gradualmente todos os contornos e, pela primeira vez em muito tempo, posso ver novamente o c\u00e9u de meu pr\u00f3prio universo interior. Longe da identidade que eu havia imaginado, percebo que sou infinita!<\/p>\n","protected":false},"author":922,"featured_media":2429,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110069,110108],"tags_english_":[],"class_list":["post-88684","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-art-pt-br","category_-spiritsoul-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/88684","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/922"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2429"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88684"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88684"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=88684"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=88684"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}