{"id":88456,"date":"2017-10-09T14:23:36","date_gmt":"2017-10-09T14:23:36","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/logon_article\/nachiketa-e-a-arte-de-morrer\/"},"modified":"2017-10-09T14:23:36","modified_gmt":"2017-10-09T14:23:36","slug":"nachiketa-e-a-arte-de-morrer","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/nachiketa-e-a-arte-de-morrer\/","title":{"rendered":"Nachiketa e a arte de morrer"},"content":{"rendered":"<p class=\"text-align-justify\"><em>Se defin\u00edssemos um evento no qual vivenciamos&nbsp;uma separa\u00e7\u00e3o definitiva, esse teria de ser o momento da morte. <\/em><\/p>\n<p class=\"text-align-justify\"><em>\u00c9 o que o garoto Nachiketa se pergunta nos Upanishads.&nbsp;Sua busca finalmente o leva \u00e0 Realidade.<\/em><\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">&nbsp;<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">De repente, quando somos confrontados com o mist\u00e9rio da morte, nossa exist\u00eancia parece ser irreal. Ser\u00e1 que podemos chamar uma vida de <em>real<\/em> quando ela \u00e9 t\u00e3o sujeita a mudan\u00e7as? Com certeza voc\u00ea sente que voc\u00ea e sua vida s\u00e3o reais, mas at\u00e9 esse sentimento est\u00e1 em um contexto relativo.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">\u00c9 uma exist\u00eancia em que o medo da morte se baseia no medo de que tudo o que conhecemos nesta exist\u00eancia relativa deixar\u00e1 de existir. Quando percebemos isso a partir de uma perspectiva mais profunda \u2013 a partir de nosso Ser Essencial, que n\u00e3o \u00e9 relativo \u2013 e percebemos que essa exist\u00eancia relativa \u00e9 de fato uma ilus\u00e3o, ent\u00e3o nos perguntamos: qual \u00e9 a conex\u00e3o entre essas duas realidades?<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Ser\u00e1 que a morte \u00e9 algo como uma linha de demarca\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h3>\n<p class=\"text-align-justify\">Hermes Trismegisto expressa isso assim: \u201cNeste mundo nunca houve, nem jamais haver\u00e1 algo que conheceu a morte. O Pai quis que o mundo vivesse enquanto existir. \u00c9 por isso que o mundo tem, necessariamente, que ser Deus.\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">A partir dessa perspectiva herm\u00e9tica, qual seria o significado de nossa morte? Jan van Rijckenborgh explica: \u201cA vida est\u00e1 em todos os seres e em todas as coisas. Ela \u00e9 um oceano vivo de \u00e1tomos. Assim, todo corpo faz parte dessa vida. Consequentemente, todas as vidas tamb\u00e9m possuem uma consci\u00eancia. E toda consci\u00eancia possui uma for\u00e7a divina interior ilimitada. Afinal, um \u00e1tomo \u00e9 vida \u2013 e a vida s\u00f3 pode ser explicada a partir da Fonte Original. Uma vez que sua exist\u00eancia corporal \u2013 sua personalidade \u2013 \u00e9 um conjunto de \u00e1tomos, ent\u00e3o, necessariamente, a ess\u00eancia mais fundamental de seu ser deve ser Deus: Deus revelado em carne e osso&#8221;.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">A defini\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de <em>morte cl\u00ednica<\/em> de Bouchot, em 1864, dizia: &#8220;Algu\u00e9m est\u00e1 morto quando o cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 mais batendo&#8221;. Atualmente, a regra vai mais longe: a circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea precisa ter parado por pelo menos cinco minutos. Mas, devido a muitas t\u00e9cnicas novas, os m\u00e9dicos n\u00e3o sabem mais exatamente quando a morte \u00e9 definitiva. Alguns m\u00e9dicos tentam seguir a ideia de que algu\u00e9m est\u00e1 morto quando a personalidade n\u00e3o est\u00e1 mais presente e j\u00e1 n\u00e3o pode ter nenhum pensamento consciente. Mas, mesmo em per\u00edodos de inconsci\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel perceber uma atividade cerebral m\u00ednima. Somente quando nenhuma atividade cerebral \u00e9 monitorada no cr\u00e2nio algu\u00e9m pode ser considerado morto.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Mas o que pensar quando o cora\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 capaz de bater autonomamente enquanto n\u00e3o h\u00e1 mais respira\u00e7\u00e3o e h\u00e1 morte cerebral total, at\u00e9 mesmo no tronco cerebral? Essa situa\u00e7\u00e3o vai al\u00e9m do coma, e o sistema pode continuar funcionando por uma semana ou mais. O dilema fica ainda mais desconcertante com rela\u00e7\u00e3o aos nossos genes, j\u00e1 que muitos deles continuar\u00e3o vivos ou poder\u00e3o ser trazidos de volta \u00e0 vida.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Resumindo: a partir do ponto de vista biol\u00f3gico, \u00e9 imposs\u00edvel definir o momento da morte e, com isso, agora o mundo da medicina fala de \u201cuma s\u00e9rie de momentos de mini-morte\u201d. Em outras palavras: vamos morrendo aos poucos. Al\u00e9m disso, o que voc\u00ea considera o momento da morte tamb\u00e9m \u00e9 governado por suas vis\u00f5es filos\u00f3ficas ou religiosas. Na verdade, n\u00e3o \u00e9 algo que acontece de uma vez: \u00e9 realmente um processo. E \u00e9 por isso que se torna uma quest\u00e3o premente saber qual \u00e9 o momento certo para a remo\u00e7\u00e3o de um \u00f3rg\u00e3o, no caso de um transplante. Al\u00e9m disso, nesse caso n\u00e3o dever\u00edamos realmente ministrar anest\u00e9sicos ou analg\u00e9sicos aos \u201cfalecidos\u201d?<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Uma sequ\u00eancia de momentos de morte<\/strong><\/h3>\n<p class=\"text-align-justify\">Para algu\u00e9m que tem o foco voltado para o lado mais esot\u00e9rico-espiritual das coisas, o fato de haver realmente uma sequ\u00eancia de momentos de morte n\u00e3o \u00e9 surpreendente, pois nossos corpos f\u00edsico, et\u00e9rico, astral e mental t\u00eam composi\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">J. van Rijckenborgh observa o processo a partir de uma perspectiva ainda mais elevada quando escreve na <em>Arquinosis Eg\u00edpcia<\/em>: \u201cO ser humano sobre o qual a doutrina universal e a linguagem sagrada falam \u00e9 um ser totalmente diferente do homem f\u00edsico \u2013 que \u00e9 visto, por engano, como sendo o melhor. Na verdade, somos seres duplos. Dentro de n\u00f3s, o verdadeiro ser anseia pela liberta\u00e7\u00e3o \u2013 o verdadeiro ser humano que \u00e9 mantido em cativeiro pelo ser nascido na natureza. Se voc\u00ea mantiver esse pensamento em primeiro plano em sua vida di\u00e1ria, far\u00e1 um servi\u00e7o muito bom. O homem verdadeiro, aprisionado dentro do homem nascido na natureza, \u00e9 Vida e Luz: ele \u00e9 Deus\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Tamb\u00e9m encontramos essa perspectiva t\u00e3o particular nos Upanishads quando lemos: \u201cO Deus autoexistente criou os \u00f3rg\u00e3os dos sentidos (incluindo a mente) voltados para fora; consequentemente, o homem percebe as coisas a partir de fora, mas n\u00e3o percebe o Eu interior. Alguns homens s\u00e1bios, que ansiavam pela imortalidade, voltaram seus sentidos (incluindo a mente) para dentro e perceberam o Eu interior. &#8220;.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Todos os sistemas de liberta\u00e7\u00e3o sugerem que precisamos morrer em rela\u00e7\u00e3o a esta exist\u00eancia relativa e ilus\u00f3ria enquanto ainda estamos vivos \u2013 o que significa que n\u00e3o devemos esperar pela morte f\u00edsica. Por essa raz\u00e3o, somos ensinados a dirigir nossa aten\u00e7\u00e3o para nosso ser essencial e perceber que, em nossa exist\u00eancia de relatividade, n\u00e3o somos n\u00f3s que promovemos a mudan\u00e7a das coisas e dos acontecimentos. Afinal, a energia que direciona nossa aten\u00e7\u00e3o para o ser central emana desse pr\u00f3prio ser central!<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Nachiketa<\/strong><\/h3>\n<p class=\"text-align-justify\">Nos <em>Upanishads,<\/em> encontramos a hist\u00f3ria de Nachiketa, que, j\u00e1 em tenra idade, ficou fascinado com o mist\u00e9rio da vida e da morte. &#8220;Quem sou eu? Para onde esta vida est\u00e1 me levando? Ser\u00e1 que tudo \u00e9 transit\u00f3rio ou h\u00e1 algo dentro de mim que vive para sempre?'&#8221;. O pai de Nachiketa, assim diz a hist\u00f3ria, fez sacrif\u00edcios aos deuses porque &#8220;ansiava pela generosidade do c\u00e9u&#8221;. Mas o que ele sacrificou foram principalmente vacas velhas que n\u00e3o podiam mais comer, beber, parir ou dar leite. E Nachiketa ficou triste com esses sacrif\u00edcios t\u00e3o pequenos. Por isso, um dia ele perguntou a seu pai: Qual \u00e9 o valor disso?&#8221;.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Seu pai ficou aborrecido com a pergunta cr\u00edtica de seu filho. &#8220;Como ousa me questionar?&#8221;, exclamou ele. Mas Nachiketa, destemido, deu seguimento \u00e0 pergunta: &#8220;Pai, a quem voc\u00ea vai me entregar?&#8221; E ele perguntou isso novamente, e mais uma vez. Depois da terceira vez, seu pai, j\u00e1 irritado, lhe respondeu: &#8220;Vou entreg\u00e1-lo a Yama, o Deus da Morte&#8221;. Ent\u00e3o, Nachiketa partiu para a morada de Yama, o Senhor da Morte.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Quando percebemos que esta hist\u00f3ria \u00e9 realmente sobre n\u00f3s mesmos, podemos ver o pai como um aspecto do homem tradicional dentro de n\u00f3s: aquele que respeita as formas externas, mas que perdeu o contato com a fonte de inspira\u00e7\u00e3o espiritual. O ser exterior s\u00f3 pode oferecer &#8220;vacas velhas&#8221;, seres para quem a verdadeira Vida j\u00e1 se foi. Em seu estado de vida condicionado, governado por seus sentidos e desorientado por todas as varia\u00e7\u00f5es quantitativas e qualitativas de sua vida temporal, ele \u00e9 incapaz de observar o mundo espiritual interior. Neste contexto, \u00e9 impressionante o significado do nome Nachiketa: &#8220;aquilo que n\u00e3o \u00e9 percebido&#8221;.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Nachiketa: um s\u00edmbolo do ser espiritual dentro de n\u00f3s<\/strong><\/h3>\n<p class=\"text-align-justify\">Quando um ser humano consegue ouvir o chamado do Eu espiritual interior, ou seja, quando ele responde ao triplo impulso, \u00e9 como se fosse o nascimento de um Filho interior, atrav\u00e9s do qual o conhecimento da vida e da morte \u00e9 transmitido.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">E, assim, a hist\u00f3ria se desenrola, com o filho chegando \u00e0 resid\u00eancia de Yama, o Deus da Morte, que n\u00e3o estava presente naquele momento. Ent\u00e3o, Nachiketa teve de esperar tr\u00eas dias, sem comida nem \u00e1gua.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Quando Yama finalmente chegou em casa, sentiu-se culpado e chamou-o: &#8220;\u00d3 Brahman! Como voc\u00ea \u00e9 um convidado venerado e esperou em minha casa por tr\u00eas noites sem comida, ent\u00e3o agora pode me pedir tr\u00eas desejos: um para cada noite&#8221;.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Simbolicamente: Nachiketa se absteve de seus impulsos condicionados por tr\u00eas dias, assim como Jesus tamb\u00e9m o fez durante sua tenta\u00e7\u00e3o no deserto. Os tr\u00eas impulsos do mundo espiritual interior se manifestam nele como: idea\u00e7\u00e3o \u2013 medita\u00e7\u00e3o \u2013 realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Yama n\u00e3o teve nenhum problema com o primeiro desejo de Nachiketa. Ele desejava que seu pai, uma vez acalmado, o acolhesse de bom grado quando ele retornasse. Assim, o homem terreno \u00e9 tocado por dentro, abre-se para os impulsos interiores e reconhece o mundo interior. Esse processo acontece sem o envolvimento da consci\u00eancia egoica.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O segundo desejo: ser-lhe mostrado o caminho para o c\u00e9u e como acender o fogo sagrado, Yama tamb\u00e9m poderia lhe conceder sem hesita\u00e7\u00e3o, pois esse \u00e9 um caminho de devo\u00e7\u00e3o e autoentrega atrav\u00e9s do qual a velhice e a morte podem ser superadas. Essa senda representa a liga\u00e7\u00e3o consciente com a Luz do Ser central. &#8220;Esse caminho \u00e9 o que eu realmente sou&#8221; \u2013 e Nachiketa vai constatando isso muitas e muitas vezes em sua vida. No entanto, essa percep\u00e7\u00e3o iluminada n\u00e3o \u00e9 suficiente para que ele possa ultrapassar a fronteira.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">\u00c9 por isso que Nachiketa fez sua terceira pergunta: &#8220;Existe uma grande d\u00favida entre as pessoas sobre o que acontece quando o homem vis\u00edvel morre. Alguns dizem que ele ainda existe em outro lugar. Outros afirmam que ele deixou de existir. Diga-me: O que h\u00e1 no al\u00e9m?<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Eu gostaria muito de saber isso: esse \u00e9 meu terceiro desejo&#8221;.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Na verdade, aqui Nachiketa faz a pergunta-chave de todas as perguntas: ele questiona se no interior do ser humano h\u00e1 algo que \u00e9 permanente, eterno, ou se o homem \u00e9 apenas um fen\u00f4meno tempor\u00e1rio do qual nada permanecer\u00e1. Ele deseja obter conhecimento sobre seu Ser essencial, al\u00e9m da vida e da morte e, portanto, at\u00e9 mesmo al\u00e9m da influ\u00eancia de Yama.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">E ent\u00e3o Yama lhe implorou:<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">&#8220;Desde os tempos mais remotos, at\u00e9 mesmo os deuses t\u00eam tido d\u00favidas a esse respeito. Afinal, isso com certeza n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil de se compreender. Pelo contr\u00e1rio: \u00e9 muito obscuro.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Escolha outra pergunta, Nachiketa, eu lhe imploro! N\u00e3o insista em uma resposta. Livre-me dessa \u00faltima pergunta!\u201d<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O estado de relatividade est\u00e1 prestes a ser abandonado. Os roteiros da vida e da morte est\u00e3o claros agora.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Todos os tipos de alegria<\/strong><\/h3>\n<p class=\"text-align-justify\">Yama lhe ofereceu todo tipo de alegrias e prazeres mundanos, toda riqueza e tantos anos na terra quanto ele poderia desejar, s\u00f3 para n\u00e3o ter de responder a essa \u00fanica pergunta.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">&#8220;Voc\u00ea pode escolher filhos e netos que viver\u00e3o cem anos! Escolha elefantes, cavalos, rebanhos de gado e ouro! Escolha um vasto dom\u00ednio na terra e viva ali tantos anos quanto desejar! Escolha a riqueza e uma vida longa. Seja o rei da amplid\u00e3o da Terra, Nachiketa! Eu farei de voc\u00ea aquele que pode desfrutar de todos os desejos.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Quaisquer que sejam os desejos dif\u00edceis de satisfazer neste mundo de mortais, escolha-os como desejar: estas donzelas perfeitas, com suas carruagens e instrumentos musicais que os homens n\u00e3o podem possuir. Eu ofere\u00e7o tudo isso a voc\u00ea e isso \u00e9 tudo o que o espera! Mas n\u00e3o me pergunte a respeito da morte\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Mas nada, absolutamente nada, poderia dissuadir Nachiketa de sua pergunta mais profunda: &#8220;Revele-me o mist\u00e9rio da imortalidade! Afinal, tudo o que voc\u00ea prop\u00f5e, Yama, s\u00e3o prazeres que desaparecer\u00e3o amanh\u00e3!&#8221;, declarou Nachiketa. \u201cEles esgotam o vigor de todos os \u00f3rg\u00e3os sensoriais. At\u00e9 a vida mais longa \u00e9, na verdade, muito curta. Guarde seus cavalos, suas dan\u00e7as e seus filhos para si mesmo. A riqueza nunca pode fazer um homem feliz. Nem bem olhamos para ela, j\u00e1 n\u00e3o possu\u00edmos nada. Vivemos apenas o tempo que voc\u00ea permite!<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O desejo que eu quero ver realizado permanece o mesmo. Esse desejo, esse desejo profundamente escondido \u2013 e nenhum outro \u2013 ser\u00e1 o escolhido por Nachiketa&#8221;.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Quando Nachiketa falou tr\u00eas vezes seu terceiro desejo, o senhor da morte teve de ceder.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Ele admirava a firme dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 verdade por parte desse jovem curioso. Mas queria ter mais certeza de que ele era honesto e sincero e que sua pergunta n\u00e3o era apenas uma demonstra\u00e7\u00e3o de coragem ou o resultado de algo aprendido atrav\u00e9s do conhecimento.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Agora que ele se sentia seguro de que Nachiketa estava suficientemente pronto para receber esse conhecimento, dirigiu-se a ele, exclamando: &#8220;\u00d3, Nachiketa! Depois de contemplar tudo isso t\u00e3o bem e verdadeiramente, voc\u00ea renuncia a todos esses preciosos e atraentes objetos de desejo que est\u00e3o a seu alcance! Voc\u00ea n\u00e3o segue os caminhos superficiais que t\u00eam riqueza em abund\u00e2ncia, e nos quais muitas pessoas se afogam. Oh, que haja sempre questionadores como voc\u00ea!&#8221;.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>O N\u00e3o-Manifestado<\/strong><\/h3>\n<p class=\"text-align-justify\">E ent\u00e3o ele finalmente instrui Nachiketa com as palavras:<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">&#8220;O homem s\u00e1bio que, atrav\u00e9s da autocontempla\u00e7\u00e3o, reconhece Deus como o \u00danico, dif\u00edcil de ser visto e experimentado, o N\u00e3o-Manifestado que est\u00e1 oculto e que habita no esp\u00edrito e descansa no corpo \u2013 esse homem realmente deixa a tristeza e a alegria muito para tr\u00e1s.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Menor que o pequeno, maior que o grande, assim \u00e9 a Ess\u00eancia Divina oculta no cora\u00e7\u00e3o de todas as criaturas vivas.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Aquele que est\u00e1 livre dos desejos contempla a majestade do Ser atrav\u00e9s do apaziguamento dos sentidos e da mente, e est\u00e1 livre de dor&#8221;.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Sim. Yama foi for\u00e7ado a revelar a Nachiketa o mais elevado Conhecimento com as palavras:<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">&#8220;Esse Eu imortal n\u00e3o \u00e9 encontrado pelo estudo ou meramente pelo pensamento profundo&#8221;, nem por falar, ouvir ou escutar.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Para aquele que n\u00e3o conhece outra coisa sen\u00e3o o desejo do Eu, o Eu Divino se revelar\u00e1 em seu estado triunfante.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Para encontrar esse Ser \u00e9 preciso que o buscador da Verdade demonstre devo\u00e7\u00e3o absoluta e total dedica\u00e7\u00e3o ao Objetivo \u00danico.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Aquele que se entrega totalmente com um prop\u00f3sito \u00fanico sabe com absoluta certeza que o Ser Imortal vive nas profundezas de si mesmo.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Aquele que descobre o Ser Divino em seu pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o encontra dentro de si a paz e a tranquilidade que est\u00e1 buscando. Ele enxerga o Ser mais elevado de todos em tudo o que vive e se move.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Esse Servo do Ser torna-se Um com o Todo Divino\u201d.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">O objetivo \u00e9 o Ser, o Ser interior que n\u00e3o pode ser conhecido pela personalidade.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Quando o cora\u00e7\u00e3o de um ser humano come\u00e7a a descansar<\/strong><\/h3>\n<p class=\"text-align-justify\">O Ser pode ser encontrado sem obst\u00e1culos pela personalidade que faz parte da relatividade. N\u00e3o pode ser de outra forma, pois uma flecha e seu alvo n\u00e3o est\u00e3o separados. E, assim, ap\u00f3s um profundo desenvolvimento da consci\u00eancia do disc\u00edpulo, o Senhor da Morte acaba sendo o grande s\u00e1bio, a pedra de toque, mas ao mesmo tempo um amigo no caminho do despertar.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Ele \u00e9 o Criador e o Destruidor, o homem s\u00e1bio e aquele que conhece.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Os princ\u00edpios da cria\u00e7\u00e3o e da destrui\u00e7\u00e3o nos apontam para o fato de que, no mundo sobre o qual Hermes falou na cita\u00e7\u00e3o anterior, tudo \u00e9 sempre novo \u2013 o que certamente n\u00e3o \u00e9 o que acontece em nossa pr\u00f3pria exist\u00eancia. Somos como que incidentes cristalizados na eterna solubilidade, raz\u00e3o pela qual o microcosmo, por causa dessas for\u00e7as destruidoras e renovadoras, \u00e9 capaz de, de quando em quando, proporcionar ao Ser espiritual interior uma nova oportunidade de realizar o grande processo de transfigura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">&#8220;A morte&#8221;, diz Hermes, &#8220;indica perdi\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o, mas nada do que existe no universo ser\u00e1 destru\u00eddo&#8221;!<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Somente aquilo que \u00e9 composto cair\u00e1 em partes que s\u00e3o inteiras e completas em si mesmas. Nosso verdadeiro ser n\u00e3o \u00e9 composto: ele est\u00e1 al\u00e9m da vida e da morte e \u00e9 sempre novo.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Quando voltarmos \u00e0 nossa morte f\u00edsica, a quest\u00e3o poder\u00e1 surgir:<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">Ser\u00e1 que isso significa que j\u00e1 n\u00e3o podemos sentir tristeza com o falecimento de algu\u00e9m que amamos muito? \u00c9 claro que haver\u00e1 dor e tristeza enquanto houver amor e carinho. A conex\u00e3o energ\u00e9tica entre n\u00f3s e o falecido foi cortada e precisamos de tempo para nos ajustarmos. Esse la\u00e7o que foi rompido \u00e9 como uma chaga e precisa de tempo para se curar. Amar algo ou algu\u00e9m e passar pelo luto ou pela perda de algo ou algu\u00e9m s\u00e3o processos em tempo real que acontecem dentro deste mundo relativo. Nosso Ser Interior, entretanto, est\u00e1 fora e al\u00e9m do estado relativo e composto das coisas. Ele v\u00ea com amor tudo o que aparece e desaparece novamente. A alma sabe que &#8220;a grande sensa\u00e7\u00e3o de perda n\u00e3o pode ser preenchida por um outro qualquer, mas sim pelo Outro&#8221;, o Ser central, n\u00e3o-relativo. Essa descoberta \u00e9 totalmente curativa e fornecedora de vida.<\/p>\n<p class=\"text-align-justify\">A hist\u00f3ria de Yama e Nachiketa nos <em>Upanishads <\/em>termina com as seguintes palavras:<\/p>\n<blockquote>\n<p class=\"text-align-justify\"><em>O Outro que est\u00e1 vivo dentro de n\u00f3s \u00e9 como fogo sem fuma\u00e7a.<\/em><\/p>\n<p class=\"text-align-justify\"><em>Ele vive oculto em todos os seres humanos, no fundo da cavidade do cora\u00e7\u00e3o.<\/em><\/p>\n<p class=\"text-align-justify\"><em>Ele \u00e9 quem governa o tempo acima de tudo. Ele comanda o presente, o futuro e o passado.<\/em><\/p>\n<p class=\"text-align-justify\"><em>Ele \u00e9 imut\u00e1vel, sempre o mesmo, e tudo o que \u00e9, \u00e9 Ele.<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n<p class=\"text-align-justify\">Atrav\u00e9s de seu n\u00e3o-saber e sua disposi\u00e7\u00e3o e prontid\u00e3o para &#8216;morrer&#8217;, Nachiketa encontrou dentro de si mesmo o Um, o Brahma.<\/p>\n","protected":false},"author":936,"featured_media":2091,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110108],"tags_english_":[],"class_list":["post-88456","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-spiritsoul-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/88456","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/936"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2091"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=88456"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=88456"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=88456"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=88456"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}