{"id":120883,"date":"2025-09-03T22:57:12","date_gmt":"2025-09-03T22:57:12","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/?post_type=logon_article&#038;p=120883"},"modified":"2026-01-23T17:42:51","modified_gmt":"2026-01-23T17:42:51","slug":"agir-sem-agir","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/agir-sem-agir\/","title":{"rendered":"Agir sem agir"},"content":{"rendered":"<p><em>O Bhagavad Gita \u00e9 uma escritura sagrada do hindu\u00edsmo que preconiza uma a\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, at\u00e9 mesmo intuitiva, no presente \u2013 uma a\u00e7\u00e3o que nasce de si mesma e dissolve a separa\u00e7\u00e3o entre objeto e sujeito.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>Isso \u00e9 poss\u00edvel? E se \u00e9, como?<\/em><\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: #206 Agir sem agir\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/1xkVP6ABZBlP4nmaj9Vagp?si=WQrvBi0nSI68qaKna_WKSw&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<p>Mahatma Gandhi expressou sua admira\u00e7\u00e3o pela <strong>Bhagavad Gita<\/strong> da seguinte forma:<\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;Na Bhagavad Gita, encontro consolo [\u2026] \u00c0s vezes, o desapontamento me encara de frente e, quando, abandonado, n\u00e3o vejo nenhum raio de luz, recorro \u00e0 Bhagavad Gita. Ent\u00e3o, encontro um verso aqui e outro ali e imediatamente come\u00e7o a sorrir em meio a todas as esmagadoras trag\u00e9dias \u2013 e minha vida tem sido cheia de trag\u00e9dias externas. Se todas elas n\u00e3o me deixaram nenhuma ferida vis\u00edvel, nenhuma ferida indel\u00e9vel, devo isso aos ensinamentos da Bhagavad Gita.&#8221; [1]<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>A B\u00edblia e a Bhagavad Gita s\u00e3o os livros mais amplamente distribu\u00eddos e lidos no mundo, de acordo com Bede Griffiths. A Bhagavad Gita faz parte do <strong>Mahabharata, <\/strong>grande epopeia indiana. Documenta um di\u00e1logo entre a encarna\u00e7\u00e3o de Vishnu, na forma de Krishna, e o pr\u00edncipe indiano Arjuna, que se prepara para travar uma guerra com seus parentes por seu trono. A seguir, reflito sobre minha pr\u00f3pria experi\u00eancia de um dos princ\u00edpios da Bhagavad Gita, o \u2018agir sem agir\u2019, a respeito do qual Krishna fala a Arjuna.<\/p>\n<p>Como muitos buscadores nas d\u00e9cadas de 60 e 70, e ainda hoje, eu me apaixonei pela Bhagavad Gita na juventude. N\u00e3o era apenas um interesse intelectual \u2013 que naquela \u00e9poca talvez fosse moda entre os hippies e os filhos das flores \u2013 mas uma experi\u00eancia interior e intuitiva de que havia naquele livro mais do que apenas um sistema religioso e filos\u00f3fico com\u00a0 pistas para a vida em tempos contradit\u00f3rios e turbulentos. O princ\u00edpio de \u2018agir sem agir\u2019 me fascinou e me acompanha desde ent\u00e3o. Mas o que \u00e9, na verdade, esse \u2018agir sem agir\u2019?<\/p>\n<p>O Bhagavad Gita diz:<\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;Aquele que v\u00ea a ina\u00e7\u00e3o na a\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o na ina\u00e7\u00e3o \u00e9 s\u00e1bio entre os homens; ele \u00e9 um iogue e executor de todas as a\u00e7\u00f5es.&#8221; [2]<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>O Bhagavad Gita oferece alguns princ\u00edpios para resolver ou explicar esse paradoxo:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Renuncie aos frutos da a\u00e7\u00e3o:<\/strong> n\u00e3o se apegue aos resultados de suas a\u00e7\u00f5es.<\/li>\n<li><strong>N\u00e3o tenha expectativas:<\/strong> n\u00e3o espere nada (positivo ou negativo) das a\u00e7\u00f5es que realiza.<\/li>\n<li><strong>Seja frugal e n\u00e3o dependente:<\/strong> viva com simplicidade e n\u00e3o se apegue a bens materiais.<\/li>\n<li><strong>Seja contente e equ\u00e2nime:<\/strong> mantenha a serenidade diante do sucesso ou do fracasso.<\/li>\n<li><strong>Veja todas as a\u00e7\u00f5es como oferendas:<\/strong> considere todos os seus atos como oferendas a Krishna\/Vishnu. Assim, eles se transformam em conhecimento espiritual.<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote><p><em>&#8220;Sabe que os s\u00e1bios que realizaram a verdade te instruir\u00e3o nesse conhecimento por meio de longa prostra\u00e7\u00e3o, s\u00faplica e servi\u00e7o. Sabendo disso, tu n\u00e3o ser\u00e1s, \u00f3 Arjuna, novamente iludido como agora; e por isso, tu ver\u00e1s todos os seres em ti mesmo e em mim.&#8221; [3]<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Se n\u00f3s nos observamos com esse pano de fundo, percebemos que todo o nosso pensamento, desejos, sentimentos e a\u00e7\u00f5es pressup\u00f5em que queremos alcan\u00e7ar e esperar algo. Todas as nossas a\u00e7\u00f5es s\u00e3o, portanto, especulativamente direcionadas para o futuro. Por outro lado, a Bhagavad Gita preconiza uma a\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea, at\u00e9 mesmo intuitiva, no presente \u2013 uma a\u00e7\u00e3o que nasce de si mesma e dissolve a separa\u00e7\u00e3o entre objeto e sujeito para alcan\u00e7ar a unidade entre objeto e sujeito.<\/p>\n<p>Se isso \u00e9 poss\u00edvel, como?<\/p>\n<p>Krishna aponta claramente que ningu\u00e9m pode ficar inativo nem por um momento, e aconselha Arjuna:<\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;Portanto, sem apego, execute sempre as a\u00e7\u00f5es que devem ser feitas; pois, ao executar a\u00e7\u00f5es sem apego, alcan\u00e7a-se o Supremo.&#8221; [4]<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Se pudermos implementar o conselho de Krishna em nossas vidas, poderemos nos libertar do pensamento especulativo e das expectativas do futuro, estarmos livres dos sucessos ou fracassos de nossas a\u00e7\u00f5es. Isso dissolve toda a especula\u00e7\u00e3o sobre o futuro, que se expressa em ansiedade, preocupa\u00e7\u00e3o e medo. Podemos ent\u00e3o, de forma espont\u00e2nea e alegre, cumprir o dever que nos \u00e9 imposto e ter em mente o bem da humanidade.<\/p>\n<p>Catharose de Petri, a Gr\u00e3-Mestra da Rosacruz \u00c1urea, expressa isso da seguinte forma:<\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;\u00c9 absolutamente poss\u00edvel, durante sua rotina di\u00e1ria comum, quaisquer que sejam as atividades que precise realizar, manter perfeitamente a for\u00e7a central e seu princ\u00edpio no fundo do seu ser, e deix\u00e1-la irradiar atrav\u00e9s de tudo, em seu cora\u00e7\u00e3o, sua cabe\u00e7a e sua alma.&#8221; [5]<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00f3s, ent\u00e3o, praticamente vivemos duas vidas: uma em conex\u00e3o com o mundo comum e a outra que n\u00e3o \u00e9 deste mundo, que vive na e da for\u00e7a de Krishna ou do Cristo. [6] Isso nos d\u00e1 dist\u00e2ncia dos problemas, conflitos e adversidades deste mundo, porque:<\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;Aqueles que me amam s\u00e3o queridos para mim, e eu estou neles, e eles est\u00e3o em mim. Eles v\u00eam a mim e ter\u00e3o paz eterna.&#8221; [7]<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Podemos, ent\u00e3o, ver o mundo dos opostos como observadores e, ao mesmo tempo, por meio da for\u00e7a da alma e do conhecimento dentro de n\u00f3s, podemos nos concentrar sem dificuldades em um mundo que n\u00e3o \u00e9 deste mundo. Mesmo nas maiores turbul\u00eancias de nossas vidas, podemos permanecer calmos e serenos. Nossas a\u00e7\u00f5es, ent\u00e3o, se tornam espont\u00e2neas e n\u00e3o calculadas, intuitivas e n\u00e3o guiadas por vis\u00f5es positivas ou negativas do futuro. Podemos verdadeiramente viver no presente. \u00c9 isso que Mahatma Gandhi quer expressar na cita\u00e7\u00e3o usada na abertura dessa reflex\u00e3o.<\/p>\n<p>Onde estou hoje? O conceito de \u2018agir sem agir\u2019 me acompanhou ao longo de toda a minha vida. Uma das primeiras e fundamentais percep\u00e7\u00f5es foi e \u00e9: \u2018Tudo \u00e9 relativo\u2019! J\u00e1 que nada \u00e9 absoluto, n\u00e3o vou da alegria ao desespero, mas permane\u00e7o em um estado de certa calma, uma serenidade muitas vezes tranquila. Isso n\u00e3o significa indiferen\u00e7a, especialmente em rela\u00e7\u00e3o ao mundo e \u00e0 humanidade, mas significa manter o foco no quadro geral e me perguntar repetidamente se as palavras de Krishna s\u00e3o uma realidade em mim: eu estou Nele e Ele est\u00e1 em mim?<\/p>\n<blockquote><p>Pois Krishna diz na Bhagavad Gita: \u201c<em>Todas as coisas est\u00e3o em Mim \u2013 essa \u00e9 a base de nossa exist\u00eancia\u201d. E ele continua: \u201cmas Eu n\u00e3o estou nelas.&#8221;<\/em> [8]<\/p><\/blockquote>\n<p>Este \u00e9 o objetivo de nosso caminho espiritual: despert\u00e1-Lo em n\u00f3s.<\/p>\n<p>Krishna continua a dizer a Arjuna:<\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;Aquele que me v\u00ea em todos os lugares e v\u00ea tudo em Mim nunca se separa de Mim, nem eu dele.&#8221; [9]<\/em><\/p>\n<p><em>&#8220;Execute seu dever imposto, pois a a\u00e7\u00e3o \u00e9 superior \u00e0 ina\u00e7\u00e3o, e mesmo a manuten\u00e7\u00e3o do corpo n\u00e3o seria poss\u00edvel para ti por meio da ina\u00e7\u00e3o.&#8221; [10]<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Por um lado, tenho a consci\u00eancia parcialmente viva da rotina di\u00e1ria comum por estar em nosso mundo. Por outro lado, tenho a experi\u00eancia de um estado de ser que n\u00e3o \u00e9 deste mundo e que, ao mesmo tempo, \u00e9 um alicerce que me d\u00e1 uma serenidade alegre para aceitar e processar as exig\u00eancias da vida comum. Quando experimento conscientemente essa serenidade alegre, sou um ator e, simultaneamente, um observador no mundo, sem ser absorvido por ele. Experimento repetidamente que essa orienta\u00e7\u00e3o me eleva da agita\u00e7\u00e3o da vida cotidiana (\u00e0s vezes, apenas por alguns momentos), e experimento a serenidade alegre que me preenche, a serenidade da alma. Isso pode ser \u2018tornar-se uno com Krishna?\u2019 Se formos honestos conosco, encontraremos a resposta em n\u00f3s mesmos e abandonaremos considera\u00e7\u00f5es intelectuais, perguntas e d\u00favidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/agir-sem-agir\/#_ftnref1\"><strong><em><sup>[1]<\/sup><\/em><\/strong><\/a>\u00a0Mohandas Karamchand G\u00e2ndhi (Mahatma Gandhi), in: Young India 1925, p. 1078)<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/agir-sem-agir\/#_ftnref2\"><strong><em><sup>[2]<\/sup><\/em><\/strong><\/a>\u00a0Bhagavad Gita, Ved Vyas Foundation, 2024 (e-book) Bhagavad Gita.io: (Chapter IV, verse 18).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/agir-sem-agir\/#_ftnref3\"><strong><em><sup>[3]<\/sup><\/em><\/strong><\/a>\u00a0Idem: Chapter IV,Verse 34,35<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/agir-sem-agir\/#_ftnref4\"><strong><em><sup>[4]<\/sup><\/em><\/strong><\/a>\u00a0Idem: Chapter III,Verse 19<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/agir-sem-agir\/#_ftnref5\"><strong><em><sup>[5]<\/sup><\/em><\/strong><\/a>\u00a0Tradu\u00e7\u00e3o de: Catharose de Petri,\u00a0<em>Das Lebende Wort<\/em>, Haarlem 1990, S. 300<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/agir-sem-agir\/#_ftnref6\"><sup>[6]<\/sup><\/a>\u00a0Tradu\u00e7\u00e3o de: Jan van Rijckenborgh,\u00a0<em>Die gro\u00dfe Umw\u00e4lzung<\/em>, 3. Auflage, Haarlem 1992, Kapitel VII:\u00a0<em>Das Mysterium des Krishna<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/agir-sem-agir\/#_ftnref7\"><strong><em><sup>[7]<\/sup><\/em><\/strong><\/a>\u00a0Idem: Chapter IX, versos 29, 31<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/agir-sem-agir\/#_ftnref8\"><sup>[8]<\/sup><\/a>\u00a0Idem: Chapter IX, verso 4<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/agir-sem-agir\/#_ftnref9\"><strong><em><sup>[9]<\/sup><\/em><\/strong><\/a>\u00a0Idem: Chapter VI, verso 30<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/agir-sem-agir\/#_ftnref10\"><strong><em><sup>[10]<\/sup><\/em><\/strong><\/a>\u00a0Idem: Chapter III, verso 9<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":609,"featured_media":109160,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110082],"tags_english_":[],"class_list":["post-120883","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-livingpast-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/120883","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/609"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/109160"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=120883"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=120883"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=120883"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=120883"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}