{"id":122009,"date":"2025-11-19T08:01:18","date_gmt":"2025-11-19T08:01:18","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/?post_type=logon_article&#038;p=122009"},"modified":"2025-11-23T18:13:36","modified_gmt":"2025-11-23T18:13:36","slug":"e-possivel-uma-paz-permanente","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/e-possivel-uma-paz-permanente\/","title":{"rendered":"\u00c9 poss\u00edvel uma paz permanente?"},"content":{"rendered":"<p><em>Um olhar sobre a hist\u00f3ria do mundo revela uma s\u00e9rie intermin\u00e1vel de conflitos entre comunidades, cidades, povos e pa\u00edses, que resultaram em guerras, viol\u00eancia, sofrimento e desprezo pela vida. <\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>Externamente, muitos desses conflitos s\u00e3o travados em nome de interesses pol\u00edticos e econ\u00f4micos, nacionalismos, ideologias, religi\u00f5es e preconceitos.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: #197 E\u0301 Possi\u0301vel Uma Paz Permanente?\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/3qEIAgCEiBd3wfjxbUGUc8?si=nQ7jGDjrSpGlKTNpDd_PvA&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo em nome da paz e do desenvolvimento, vastos imp\u00e9rios foram constru\u00eddos por meio de uma for\u00e7a central dominante, mas que sempre resultaram em uma paz ef\u00eamera. Inauguram-se monumentos \u00e0 paz e, no entanto, os mesmos conflitos ressurgem alguns anos depois.<\/p>\n<p>Freud, em sua carta a Einstein, em 1932, afirmava que o principal impulso que leva o homem \u00e0 guerra \u00e9 o seu desejo natural de agress\u00e3o. Segundo ele, a inclina\u00e7\u00e3o \u00e0 hostilidade entre os homens \u2014 que se manifesta em todo lugar e constitui o maior obst\u00e1culo \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o \u2014 \u00e9 um fato psicol\u00f3gico fundamental. Mesmo que todas as dificuldades pol\u00edticas e econ\u00f4micas fossem resolvidas, ainda assim subsistiria essa tend\u00eancia humana a se destruir e a se humilhar mutuamente. Freud dizia que esses dois instintos \u2014 o de vida (Eros) e o de morte ou destrui\u00e7\u00e3o (Thanatos) \u2014 est\u00e3o em perp\u00e9tuo conflito e entrela\u00e7amento.<\/p>\n<p>Nesse contexto, Krishnamurti afirmava que era fundamental n\u00e3o apenas promover uma mudan\u00e7a no mundo exterior, mas tamb\u00e9m realizar uma revolu\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica total, interiormente. Esse conflito interior \u00e9 muito mais complexo \u2014 e \u00e9 a raiz dos conflitos exteriores. Tal transforma\u00e7\u00e3o traria, de modo natural e inevit\u00e1vel, uma mudan\u00e7a na estrutura social, em nossos relacionamentos, em toda a nossa atividade.<\/p>\n<p>A pergunta inicial que propomos conecta duas tradi\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas profundas: o pensamento herm\u00e9tico e o pensamento de Her\u00e1clito, que tratam do conflito entre opostos, mas de maneiras diferentes.<\/p>\n<p>Freud se aproxima da vis\u00e3o de Her\u00e1clito, que dizia que o mundo \u00e9 feito de conflito \u2014 e que esse conflito \u00e9 necess\u00e1rio e eterno. Assim, n\u00e3o h\u00e1 cria\u00e7\u00e3o sem destrui\u00e7\u00e3o, nem sa\u00fade sem doen\u00e7a, nem justi\u00e7a sem injusti\u00e7a.<\/p>\n<p>Para Her\u00e1clito, os opostos n\u00e3o s\u00e3o um problema a ser superado, mas a pr\u00f3pria realidade da vida. Sem conflito n\u00e3o h\u00e1 movimento; sem oposi\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 identidade. O conflito \u00e9, para ele, a origem da realidade. \u00c9 o que move o mundo, gera transforma\u00e7\u00e3o. As coisas se definem pelo seu oposto.<\/p>\n<p>Krishnamurti converge para a ideia herm\u00e9tica, que valoriza a unidade essencial do Ser \u2014 liberto dos opostos \u2014 e que retorna \u00e0 consci\u00eancia divina, onde tudo \u00e9 um.<\/p>\n<p>O pensamento herm\u00e9tico aponta para a possibilidade do fim de todo conflito, uma vez que v\u00ea o mundo dual (luz\/sombra, bem\/mal, eu\/outro) como um estado ca\u00eddo da consci\u00eancia.<\/p>\n<p>Para essa tradi\u00e7\u00e3o, o mundo material \u2014 cheio de conflito, morte, limita\u00e7\u00e3o e oposi\u00e7\u00e3o \u2014 \u00e9 visto como uma ilus\u00e3o ou pris\u00e3o espiritual. E o objetivo da alma \u00e9, portanto, retornar \u00e0 Unidade, transcendendo os opostos.<\/p>\n<p>Diante dessas vis\u00f5es, somos levados a reconsiderar a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de paz. Seria ela a aus\u00eancia de conflito \u2014 como deseja o pensamento herm\u00e9tico \u2014 ou a aceita\u00e7\u00e3o consciente de sua inevitabilidade \u2014 como prop\u00f5e Her\u00e1clito?<\/p>\n<p>Se Freud nos alerta para a for\u00e7a dos instintos destrutivos, e Krishnamurti aponta para a urg\u00eancia de uma transforma\u00e7\u00e3o interior, talvez a resposta n\u00e3o esteja em uma utopia externa, mas em um caminho de autoconhecimento, no qual reconhecemos os opostos em n\u00f3s mesmos.<\/p>\n<p>A paz permanente, ent\u00e3o, pode n\u00e3o ser um estado definitivo, mas um processo din\u00e2mico de integra\u00e7\u00e3o entre os contr\u00e1rios \u2014 uma busca cont\u00ednua por equil\u00edbrio entre Eros e Thanatos, entre luz e sombra, entre o mundo como ele \u00e9 e o mundo como poderia ser.<\/p>\n<p>Assim, a pergunta \u201c\u00c9 poss\u00edvel uma paz permanente?\u201d permanece em aberto \u2014 n\u00e3o como um desafio a ser solucionado definitivamente, mas como um convite \u00e0 constru\u00e7\u00e3o de uma consci\u00eancia que transcenda o conflito, sem negar sua presen\u00e7a no cora\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p>Einstein, A. Freud, S. <em>Why War?<\/em> International Institute of International Cooperation. Paris, 1933. Open Letters Series, n. 2. Recurso eletr\u00f4nico. Dispon\u00edvel em: <a href=\"https:\/\/archive.org\/details\/freud-einstein-1933-war\/\">https:\/\/archive.org\/details\/freud-einstein-1933-war\/<\/a><\/p>\n<p>Krishnamurti, J. <em>On Conflict<\/em> [e-book]. 1<sup>st<\/sup> ed. New York: Harper Collins e-books, 2013. EPUB Edition. ISBN 9780062312600<\/p>\n<p>Her\u00e1clito. <em>Fragmentos<\/em>. Tradu\u00e7\u00e3o, introdu\u00e7\u00e3o e notas de Jos\u00e9 Cavalcante de Souza (Cole\u00e7\u00e3o Os Pensadores), S\u00e3o Paulo: Abril Cultural, 1973<\/p>\n<p>Trismegisto, Hermes. <em>Do Castigo da Alma<\/em> (S\u00e9rie Cristal 1), Ed Jarinu. SP: Rosacruz, 2004<\/p>\n","protected":false},"author":609,"featured_media":122003,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110108],"tags_english_":[],"class_list":["post-122009","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-spiritsoul-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/122009","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/609"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/122003"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=122009"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=122009"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=122009"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=122009"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}