{"id":122409,"date":"2025-10-30T20:25:32","date_gmt":"2025-10-30T20:25:32","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/?post_type=logon_article&#038;p=122409"},"modified":"2025-10-30T20:25:32","modified_gmt":"2025-10-30T20:25:32","slug":"morte-a-porta-que-precisa-ser-aberta","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/morte-a-porta-que-precisa-ser-aberta\/","title":{"rendered":"Morte &#8211; a porta que precisa ser aberta"},"content":{"rendered":"<blockquote><p><i><span style=\"font-weight: 400;\">S\u00f3 precisamos conhecer o dia de hoje e a hora de hoje.\u00a0O que as preocupa\u00e7\u00f5es do amanh\u00e3 t\u00eam a ver com o hoje?\u00a0Afinal, a morte n\u00e3o vem amanh\u00e3: ela vem hoje. (<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">Paracelso)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Duas amigas que se encontram por acaso, depois de muito tempo.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 Como voc\u00ea est\u00e1? Faz s\u00e9culos que a gente n\u00e3o se v\u00ea!\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 Obrigado por perguntar. Morrer n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil\u2026<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 O qu\u00ea?! Ser\u00e1 que eu escutei direito? Voc\u00ea n\u00e3o parece estar doente\u2026<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A outra ri.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 Minha sa\u00fade est\u00e1 perfeita, mas h\u00e1 algum tempo tenho pensado na morte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 Isso n\u00e3o faz sentido\u2026Voc\u00ea anda bebendo?\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 Ah, minha cara, continuo l\u00facida, o caso \u00e9 outro\u2026<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 Vamos tomar um cafezinho, ent\u00e3o, e voc\u00ea me conta.<\/span><\/p>\n<p><strong>Quando o caf\u00e9 foi servido, assunto \u2018s\u00e9rio\u2019 come\u00e7ou:<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 Falei da morte porque, para viver, eu estou vendo morrer minhas velhas ideias, meus complexos, neuroses e preocupa\u00e7\u00f5es. Percebi que todas as minhas dificuldades v\u00eam do meu apego a essas coisas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 Ent\u00e3o \u00e9 isso! Fico bem mais tranquila. \u00c9\u2026 somos realmente seres muito estranhos. Passamos o dia inteiro sofrendo por coisas banais. E, \u00e0 noite, n\u00e3o conseguimos dormir! Pensamentos falam na nossa cabe\u00e7a, sempre inquietos e confusos. Ent\u00e3o, a gente muda as coisas daqui pra l\u00e1 e de l\u00e1 pra c\u00e1 e depois se queixa de como \u201ctudo \u00e9 dif\u00edcil\u201d. Trabalhamos para comer, mas ningu\u00e9m sente um prazer real em fazer isso. Falando s\u00e9rio: no fundo, eu me sinto como um hamster, girando sem parar na mesma rodinha.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 \u00c9 isso mesmo! Muitas vezes precisamos de uma cat\u00e1strofe ou uma crise real que abale nossas bases, para que, tristes e desiludidas, nos perguntemos: \u201cPara que serve tudo\u00a0 isso?\u201d ou \u201cAfinal, o que estou fazendo nesta vida, aqui na Terra?\u201d. S\u00f3 a partir dessa agonia, dessa dor na alma, \u00e9 que a gente come\u00e7a a buscar aquele\u00a0 \u201calgo mais\u201d que todo mundo intui existir..\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 Concordo. Eu acho que deve, sim, haver algo parecido com o Para\u00edso. Vejo tanta gente definhando, adoecendo com tanta frustra\u00e7\u00e3o e falta de sentido na vida! Muitas vezes as pessoas morrem profundamente insatisfeitas.\u00a0 E para qu\u00ea?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 Realmente! Isso n\u00e3o \u00e9 de se admirar porque, mais cedo ou mais tarde, toda a nossa bela apar\u00eancia, nosso sorriso presun\u00e7oso e satisfeito, cheio de vaidade, desaparecer\u00e1, mostrando que tudo \u00e9 pura ilus\u00e3o e que nada disso \u00e9 real. Principalmente no ocidente, onde temos objetivos de vida completamente \u201cvoltados para fora\u201d. O que vale \u00e9 \u201cpoder, prest\u00edgio, prosperidade\u201d. Veja s\u00f3: quando uma centelha da eternidade bate \u00e0 porta da nossa alma, da nossa consci\u00eancia, o que fazemos? Congelamos! A\u00ed vem a ansiedade e o medo do futuro e da morte &#8211; aquela que dissolve todos os nossos esfor\u00e7os e objetivos em um Nada que \u00e9 pura treva.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">_ Pois \u00e9. Eu li em um dia desses que, como estamos acostumados a reprimir a morte e o morrer, nossas vidas s\u00f3 conseguem flutuar na superf\u00edcie. \u00c9 que nosso foco de interesse est\u00e1 apenas nas coisas externas, enquanto a morte \u00e9 uma parte normal da ordem do universo. Ela \u00e9 a garantia de que tudo o que n\u00e3o \u00e9 adequado para o mundo infinito, mais cedo ou mais tarde vai se desintegrar e se dissolver.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 Que bom podermos conversar sobre a morte! N\u00e3o \u00e9 com todo mundo que posso! Veja, \u00e9 ineg\u00e1vel que as coisas terrenas s\u00e3o transit\u00f3rias. Essa quest\u00e3o est\u00e1 sempre confrontando o ser humano consciente, que se preocupa com a quest\u00e3o essencial da exist\u00eancia. Sem a morte, a vida n\u00e3o tem sentido nem profundidade. Acho que at\u00e9 se pode dizer, de forma muito realista, que a morte \u00e9 \u201co sal da vida\u201d. \u00c9 com a morte que a vida ganha velocidade, fica din\u00e2mica, intensa: ela vai ganhando um valor real e, acima de tudo, dimens\u00f5es muito mais profundas. \u00c9 ent\u00e3o que a gente j\u00e1 n\u00e3o consegue evitar nossos questionamentos mais palpitantes sobre \u201cde onde viemos e por qu\u00ea\u201d. Nesse ponto, a escolha s\u00f3 depende de n\u00f3s: se continuamos fazendo parte da multid\u00e3o que vive distra\u00edda, ansiosa, sem entusiasmo, iludida e\u00a0 sempre inquieta, ou se vamos nos interessar pelo contexto e pelas inter-rela\u00e7\u00f5es da vida, pelas leis e for\u00e7as que mant\u00eam o mundo unido em sua ess\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 \u00c9 isso! Nessa hora n\u00e3o se pode deixar de lado a Filosofia: \u201cpor que vivemos, se temos que morrer?\u201d Quem percebe a import\u00e2ncia dessa pergunta e n\u00e3o se deixa cegar e paralisar pela zona de conforto digital ocidental, sai primeiro (pelo menos interiormente) e come\u00e7a sua busca. \u00c9 que a \u201cIrm\u00e3 Morte\u201d, que \u00e9 a \u201cmadrinha\u201d nos contos antigos, j\u00e1 est\u00e1 brilhando nitidamente diante de seus olhos. E em algum momento \u2013 geralmente muito em breve \u2013 essa pessoa ouve que, na verdade, n\u00e3o existe morte. Isso acontece conforme ela vai se tornando menos ignorante dos fatos. Einstein disse que a morte \u00e9 uma \u201cilus\u00e3o de \u00f3tica\u201d. E isso \u00e9 uma alegria enorme que s\u00f3 chega a n\u00f3s se estivermos preparados para reconhecer o imortal, o infinito, o Esp\u00edrito que est\u00e1 dentro de n\u00f3s. \u00c9 ent\u00e3o que come\u00e7amos a direcionar nossas vidas de acordo com isso, com boa vontade natural e uma boa atitude para com nossos semelhantes.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Nesse ponto da conversa, as duas percebem que est\u00e3o afinadas no mesmo processo de descoberta e aprendizado e, juntas, podem elaborar melhor quest\u00f5es sobre isso.<\/strong> Come\u00e7am a falar sobre <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">imortalidade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, e uma alegria inexplic\u00e1vel toma conta delas. Aquela que pareceu desiludida com a vida na primeira frase, agora mostra entusiasmo: <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 N\u00e3o precisamos nos tornar imortais pois j\u00e1 somos, pelo menos em princ\u00edpio! Estou vendo que voc\u00ea mal acredita quando me ouve falar assim. Mas, veja s\u00f3: quando chamamos as transforma\u00e7\u00f5es da vida de \u201cmorte\u201d, percebemos que tem alguma coisa dentro de n\u00f3s que realmente est\u00e1 morrendo, a cada instante. Milh\u00f5es de c\u00e9lulas de nosso corpo morrem e s\u00e3o renovadas a cada segundo. Todos os processos de dissolu\u00e7\u00e3o, por mais banais e pr\u00f3prios desta natureza finita, est\u00e3o a servi\u00e7o da vida.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 N\u00e3o posso deixar de dizer, minha amiga, que foi muito bom voc\u00ea come\u00e7ar a conversa sobre morte, mesmo que eu tenha ficado surpresa, a princ\u00edpio. Estou aqui pensando que, ent\u00e3o, quando a B\u00edblia diz que \u201ca alma que pecar morrer\u00e1\u201d, essa morte pode ser entendida como uma liberta\u00e7\u00e3o! Significa a morte daquilo que n\u00e3o est\u00e1 em resson\u00e2ncia com a Luz primordial. Se formos pensar, os valores eternos que vivem dentro de n\u00f3s n\u00e3o morrem! As for\u00e7as da Luz primordial sempre est\u00e3o trabalhando para nos transformar. Estamos, por assim dizer, em um forno alqu\u00edmico, e \u00e9 no cora\u00e7\u00e3o que esse fogo brilha mais intensamente. Faz sentido?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 Muito sentido! Mas a quest\u00e3o crucial \u00e9: Ser\u00e1 que posso apoiar esse processo? E como seria isso? A mim parece que ele aponta na dire\u00e7\u00e3o de reconex\u00e3o\u2026N\u00f3s, criaturas de natureza mortal e material, precisamos nos reconectar com nosso Ser interior, chamado de Cristo ou<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">Krishna, que \u00e9 a parte imortal em n\u00f3s. \u00c9 assim que a morte passa realmente a ser bem-vinda, a qualquer momento! A morte e o morrer j\u00e1 n\u00e3o ser\u00e3o fantasmas assustadores, mas sim portas cheias de alegria, que nos levam para outras portas mais iluminadas ainda: portas que podem ser atravessadas, todos os dias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u2013 Hum humm\u2026 Eu tomo consci\u00eancia de tudo o que \u00e9 antigo \u2013 minhas ideias, julgamentos, opini\u00f5es. Questiono e examino tudo. Depois entrego tudo, diariamente, ao fogo que arde no meu cora\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes com dor, outras vezes com drama, ou mesmo com leveza e amor. Portanto, em princ\u00edpio, a quest\u00e3o da imortalidade, sobre a qual come\u00e7amos a falar, \u00e9 simples: quando vai se revelando dentro da gente, ela permanece na vida pr\u00e1tica como a principal tarefa de nossa vida. \u00c9 como se todas as quest\u00f5es da vida fossem em nossa \u201ccaixa de correio\u201d pelo mensageiro chamado <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">destino<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> ou <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">carma<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.. Quando o carma nos traz algo vindo das terras misteriosas do inconsciente e ignoramos essa mensagem, chegar\u00e3o mais cartas e lembretes que, por assim dizer, s\u00e3o cada vez mais severos de tempos em tempos, at\u00e9 que aprendemos a n\u00e3o resistir e aceitamos a mensagem que nos chega. E, quanto mais lidamos e nos interessamos por tais quest\u00f5es, mais rapidamente os problemas as transformam \u2013 digamos que elas praticamente \u201cmorrem na Luz\u201d. Uma alegoria disso pode ser a vela. Logo que o pavio \u00e9 aceso \u2013 pela centelha \u2013 a cera derrete na chama. Ent\u00e3o, o que surge \u00e9 luz, calor, bem-estar: vida. O \u00fanico pr\u00e9-requisito real \u00e9 viver no \u201choje em chamas\u201d. Sim: a vida pode se tornar uma celebra\u00e7\u00e3o di\u00e1ria! Ent\u00e3o, quando meus pensamentos ansiosos atravessam meu ser como preocupa\u00e7\u00f5es com o amanh\u00e3, na verdade n\u00e3o estou vivendo o presente. Estou morto-vivo! Mas \u201ca morte n\u00e3o vem amanh\u00e3. Ela vem hoje!\u201d. Ela j\u00e1 est\u00e1 aqui!!!<\/span><\/p>\n<p><strong>As duas amigas se entreolham.\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">T\u00eam a sensa\u00e7\u00e3o de que a vida acabou de toc\u00e1-las com uma delicada advert\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Refer\u00eancia Bibliogr\u00e1fica<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ruediger Dahlke, Von der gro\u00dfen Verwandlung \u2013 <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Wir sterben und werden weiterleben<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (Sobre a grande transforma\u00e7\u00e3o. \u2013 Morremos e continuaremos vivendo), Crotona Verlag, 2011.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":609,"featured_media":107693,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110108],"tags_english_":[],"class_list":["post-122409","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-spiritsoul-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/122409","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/609"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/107693"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=122409"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=122409"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=122409"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=122409"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}