{"id":130544,"date":"2026-10-23T17:41:19","date_gmt":"2026-10-23T17:41:19","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/?post_type=logon_article&#038;p=130544"},"modified":"2026-10-23T17:42:38","modified_gmt":"2026-10-23T17:42:38","slug":"brahman-e-as-divindades-indianas-faces-do-divino-parte-2","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/brahman-e-as-divindades-indianas-faces-do-divino-parte-2\/","title":{"rendered":"Brahman e as divindades indianas: faces do divino &#8211; parte 2"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">I<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">magens, templos e est\u00e1tuas nos convidam a buscar nosso ser mais \u00edntimo e, ao faz\u00ea-lo, percebemos que somos parte de Brahman e que podemos, de fato, nos fundir com ele.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A roda de fogo da dan\u00e7a de Shiva, que representa a supera\u00e7\u00e3o da Roda de Samsara<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">e de suas ilus\u00f5es, irradia uma alegria, um poder e uma esperan\u00e7a sobrenaturais.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vishnu, adormecido sobre a serpente do mundo no oceano do infinito, observando tudo o que acontece no universo, toca o observador de alguma maneira, buscando conect\u00e1-lo com seu pr\u00f3prio Atman.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">S\u00e3o mediadores que podem nos tocar, mas que frequentemente s\u00e3o incompreendidos. Seus poderes anseiam criar em n\u00f3s ouvidos capazes de ouvir e olhos capazes de ver.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Assemelham-se\u00a0 \u00e0s muitas representa\u00e7\u00f5es de Buda, o Iluminado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A est\u00e1tua de Buda, irradiando paz e serenidade perfeitas, representa o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Buda Maitreya, <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">aquele que est\u00e1 por vir, em p\u00e9. Tal imagem pode nos revelar os ensinamentos de Buda e sua supera\u00e7\u00e3o deste mundo. N\u00e3o \u00e9 a forma (a face externa do Divino) que \u00e9 essencial, mas a presen\u00e7a de outro mundo que opera por meio da forma, o Nirvana de Buda. N\u00e3o \u00e9 isso que os hindus chamam de Brahman? No Sutra do Diamante<\/span><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/brahman-e-as-divindades-indianas-faces-do-divino-parte-2\/#_ftn1\"> <span style=\"font-weight: 400;\">[1]<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> , Buda responde \u00e0 pergunta a respeito de como reconhecer um Perfeito, um Iluminado, com o seguinte verso:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Aquele que me busca na forma,<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Aquele que me busca nos sons,<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ele se desviou do caminho,<\/span><\/i><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Pois ele n\u00e3o consegue reconhecer o Tathagata (o Exaltado).<\/span><\/i><\/p>\n<p><b>A dan\u00e7a de Shiva<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A dan\u00e7a de Shiva na roda de fogo \u00e9 provavelmente uma das representa\u00e7\u00f5es mais famosas e difundidas da divindade da destrui\u00e7\u00e3o e da renova\u00e7\u00e3o. Devido ao seu dinamismo, a imagem, a partir da nossa percep\u00e7\u00e3o concreta, parece ser o oposto da tranquilidade e sublimidade de Buda.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por outro lado, a dan\u00e7a da vit\u00f3ria sobre o dem\u00f4nio, na qual Shiva se encontra, n\u00e3o expressa tamb\u00e9m a conex\u00e3o com outro mundo e a conquista de outra consci\u00eancia?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nosso mundo, governado pelo mal, \u00e9 transit\u00f3rio e pequeno quando comparado \u00e0 alegria, \u00e0 liberdade e ao poder do Outro que existe dentro de n\u00f3s, o Atman, que est\u00e1 em unidade com Brahman. \u00c9 isso que a dan\u00e7a de Shiva pode nos mostrar. Sua dan\u00e7a m\u00edstica e sagrada deseja nos envolver e nos conduzir pelo caminho que leva do mundo da separa\u00e7\u00e3o e das dualidades para o mundo da liberdade divina. Shiva quer que nos ajudar a dissolver nossos la\u00e7os com este mundo e alcan\u00e7ar uma nova vida. Por isso, \u00e9 chamado de destruidor e criador.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ramakrishna, um s\u00e1bio iogue de Calcut\u00e1 que viveu no s\u00e9culo XIX e era adorador de Kali (a manifesta\u00e7\u00e3o feminina destrutiva de Shiva, a m\u00e3e divina), disse o seguinte sobre a adora\u00e7\u00e3o a Deus:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Quando invoco o ser supremo em seu estado de repouso, chamo-o de BRAHMAN. Quando penso nele como ativo, criador, sustentador e destruidor, chamo-o de Kali (ou Prakriti), Shakti, ou Maya. [&#8230;] O Deus pessoal e o Deus impessoal s\u00e3o um e o mesmo, como o leite e sua cor branca&#8230; \u00c9 imposs\u00edvel pensar em um sem o outro. A M\u00e3e Divina e BRAHMAN s\u00e3o um<\/span><\/i><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/brahman-e-as-divindades-indianas-faces-do-divino-parte-2\/#_ftn2\"> <span style=\"font-weight: 400;\">[2]<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\"> .<\/span><\/p>\n<p><b>O sono de Vishnu no vale de Budhanilkata Katmandu<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma representa\u00e7\u00e3o m\u00edtica mostra Vishnu dormindo sobre a serpente <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Ananta-Shesha<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> no oceano do Infinito. Essa representa\u00e7\u00e3o busca retratar a infinitude de Brahman (como \u00e1gua, oceano) e a serpente divina <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Shesha,<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> que simboliza sabedoria e poder criativo. Suas 11 cabe\u00e7as circundam e protegem a cabe\u00e7a de Vishnu. Shesha \u00e9 o rei das serpentes de muitas cabe\u00e7as e um servo fiel de Vishnu.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Embora as representa\u00e7\u00f5es e os s\u00edmbolos contidos na est\u00e1tua indiquem claramente uma representa\u00e7\u00e3o de Vishnu, o nome Budhanilkanta (garganta azul) remete a uma lenda difundida no Nepal sobre Shiva. Segundo essa lenda, Shiva foi incumbido de salvar o mundo da destrui\u00e7\u00e3o e das garras de um dem\u00f4nio. Ele engoliu o mal, o dem\u00f4nio, o veneno mundano, mas este queimava em sua garganta como fogo. Para extinguir esse fogo, Shiva golpeou o ch\u00e3o com seu tridente na cordilheira de Gosainkunda, ao norte de Katmandu, criando lagos no local para saciar sua sede. Esses lagos ainda s\u00e3o reverenciados como sagrados e peregrina\u00e7\u00f5es especiais s\u00e3o realizadas anualmente at\u00e9 hoje. Com a \u00e1gua dos lagos de Gosainkunda, ele conseguiu extinguir o fogo em sua garganta. Diz-se que as \u00e1guas que transbordam dos lagos alimentam o lago onde Vishnu repousa em Budhanilkanta. Esta lenda re\u00fane a trindade sagrada do hindu\u00edsmo (Trim\u00farti), ou seja, as divindades Brahma, Vishnu e Shiva em seus principais atributos: Brahma, o oceano infinito; Shiva, o destruidor e salvador do mundo; e Vishnu, o preservador em uni\u00e3o com a serpente sagrada Shesha.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As for\u00e7as da Trim\u00farti formam uma trindade. Podemos tamb\u00e9m experimentar sua atua\u00e7\u00e3o em n\u00f3s mesmos? Em cada ser humano, o criativo <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">informe<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> se manifesta. Al\u00e9m disso, as for\u00e7as da preserva\u00e7\u00e3o e as da destrui\u00e7\u00e3o atuam em todos, de modo que o novo se torna poss\u00edvel. As representa\u00e7\u00f5es pict\u00f3ricas pretendem ser impulsos que despertem em n\u00f3s os ouvidos e os olhos interiores com os quais recebemos impress\u00f5es da atua\u00e7\u00e3o divina. Para isso, precisamos entrar em um estado de consci\u00eancia silenciosa, em um estado de escuta e observa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Krishna explica no <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Bhagavad Gita<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> que as verdades supremas sobre Deus e o mundo n\u00e3o podem ser transmitidas oralmente e tenta abrir os olhos interiores <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">do <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">disc\u00edpulo Arjuna:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Aquele que v\u00ea o ser supremo existindo imperecivelmente em todas as coisas perec\u00edveis, v\u00ea verdadeiramente. [&#8230;] Aquele que percebe que todas as suas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas apenas pela natureza, e que o eu mais \u00edntimo n\u00e3o \u00e9 o agente, v\u00ea verdadeiramente. E quando percebe que todas as coisas s\u00e3o abrangidas pelo Uno, atinge a mente suprema.<\/span><\/i><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/brahman-e-as-divindades-indianas-faces-do-divino-parte-2\/#_ftn3\"> <span style=\"font-weight: 400;\">[3]<\/span><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/brahman-e-as-divindades-indianas-faces-do-divino-parte-2\/#_ftnref1\"><span style=\"font-weight: 400;\">[1]<\/span><\/a> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Medita\u00e7\u00f5es Sutras do Budismo Mahayana<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Sutra Diamant<\/span><\/i><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/brahman-e-as-divindades-indianas-faces-do-divino-parte-2\/#_ftnref2\"><span style=\"font-weight: 400;\">[2]<\/span><\/a> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Ramakrishna, Bildmonographie, Editora Ro-ro-ro, p. 6<\/span><\/i><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/brahman-e-as-divindades-indianas-faces-do-divino-parte-2\/#_ftnref3\"><span style=\"font-weight: 400;\">[3]<\/span><\/a> <i><span style=\"font-weight: 400;\">Bhagavad Gita: XIII, 28-30<\/span><\/i><\/p>\n","protected":false},"author":609,"featured_media":54976,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110108],"tags_english_":[],"class_list":["post-130544","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-spiritsoul-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/130544","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/609"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/54976"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=130544"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=130544"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=130544"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=130544"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}