{"id":116481,"date":"2025-04-09T20:46:47","date_gmt":"2025-04-09T20:46:47","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/?post_type=logon_article&#038;p=116481"},"modified":"2025-04-29T17:11:37","modified_gmt":"2025-04-29T17:11:37","slug":"um-caminho-para-onde","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/um-caminho-para-onde\/","title":{"rendered":"Um caminho para onde?"},"content":{"rendered":"<p><em>Uma reflex\u00e3o sobre uma viagem, um grupo, a alegria de estar na estrada, uma pedra na estrada, a imagem de um p\u00e1ssaro e o trabalho.<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: # 172 Um caminho para onde?\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/1YCvC6OO9AlEAx3j8qjwra?si=KmyI2PLBT223ZiuQarnfNQ&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<p>A paisagem era escassa no modesto estacionamento do parque onde nosso grupo aguardava a partida. Hav\u00edamos recebido informa\u00e7\u00f5es sobre o que nos esperava, mas n\u00e3o sobre o destino do caminho.<\/p>\n<p>Olhei ao redor: os outros pareciam confiantes, com mochilas apropriadas, botas de montanhismo e garrafas de \u00e1gua engenhosas. Conheciam a terminologia t\u00e9cnica e conversavam com os guias da trilha como veteranos. Para mim, tudo era novo. Eu apenas ouvia.<\/p>\n<p>Parecia que eu tinha esperado a vida inteira por aquilo. Estava cheio de perguntas, mas n\u00e3o as fazia. No entanto, as respostas vinham.<\/p>\n<p>Quando conheci esse grupo de turismo formado de pessoas t\u00e3o extraordin\u00e1rias, diferentes, surpreendi-me ter sido aceito mesmo sem ter experi\u00eancia. Na ocasi\u00e3o, quando me perguntaram se queria mesmo viajar, eu tinha certeza, sabia que nada me impediria. Eu sentia intensa expectativa, sem saber exatamente pelo qu\u00ea. Recebi o sorriso de um idoso, sem motivo aparente, e aquilo foi um sinal: eu estava no caminho certo.<\/p>\n<p>Embora eu j\u00e1 esteja na meia-idade, sou um novato. Os mais confiantes e experientes nem ficaram nas orienta\u00e7\u00f5es dadas \u00e0 noite pois j\u00e1 sabiam tanto!<\/p>\n<p>Ei, o que foi isso? Aqueles caras com mochilas estavam voltando? Sim, estavam! Mas voltar nunca poderia ser a rota.<\/p>\n<p>Com naturalidade, os l\u00edderes se aproximaram e nos desejaram boa viagem. Agradeci. Apertamos as m\u00e3os e, a partir de ent\u00e3o, eu estava sozinho. Pode parecer imposs\u00edvel sentir-se s\u00f3 em um grupo pequeno, mas foi assim. Eu tinha apenas uma b\u00fassola, mas n\u00e3o sabia us\u00e1-la. Sem rumo, comecei a andar.<\/p>\n<p>O cen\u00e1rio era lindo. Encontrei companheiros de viagem \u2013 \u00e0s vezes conhecidos, \u00e0s vezes viajantes mais experientes. Cada um seguia sua b\u00fassola, mas elas deviam ser de marcas diferentes porque cada uma tra\u00e7ava um caminho. Cheguei a sentir algu\u00e9m atr\u00e1s de mim, mas ao olhar, n\u00e3o havia ningu\u00e9m.<\/p>\n<p>Feliz por estar no caminho, quase pulava de alegria.<\/p>\n<p>Embora tiv\u00e9ssemos sido avisados, n\u00e3o percebi obst\u00e1culos desagrad\u00e1veis. Vi pessoas paradas, preocupadas, e at\u00e9 um ca\u00eddo no ch\u00e3o. Quis ajud\u00e1-lo, mas n\u00e3o podia. \u201cEu mesmo resolvo\u201d, o homem me disse.<\/p>\n<p>Choveu algumas vezes. Noutras, fez frio ou calor, mas no geral a jornada foi suave. Ent\u00e3o cheguei a uma fronteira. N\u00e3o havia delimita\u00e7\u00e3o, mas percebi quando a cruzei. Ali tudo era novo e desconhecido. Andei com mais cuidado, \u00e0s vezes sem saber se devia seguir \u00e0 esquerda ou \u00e0 direita.<\/p>\n<p>Saltei fendas, enfrentei descidas sinuosas, \u00edngremes e escorregadias, e tamb\u00e9m subidas exaustivas. Mas nunca desejei estar em casa.<\/p>\n<p>Minha casa era ali, a cada momento.<\/p>\n<p>Agora, estou diante de uma enorme rocha, h\u00e1 semanas ou meses \u2013 n\u00e3o sei ao certo. J\u00e1 tentei tudo: empurrar, for\u00e7ar, contornar, escalar, mas sem sucesso. Nenhum ser humano \u00e0 vista e n\u00e3o consigo avan\u00e7ar. Re\u00fano for\u00e7as, mas a rocha n\u00e3o se move. N\u00e3o vejo o que h\u00e1 atr\u00e1s dela. Retornar \u00e9 imposs\u00edvel, mas n\u00e3o posso ficar aqui para sempre.<\/p>\n<p>Quanto mais tento, mais cansado fico. Tentaria qualquer coisa para matar a sede e a fome, sem perspectivas. N\u00e3o queria dormir. Sabia que adormecer torna dif\u00edcil o despertar.<\/p>\n<p>Sentei-me refletindo sobre os m\u00e9todos que j\u00e1 usei. Devia haver um jeito de vencer a rocha. Ideias surgiram para logo depois desaparecerem.<\/p>\n<p>A \u00fanica coisa que distra\u00eda minha aten\u00e7\u00e3o era um grande p\u00e1ssaro pousado sobre a rocha h\u00e1 algum tempo. Um animal estranho, de olhar obl\u00edquo. Estava t\u00e3o sozinho que pensava em conversar com ele, mas isso seria loucura. Ele voava para o alto mas sempre voltava ao mesmo lugar.<\/p>\n<p>Se ao menos eu pudesse voar\u2026<\/p>\n<p>Ele subiu mais alto e o segui com os olhos. Suas asas esbeltas contrastavam com o c\u00e9u azul. Um c\u00edrculo de luz o rodeava. Ele voava para o sol, direto para a luz.<\/p>\n<p>Esqueci a rocha e deixei meu cora\u00e7\u00e3o voar com ele, leve e livre. Nenhuma parte da viagem superou esse voo. O p\u00e1ssaro parecia usar uma coroa de intensa luz branca, cravejada de cores.<\/p>\n<p>Logo ele desceu. Aproximei-me dele e alcancei suas costas, encontrando um assento macio. Sua voz era ao mesmo tempo baixa e alta, suave e clara:<\/p>\n<p>\u201cPrimeiro suba e depois des\u00e7a para o trabalho.\u201d<\/p>\n<p>Vo\u00e1vamos pelo c\u00e9u brilhante quando me lembrei da minha jornada. Precisava voltar. O p\u00e1ssaro virou a cabe\u00e7a e aquiesceu. Foi como se eu olhasse nos olhos de um velho conhecido\u2026 mas quem?<\/p>\n<p>Ele me levou at\u00e9 onde eu estava anteriormente.<\/p>\n<p>A pedra ainda estava l\u00e1, mas agora era transparente.<\/p>\n<p>Com apenas um passo a transpus, sem qualquer esfor\u00e7o.<\/p>\n","protected":false},"author":923,"featured_media":2710,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110108],"tags_english_":[],"class_list":["post-116481","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-spiritsoul-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/116481","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/923"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2710"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=116481"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=116481"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=116481"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=116481"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}