{"id":117598,"date":"2025-05-13T22:54:37","date_gmt":"2025-05-13T22:54:37","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/?post_type=logon_article&#038;p=117598"},"modified":"2025-06-23T11:45:44","modified_gmt":"2025-06-23T11:45:44","slug":"conduzido-pelas-asas-suaves-da-serenidade","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/conduzido-pelas-asas-suaves-da-serenidade\/","title":{"rendered":"Conduzido pelas Asas Suaves da Serenidade"},"content":{"rendered":"<p><em>A verdadeira serenidade n\u00e3o pode se basear na supress\u00e3o de sentimentos opostos.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>Desejamos a n\u00f3s mesmos e aos outros o m\u00e1ximo de felicidade poss\u00edvel, mas e se o sentimento mais elevado de felicidade, se a verdadeira serenidade, pressupusesse um ser humano que tamb\u00e9m tivesse sofrido a dor mais profunda?<\/em><\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: #177 Conduzido pelas asas suaves da serenidade\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/6rLz0Hr4YG5sbBPMe7jYTP?si=88aRo4hBToSWM5PTbekFQQ&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ser\u00e1 que a felicidade s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel em um cora\u00e7\u00e3o que amadureceu atrav\u00e9s do prazer e da dor?<\/span><\/p>\n<blockquote><p><i><span style=\"font-weight: 400;\">A verdadeira alegria \u00e9 um assunto s\u00e9rio<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><br \/>\n<\/span> <span style=\"font-weight: 400;\">S\u00eaneca<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o, isto n\u00e3o \u00e9 uma <\/span>apologia<span style=\"font-weight: 400;\"> da alegria em tempos dif\u00edceis. Motivos para n\u00e3o estar alegre podem ser encontrados em abund\u00e2ncia em todos os jornais di\u00e1rios, em programas de entrevistas, em postagens na Internet \u2013 e em nosso cotidiano. Se sairmos para caminhar pelas ruas de qualquer grande cidade em um dia comum, passaremos por ombros ca\u00eddos, bon\u00e9s abaixados, rostos que expressam um vazio sem gra\u00e7a ou um desespero silenciado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ser\u00e1 que tantas pessoas perderam o sorriso? \u00c9 inaceit\u00e1vel, at\u00e9 mesmo provocativo, ousar sorrir?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em seu aclamado livro <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Sobre a serenidade em tempos dif\u00edceis<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, Axel Hacke escreve:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Sorrir tem um efeito interior e um efeito exterior. Ele anima tanto a pessoa que sorri quanto quem recebe o sorriso. Sorrir pode desencadear uma rea\u00e7\u00e3o em cadeia. Sorrimos para algu\u00e9m, essa pessoa sorri de volta, e ent\u00e3o o sorriso entra no mundo e viaja longe. Voc\u00ea s\u00f3 precisa come\u00e7ar<\/span><\/i><i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/i><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao limpar e organizar a casa, uma atividade que tem um efeito imediato de alegria e leveza, encontrei recentemente um artigo de 2015. Depois de apontar as crises atuais extensamente, o autor assim resume:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 dif\u00edcil dizer se j\u00e1 prevaleceram o negativo e o amea\u00e7ador, o pessimismo e a misantropia. Uma coisa parece certa, por\u00e9m: a escurid\u00e3o j\u00e1 avan\u00e7ou tanto que se tornou uma for\u00e7a dominante contra a qual o poder subversivo da confian\u00e7a deve ser direcionado. \u00c9 certo, tamb\u00e9m, que as pessoas culpar\u00e3o os outros se n\u00e3o descobrirem este poder dentro de si mesmas.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> (DIE ZEIT, 27\/08\/2015)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A quest\u00e3o \u00e9: como podemos adquirir essa confian\u00e7a, essa for\u00e7a interior?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Sempre admirei profundamente as pessoas que, no meio dos maiores desafios internos e externos, n\u00e3o s\u00f3 mantiveram a sua liberdade interior e dignidade humana, como tamb\u00e9m se elevaram maravilhosamente acima de si mesmas. \u00c9 o caso do sobrevivente dos campos de concentra\u00e7\u00e3o Viktor Frankl, para citar apenas um exemplo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Parece quase inacredit\u00e1vel que pessoas em situa\u00e7\u00f5es de vida inimaginavelmente assustadoras ainda consigam demostrar bom humor. H\u00e1 alguns anos, li um artigo de jornal que me marcou profundamente, sobre prisioneiros brit\u00e2nicos em um campo de guerra nazista. Com ideias inteligentes, eles exprimiam uma sutil zombaria das suas condi\u00e7\u00f5es, o que tornava o cativeiro relativamente suport\u00e1vel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A capacidade de usar o humor pode servir como uma arma contra as afli\u00e7\u00f5es inevit\u00e1veis da nossa exist\u00eancia. Ela atesta, como diz Friedrich Schiller no seu ensaio sobre <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">O Sublime<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, o fato de que o homem possui uma liberdade interior que o eleva acima de todo sofrimento.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A serenidade em circunst\u00e2ncias adversas exige que nos distanciemos das nossas expectativas, ou seja, \u00e9 uma atitude em rela\u00e7\u00e3o a qualquer resultado poss\u00edvel.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A serenidade tem a ver com o deixar ir, com desapego. \u00c9 semelhante ao perd\u00e3o &#8211; n\u00e3o guardar rancor. Sentir-se despreocupado n\u00e3o tem nada a ver com aceitar uma injusti\u00e7a ou negar a dor. Serenidade \u00e9 um estado de gra\u00e7a que anda de m\u00e3os dadas com a gentileza e a sabedoria.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dever\u00edamos sempre flutuar pela vida cotidiana sorrindo serenamente e gratificando nossos semelhantes com uma presen\u00e7a radiante, estando sempre &#8220;de bom humor&#8221;? N\u00e3o estar\u00edamos j\u00e1 vivendo em &#8220;uma sociedade em constante estado de embriaguez&#8221;, como lamentavelmente afirma o fil\u00f3sofo Wilhelm Schmid em seu livro sobre <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">a Felicidade<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">?<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">Uma sociedade caracterizada pelo \u201cv\u00edcio da felicidade\u201d, incapaz de sentir luto e que, em vez disso, tenta tornar a vida relativamente suport\u00e1vel com a ajuda de \u00e1lcool, drogas e medicamentos psicotr\u00f3picos ou assistindo compulsivamente a s\u00e9ries da Netflix?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A verdadeira serenidade n\u00e3o pode se basear na supress\u00e3o de sentimentos opostos. O poeta alem\u00e3o Christian Morgenstern escreve:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">O m\u00e1ximo de felicidade poss\u00edvel, dizem eles. Mas, e se o sentimento mais elevado de felicidade pressupusesse um ser humano que tamb\u00e9m tivesse sofrido a dor mais profunda? Se a felicidade s\u00f3 fosse poss\u00edvel em um cora\u00e7\u00e3o que amadureceu atrav\u00e9s do prazer e da dor? Quem exige o m\u00e1ximo de oportunidades de felicidade deve tamb\u00e9m exigir o m\u00e1ximo de infelicidade poss\u00edvel, ou nega suas condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">E ele continua:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">A possibilidade de uma felicidade cada vez maior n\u00e3o deveria residir num conhecimento e num amor cada vez em formas mais elevadas?<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Seremos capazes disso \u2013 de uma serena alegria por nossa pr\u00f3pria decis\u00e3o e por nossa for\u00e7a?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nossas experi\u00eancias dolorosas podem nos levar a refletirmos sobre n\u00f3s mesmos e a vida em geral. Provavelmente \u00e9 preciso termos sofrido para liberarmos a compaix\u00e3o, a sabedoria e a serenidade de seu aprisionamento dentro de n\u00f3s. Nem todos precisam experimentar os duros golpes do destino para isso.No entanto, h\u00e1 uma verdade profunda nas palavras do m\u00edstico medieval Mestre Eckehart:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">O sofrimento \u00e9 o cavalo mais r\u00e1pido para a perfei\u00e7\u00e3o.<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como podemos alcan\u00e7ar o equil\u00edbrio que nos permite sermos alegres, independentemente de estarmos no topo ou na base da Roda da Fortuna? Aqui, uma porta se abre e revela um novo n\u00edvel. Novo? Bem, \u00e9 mesmo? Os antigos gregos j\u00e1 sabiam que uma vida verdadeiramente harmoniosa, a <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">eudaimon\u00eda<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, s\u00f3 pode ser alcan\u00e7ada em harmonia com uma ordem mundial divina, quando nos experimentamos como parte da abund\u00e2ncia do infinito.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que constitui um problema s\u00e9rio para muitos contempor\u00e2neos, al\u00e9m da mir\u00edade de medos, queixas e desconfortos que a exist\u00eancia traz \u00e0 Terra, \u00e9 que n\u00e3o se consegue entender o que est\u00e1 acontecendo. \u00c9 dif\u00edcil reconhecer \u2013 para citar o Fausto de Goethe \u2013 o que mant\u00e9m o mundo unido em sua ess\u00eancia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Claro, posso gritar meu desprezo pela morte com sagacidade e humor para um universo aparentemente indiferente. No entanto, isso n\u00e3o me livra da consci\u00eancia inescap\u00e1vel da minha mortalidade, da transitoriedade de tudo e de todos aqueles que amei. Em retrospecto, n\u00e3o apenas na hora da morte, muitas coisas que antes considerava valiosas, todos os dramas que mantinham a roda da minha vida girando, perdem a import\u00e2ncia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Isso poderia me deixar profundamente deprimido. Ou deveria me deixar alegre?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Eu posso sentir o impulso de ter uma risada incrivelmente curadora e libertadora, que ecoa na harmonia de um universo benevolente que responde em troca.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Wilhelm Schmid fala da \u201cfelicidade da coer\u00eancia\u201d, de uma \u201cabund\u00e2ncia de experi\u00eancias de transcend\u00eancia no metaf\u00edsico\u201d:<\/span><\/p>\n<p><i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00c9 muito f\u00e1cil imaginar que esta \u00e9 a contribui\u00e7\u00e3o essencial para alcan\u00e7ar uma vida plena: abrir a vida a uma dimens\u00e3o de transcend\u00eancia que vai al\u00e9m dos limites da vida finita \u2026<\/span><\/i><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tais insights podem ser de grande ajuda, mas \u00e9 importante n\u00e3o apenas reconhec\u00ea-los racionalmente. Muitas vezes, podemos observar com espanto que as pessoas continuam a sofrer ao inv\u00e9s de mudarem seus padr\u00f5es habituais de pensamento e sentimentos. Pesquisas modernas atribuem isso \u00e0s vias neurais no c\u00e9rebro, que se transformam em sulcos profundamente gravados por nossa constante repeti\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos, viciando-nos em nossa dose t\u00f3xica habitual de negatividade.\u00a0 De qualquer forma, a m\u00eddia prospera e vive do desejo generalizado de pessimismo e melancolia.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A boa not\u00edcia \u00e9 que podemos criar novos caminhos neurais no c\u00e9rebro. Nosso cora\u00e7\u00e3o \u00e9 a chave quando ele finalmente se abre e, com amor e alegria, desempenha seu papel nos processos de renova\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Quando nos dispomos a abandonar o n\u00edvel familiar da realidade, as coisas finalmente se dissolvem em serenidade. Se levarmos &#8220;a s\u00e9rio&#8221; a ideia de passar por um processo de transforma\u00e7\u00e3o mental e espiritual, o sofrimento se transforma em alegria. Descobrimos, ou melhor, revelamos, a alegria como nosso direito de nascen\u00e7a. Ela j\u00e1 \u00e9 inerente ao nosso ser.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Heiterkeit&#8221;, a palavra alem\u00e3 para alegria e serenidade, era originalmente um termo meteorol\u00f3gico que descrevia a luz do c\u00e9u. A alegria profunda e sem causa, independente de circunst\u00e2ncias externas. Luz, cor e som s\u00e3o manifesta\u00e7\u00f5es do nosso ser celestial.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nas asas suaves desta vibra\u00e7\u00e3o celestial, podemos al\u00e7ar voo e ter uma vis\u00e3o panor\u00e2mica de nossas vidas e da atividade humana, com toda a compaix\u00e3o. Isso \u00e9 enormemente libertador!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 n\u00e3o se trata tanto de lidar com a gravidade da vida, mas de transform\u00e1-la junto com outros que tamb\u00e9m est\u00e3o aprendendo a \u201cvoar\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A alegre serenidade n\u00e3o \u00e9 um desvio espiritual. Ela ilumina a escurid\u00e3o e mostra a sa\u00edda. Ela conduz da dor e tristeza da separa\u00e7\u00e3o \u00e0 alegria de estar conectado \u00e0 fonte curadora e sagrada de todos os seres.<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":609,"featured_media":109376,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110108],"tags_english_":[],"class_list":["post-117598","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-spiritsoul-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/117598","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/609"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/109376"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=117598"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=117598"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=117598"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=117598"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}