{"id":108007,"date":"2024-02-28T18:06:49","date_gmt":"2024-02-28T18:06:49","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/logon_article\/deus-como-numero\/"},"modified":"2024-03-06T18:26:24","modified_gmt":"2024-03-06T18:26:24","slug":"deus-como-numero","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/deus-como-numero\/","title":{"rendered":"Deus como N\u00famero"},"content":{"rendered":"<p><em>Deus como n\u00famero. Esse ponto de vista talvez seja curioso para voc\u00ea, pois Deus pode realmente ser comparado a um valor num\u00e9rico?<\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>Se ainda quisermos fazer essa compara\u00e7\u00e3o, a pergunta surge imediatamente: Com qual n\u00famero Deus pode ser indicado?<\/em><\/p>\n<p>Essas quest\u00f5es, \u00e9 claro, n\u00e3o s\u00e3o novas. Desde o princ\u00edpio, o homem lidou com os problemas do divino e buscou respostas para tais quest\u00f5es. A Gnose, que nos d\u00e1 a sabedoria divina e universal, conseguiu dar uma \u00fanica resposta a esses problemas ao longo de todas as eras. Muitos textos que foram inspirados por essa sabedoria divina, mostram evid\u00eancias desse conhecimento universal e tentam dar forma a essas quest\u00f5es filos\u00f3ficas com suas pr\u00f3prias palavras, apesar das diferen\u00e7as culturais e temporais.<\/p>\n<p>Um exemplo consta\u00a0 no\u00a0 livro A Gnosis Chinesa. O conceito de Deus \u00e9 chamado de \u201cTao\u201d nos escritos do Tao Te King de Lao Ts\u00e9. Lao Ts\u00e9 afirma que, sendo Tao o solo primordial de todas as coisas, n\u00e3o pode ser totalmente descrito por nenhum mortal, pois ele diz:<\/p>\n<blockquote><p><em>Se o Tao pudesse ser falado, n\u00e3o seria o eterno Tao. Se o nome pudesse ser nomeado, n\u00e3o seria o nome eterno. Como n\u00e3o-ser, pode ser descrito como o fundamento de tudo o que existe. Como ser, \u00e9 a M\u00e3e de todas as coisas.<\/em><sup>1<\/sup><\/p><\/blockquote>\n<p>Essas palavras paradoxais est\u00e3o completamente alinhadas com os m\u00edsticos medievais que testemunharam o que experimentaram do divino atrav\u00e9s de meras nega\u00e7\u00f5es. Essa ci\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 chamada de \u201cteologia negativa\u201d e tem paralelos com o que Lao Ts\u00e9 tem a nos dizer. O principal expoente dessa \u201cteologia negativa\u201d \u00e9 Dion\u00edsio, o Areopagita, que em um de seus tratados descreve primeiro o divino por muitos nomes diferentes, apenas para neg\u00e1-lo posteriormente. Dion\u00edsio tamb\u00e9m assume que Deus n\u00e3o pode ser capturado em um conceito e, portanto, diz que:<\/p>\n<blockquote><p><em>Deus n\u00e3o \u00e9 nem trevas nem luz. Ele \u00e9 a treva deslumbrante que cobre toda a radia\u00e7\u00e3o com a intensidade de sua escurid\u00e3o.<\/em><sup>2<\/sup><\/p><\/blockquote>\n<p>Essas palavras enigm\u00e1ticas do m\u00edstico medieval indicam que o divino n\u00e3o pode ser capturado em palavras de forma alguma. O mundo divino parece estar completamente separado do mundo das formas em que vivemos. E ainda assim, o homem, consciente ou inconscientemente, \u00e9 atra\u00eddo para o sobrenatural do qual evidentemente n\u00e3o faz parte, e tem a necessidade de conhecer essa natureza. Com essa necessidade, ele se confronta com a pergunta: como podemos descrever ou experimentar o divino?<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o Tao n\u00e3o pode ser nomeado, porque:<\/p>\n<blockquote><p><em>O Tao \u00e9 vazio e, em suas radia\u00e7\u00f5es e atividades, \u00e9 inexaur\u00edvel<\/em>.<sup>3<\/sup><\/p><\/blockquote>\n<p>Para conhecer e realmente experimentar o divino, temos que nos \u201cesvaziar\u201d, temos que nos fundir em um estado de consci\u00eancia completamente diferente. Lao Ts\u00e9 expressa isso da seguinte forma:<\/p>\n<blockquote><p><em>Portanto, se o cora\u00e7\u00e3o constantemente \u2018n\u00e3o \u00e9\u2019 \u2014 ou seja, se estiver livre de todas as aspira\u00e7\u00f5es e desejos terrenos \u2014 pode-se contemplar o mist\u00e9rio da ess\u00eancia espiritual do Tao.<\/em><\/p>\n<p><em>Se o cora\u00e7\u00e3o constantemente \u2018\u00e9\u2019 \u2014 ou seja, se estiver cheio de desejos e aspira\u00e7\u00f5es terrenas \u2014 s\u00f3 pode contemplar formas limitadas e finitas.<\/em><\/p>\n<p><em>\u00c9 por isso que o s\u00e1bio se dedica ao n\u00e3o-fazer; ele realiza os ensinamentos sem palavras.<\/em><sup>5<\/sup><\/p><\/blockquote>\n<p>O buscador de Deus, do Tao, \u00e9 aconselhado a se desapegar completamente de todas as coisas materiais; a se esvaziar completamente desse modo, para que o Tao possa ent\u00e3o se revelar a ele. No entanto, assim que algu\u00e9m tenta agarrar ou compreender esse divino com a mente, o Tao se afasta novamente do lado do buscador.<\/p>\n<p>Portanto, aparentemente tamb\u00e9m n\u00e3o devemos nos apegar a essa experi\u00eancia divina, pois precisamente porque as pessoas n\u00e3o se apegam a ela, o Tao n\u00e3o as deixa. Isso se refere ao fato de que a natureza do eterno Tao n\u00e3o pode ser misturada com a natureza temporal de nosso mundo, pois ele se afasta do nosso lado quando tentamos apreend\u00ea-lo.<\/p>\n<p>A teosofia judaica tamb\u00e9m nos mostra, como caracter\u00edstica geral da Gnose, que o divino est\u00e1 separado do mundo sensorial. A gnose judaica, assim como o mundo de ideias de Lao Ts\u00e9 e Dion\u00edsio, o Areopagita, mostra tamb\u00e9m uma dualidade: aqui, da mesma forma,\u00a0 tamb\u00e9m o divino \u00e9 um contraste com o mundo material e n\u00e3o pode ser experimentado de forma alguma no mundo f\u00edsico. Portanto, no misticismo judaico, o divino \u00e9 descrito como o Ain Sof insond\u00e1vel, literalmente significando \u201csem fim\u201d. Essa n\u00e3o exist\u00eancia espiritual do Ain Sof \u00e9 a fonte da qual toda a vida surgiu. No misticismo judaico, essa vida \u00e9 representada esquematicamente pelas dez Sephiroth da \u00c1rvore da Vida, que formam o plano de cria\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, podemos entender o divino Ain Sof como o n\u00famero 0, um nada do qual tudo se originou. Goethe tamb\u00e9m falou em seu livro Fausto:<\/p>\n<blockquote><p><em>Em seu Nada eu confio para encontrar tudo<\/em>.<\/p><\/blockquote>\n<p>Levando em considera\u00e7\u00e3o o exposto, podemos concluir que qualquer conceito para descrever o divino \u00e9 insuficiente. Para podermos imaginar o \u201cnada divino\u201d, o Tao ou o Ain Sof, devemos recorrer \u00e0 linguagem das imagens. Essa linguagem visual deve, ent\u00e3o, ter o mesmo significado para todos. Os n\u00fameros ocupam um lugar \u00fanico no mundo do simbolismo, por isso optamos por essa linguagem visual.<\/p>\n<p>Quando partimos de certo n\u00famero, devemos perceber que os n\u00fameros n\u00e3o foram experimentados da mesma maneira ao longo de todos os tempos. Isso pode soar estranho, porque voc\u00ea pode pensar que a soma de 1 mais 1 dar\u00e1 um resultado igual para todos e em todos os tempos. Claro, isso \u00e9 verdade. No entanto, dessa forma, estamos apenas usando o conceito quantitativo de um n\u00famero, mas, al\u00e9m do valor quantitativo, tamb\u00e9m podemos experimentar o n\u00famero como uma qualidade.<\/p>\n<p>Em nosso tempo, o conceito qualitativo de um n\u00famero foi colocado em segundo plano. Isso nem sempre foi assim. Em culturas anteriores, os antigos videntes experimentavam atrav\u00e9s de revela\u00e7\u00f5es o que os cientistas modernos confirmam por meio de f\u00f3rmulas. Onde o homem moderno v\u00ea meras coisas, o antigo fil\u00f3sofo matem\u00e1tico via processos que ele podia converter em n\u00fameros, revelando-lhe, assim, os mist\u00e9rios da vida. O s\u00e1bio do passado distante, como vemos agora na natureza, via a m\u00e3o de Deus nas estruturas num\u00e9ricas.<\/p>\n<p>Portanto, para Pit\u00e1goras, o matem\u00e1tico grego do sexto s\u00e9culo a.C., a matem\u00e1tica era a base espiritual do Todo. Para ele, tudo que existe no espa\u00e7o poderia ser reduzido a rela\u00e7\u00f5es num\u00e9ricas. Pit\u00e1goras tamb\u00e9m assumiu dois mundos: a natureza espiritual e a material, na qual o esp\u00edrito governa sobre a mat\u00e9ria. Para ele, a mat\u00e9ria era apenas esp\u00edrito congelado, cristalizado, que devia ser lentamente dissolvido, liberado por uma mudan\u00e7a na consci\u00eancia humana.<\/p>\n<p>O n\u00famero 10 era importante para os pitag\u00f3ricos. Eles calculavam esse n\u00famero da seguinte forma: 1+2+3+4=10 e, para visualizar o todo, colocavam esses n\u00fameros como pontos em um tri\u00e2ngulo. Um ponto no topo do \u00e1pice do tri\u00e2ngulo, dois pontos abaixo deste, tr\u00eas pontos novamente abaixo disso, e finalmente, na base do tri\u00e2ngulo, os \u00faltimos quatro pontos.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Tretaktys.png\" \/><\/p>\n<p>Com os n\u00fameros de 1 a 4, eles podiam compreender o Todo em sua totalidade. Todo o desenvolvimento da cria\u00e7\u00e3o, de acordo com essa vis\u00e3o, procede do 1, passando pelo 2, pelo 3 e ent\u00e3o pelo 4, que em sua totalidade formam a plenitude do dez. J\u00e1 tocamos nessa plenitude criativa com as dez Sephiroth da \u00c1rvore da Vida, que representam a cria\u00e7\u00e3o do Todo. As dez Sephiroth relacionam-se com as dez palavras da cria\u00e7\u00e3o de G\u00eanesis, que come\u00e7am com:<\/p>\n<blockquote><p><em>E Deus disse&#8230;<\/em><sup>6<\/sup><\/p><\/blockquote>\n<p>O mundo como o conhecemos \u00e9 um mundo de divis\u00f5es, um mundo de contradi\u00e7\u00f5es. Isso por si s\u00f3 \u00e9 um fato muito importante. N\u00e3o podemos imaginar nada no mundo f\u00edsico que n\u00e3o possa ter seu oposto. Esse contraste, que na verdade esconde o n\u00famero dois, \u00e9 lindamente representado no Pentateuco judaico, que compreende os primeiros cinco livros do Antigo Testamento. A primeira palavra de G\u00eanesis no texto hebraico come\u00e7a com o <em>beth<\/em>, a segunda letra do alfabeto com valor num\u00e9rico de dois. Portanto, a cria\u00e7\u00e3o n\u00e3o come\u00e7a com o um, mas imediatamente com o valor num\u00e9rico qualitativo do dois! Na verdade, com essa imagem em mente, podemos concluir que o valor qualitativo do n\u00famero um n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel em nosso mundo f\u00edsico. Vivemos em um mundo onde o dois ou o m\u00faltiplo do n\u00famero dois reina! Portanto, para os pitag\u00f3ricos, o n\u00famero quatro bastava para designar o mundo da natureza f\u00edsica: pois 4 \u00e9 2 ao quadrado, o limite absoluto desta natureza! Ao contr\u00e1rio do 2 ou do 4, o 1 permanece, e essa unidade n\u00e3o \u00e9 desta natureza, mas evidentemente pertence a uma outra ordem. Al\u00e9m disso, por exemplo, a \u00faltima letra do alfabeto hebraico tem um valor num\u00e9rico de 400 (os zeros s\u00e3o secund\u00e1rios), e qualquer coisa acima de 400 n\u00e3o pertence \u00e0 natureza f\u00edsica! N\u00e3o h\u00e1 letras ou sinais para o 500; ent\u00e3o estamos de volta ao mundo do sil\u00eancio. A jornada do homem na mat\u00e9ria, portanto, acabou.<\/p>\n<p>Agora podemos imaginar melhor essa unidade como a m\u00f4nada, a forma esf\u00e9rica, que, ao contr\u00e1rio de outras formas, consiste apenas em 1 face. Os gn\u00f3sticos experimentam esse plano \u00fanico, essa m\u00f4nada, como a for\u00e7a silenciosa ao fundo, que \u00e9 im\u00f3vel e da qual tudo surgiu. Portanto, os antigos videntes viram a m\u00f4nada, a unidade, o um, n\u00e3o como um n\u00famero, mas como o gerador de n\u00fameros, do qual, como sementes, tudo surgiu.<\/p>\n<p>A primeira manifesta\u00e7\u00e3o do mundo divino, que agora podemos associar ao n\u00famero 1, \u00e9 uma atividade, uma radia\u00e7\u00e3o, uma emana\u00e7\u00e3o do Ain Sof. \u00c9 como um raio de luz, um chamado divino de outro mundo silencioso que nos convida a encontr\u00e1-lo. Essa emana\u00e7\u00e3o do Nada insond\u00e1vel \u00e9 a primeira letra do alfabeto hebraico, o Aleph, e \u00e9 como uma gota, uma semente que quer encontrar um parceiro na terra. Essa gota divina quer ser conhecida e refletida puramente em sua forma mon\u00e1dica, inequ\u00edvoca. Afinal, o Amor \u00e9 cria\u00e7\u00e3o, e a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 Amor. Deus, em seu amor, esfor\u00e7a-se para ser reconhecido e conhecido aqui. Ele nos chama do Nada divino, e nesse mesmo momento o Amor gera sua contraparte terrestre: os dois se enfrentam.<\/p>\n<p>A gota celestial s\u00f3 pode ser espelhada na terra atrav\u00e9s da atividade do homem. Ele deve tornar o espelho refletor de sua alma t\u00e3o claro que o divino, em sua mais pura forma, seja refletido na terra por meio dele como uma divina unidade.<\/p>\n<p>Quando sua alma n\u00e3o est\u00e1 presa aos movimentos terrenos, o espelho de sua alma est\u00e1 livre de qualquer mancha, e a luz divina \u00e9 refletida em seu esplendor. Isso \u00e9 maravilhosamente representado pela primeira letra hebraica Aleph, com o valor num\u00e9rico de 1.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Aleph-1.png\" width=\"213\" height=\"213\" \/><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2023\/05\/Aleph-2.jpg\" \/><\/p>\n<p>Infelizmente, na maioria dos casos, essa gota divina do incognosc\u00edvel Ain Sof encontra na terra um participante que pode formar apenas uma t\u00eanue sombra da sublime unidade divina. O espelho da alma ainda est\u00e1 muito emba\u00e7ado devido ao foco terreno e a luz n\u00e3o pode penetrar nas profundezas da alma. Ent\u00e3o, a luz da unidade sobrenatural no mundo f\u00edsico torna-se uma multiplicidade de formas, um mundo dualista no qual reinam os opostos. A gota mon\u00e1dica ent\u00e3o encontra seu reflexo apenas em um estado fragmentado (veja a segunda figura da gota). A cessa\u00e7\u00e3o desse estado de ruptura s\u00f3 poder\u00e1 ocorrer quando todo o sistema humano descansar.<\/p>\n<p>Lao Ts\u00e9 diz a esse respeito:<\/p>\n<blockquote><p><em>Quem pode purificar para a paz as impurezas de seu cora\u00e7\u00e3o?<\/em><\/p>\n<p><em>Quem pode nascer gradualmente no Tao pela pr\u00e1tica prolongada da calma?<\/em> [7]<\/p><\/blockquote>\n<p>A fragmenta\u00e7\u00e3o da unidade divina, atrav\u00e9s do tumulto na alma humana, \u00e9 um fato expresso em muitos mitos. O mito eg\u00edpcio de Os\u00edris e \u00cdsis \u00e9 um exemplo claro disso. Ele conta como Os\u00edris, representante do verdadeiro eu do homem que prov\u00e9m do mundo divino, concentra-se exclusivamente no espiritual. No entanto, ele tem um irm\u00e3o, Seth, a contraparte sombria que n\u00e3o se concentra no esp\u00edrito, mas na mat\u00e9ria. Seth, tamb\u00e9m chamado de Typhon, representa a tend\u00eancia do homem de se lan\u00e7ar na realiza\u00e7\u00e3o de seus desejos. Ambos os irm\u00e3os poderiam ter sido parceiros equilibrados se Os\u00edris tivesse controlado seu irm\u00e3o Seth. O espiritual teria ent\u00e3o governado o mundo dos sentidos, que o teria obedecido. Mas a hist\u00f3ria \u00e9 diferente. O mito eg\u00edpcio conta que Seth mata seu irm\u00e3o, divide seu corpo em peda\u00e7os e os espalha pelo mundo. Essa imagem \u00e9 paralela \u00e0 poderosa gota divina, a m\u00f4nada projetada no mundo material em forma fragmentada e se desintegra, por assim dizer, em in\u00fameras part\u00edculas.<\/p>\n<p>Passamos a conhecer a esfera ou m\u00f4nada como a unidade divina, que se eleva acima da fragmenta\u00e7\u00e3o da natureza dualista. N\u00e3o \u00e9 por acaso que na l\u00edngua hebraica os termos \u201cDeus\u201d, \u201cAmor\u201d e \u201cUnidade\u201d t\u00eam o mesmo valor num\u00e9rico. Esses conceitos est\u00e3o irrefutavelmente interligados porque Deus \u00e9 Amor, \u00e9 Um. Podemos ainda acrescentar um quarto conceito: verdade. No nosso mundo, o significado do conceito de \u201cverdade\u201d \u00e9 diferente para cada pessoa. Por\u00e9m, partindo de uma hip\u00f3tese de trabalho e tomando a m\u00f4nada como s\u00edmbolo do Tao, podemos concluir por meio de um exemplo simples que a unidade divina \u00e9 igualmente vivenciada por todos. Para provar isso, devemos apelar \u00e0 sua imagina\u00e7\u00e3o. Imagine que estamos todos juntos numa esfera imensa, a m\u00f4nada. Todos, onde quer que estejam, ter\u00e3o a mesma percep\u00e7\u00e3o desse globo. Mesmo que nos coloquemos fora dessa imensa e grande esfera, todos ter\u00e3o a mesma percep\u00e7\u00e3o! Portanto, a m\u00f4nada, o plano \u00fanico da forma esf\u00e9rica, o n\u00famero 1, \u00e9 o s\u00edmbolo por excel\u00eancia da Divindade que se expressa em nosso mundo, como a primeira emana\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Esse \u00fanico plano, o n\u00famero 1, \u00e9 diametralmente oposto ao n\u00famero 4 da natureza f\u00edsica. Tamb\u00e9m para os pitag\u00f3ricos, o 1 formava a fronteira para o mundo transcendental que n\u00e3o pode ser experimentado no mundo material do 4. Embora essas duas naturezas diferentes n\u00e3o possam ser misturadas, rapidamente comete-se o erro de pensar que o divino deve estar muito distante de n\u00f3s, humanos, o 4. No entanto, nada poderia estar mais longe da verdade! Ele est\u00e1 mais perto do que m\u00e3os e p\u00e9s, s\u00f3 que ainda est\u00e1 latente em n\u00f3s! Ainda precisa ser ativado.<\/p>\n<p>O enigma desse aparente paradoxo s\u00f3 pode ser resolvido tornando o espelho da nossa alma t\u00e3o claro que seja capaz de receber e refletir o divino em sua verdadeira ess\u00eancia. Como tornamos nossas almas receptivas a essa inspira\u00e7\u00e3o divina que vem da outra natureza? Para conseguir isso, Lao Ts\u00e9 refere-se ao princ\u00edpio Wu-Wei, que significa \u201cn\u00e3o fazer\u201d, o desapego deste mundo. Essa \u00e9 a chave de todos os magos gn\u00f3sticos, que nos leva para fora do mundo do \u201cfazer\u201d, do ser, para o mundo do n\u00e3o-fazer, do n\u00e3o-ser. Quando um ser humano \u00e9 capaz de usar essa chave, ent\u00e3o, atrav\u00e9s de tal ato, toda a natureza humana \u00e9 retrabalhada e elevada para outra dimens\u00e3o. Confirmam-se ent\u00e3o as palavras gn\u00f3stico-m\u00e1gicas de Lao Ts\u00e9, que, de um passado distante, nos fala de forma inspiradora:<\/p>\n<blockquote><p><em>O c\u00e9u e a terra se uniriam e fariam cair um suave orvalho, e as pessoas entrariam em harmonia espontaneamente, sem necessidade de serem avisadas.<\/em><\/p>\n<p><em>Quando Tao foi distribu\u00eddo, recebeu um nome.<\/em><\/p>\n<p><em>Com esse nome \u00e9 preciso saber se conter.<\/em><\/p>\n<p><em>Quem consegue se conter n\u00e3o correr\u00e1 perigo.<\/em><\/p>\n<p><em>Tao ser\u00e1 espalhado por todo o Todo. Todas as coisas retornar\u00e3o ao Tao, como os riachos das montanhas, que retornam aos rios e depois ao mar<\/em>.<sup>8<\/sup><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias:<\/strong><\/p>\n<p>[1] Petri, Catharose de e Rijckenborgh, Jan van \u2013 A Gnosis Chinesa \u2013 Coment\u00e1rios sobre o Tao Te King, cap\u00edtulo 1, Editora Rosacruz, Jarinu, 2006<\/p>\n<p>[2] A Teologia M\u00edstica de PSEUDO-DION\u00cdSIO, O AREOPAGITA<\/p>\n<p>[3] Ibidem, cap\u00edtulo 4<\/p>\n<p>[4] Ibidem, cap\u00edtulo 1<\/p>\n<p>[5] Ibidem, cap\u00edtulo 2<\/p>\n<p>[6] G\u00eanesis 1:3<\/p>\n<p>[7] Ibidem, cap\u00edtulo 15<\/p>\n<p>[8] Ibidem, cap\u00edtulo 32<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"author":923,"featured_media":102397,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110095],"tags_english_":[],"class_list":["post-108007","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-science-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/108007","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/923"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/102397"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=108007"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=108007"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=108007"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=108007"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}