{"id":105312,"date":"2023-10-03T15:24:33","date_gmt":"2023-10-03T15:24:33","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/logon_article\/a-alma-em-questao\/"},"modified":"2024-02-17T13:06:07","modified_gmt":"2024-02-17T13:06:07","slug":"a-alma-em-questao","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/a-alma-em-questao\/","title":{"rendered":"A Alma em Quest\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><strong>Voc\u00ea prefere ouvir este artigo? <\/strong><\/p>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-105312-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/A-alma-em-questao-final.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/A-alma-em-questao-final.mp3\">https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/A-alma-em-questao-final.mp3<\/a><\/audio>\n<p><em>Meu pensamento comum n\u00e3o me revela de forma suficientemente objetiva o que sou e a minha realidade, e menos ainda a minha vida. A Alma Viva \u00e9 uma realidade ao alcance da alma, mas n\u00e3o ao alcance do corpo. No entanto, \u00e9 na vida, no presente do corpo, que tudo se desdobra.<\/em><\/p>\n<p>Quem \u00e9 a minha alma? Que rela\u00e7\u00e3o tenho com minha alma? Ser\u00e1 que eu a conhe\u00e7o? Sem conhec\u00ea-la, posso realmente conhecer-me?<\/p>\n<p>Eu tentava compreender meu ser como um corpo animado pelo pensamento e pela psique, mas descobri que h\u00e1 mais riqueza interior do que eu pensava. Sim, meu corpo \u00e9 animado, animado por uma alma. Mas quem \u00e9 ela?<\/p>\n<p>Ela \u00e9 mais profunda, mais vivificante do que eu poderia supor. Ao querer conhecer a mim mesmo explorando meu passado, minha heran\u00e7a, meu inconsciente, minha psique, gravitei em torno de seu mist\u00e9rio. Mas h\u00e1 v\u00e1rias camadas, como uma cebola que descascamos. Posso alcan\u00e7ar o seu centro? Encontrarei nele o g\u00e9rmen da planta vindoura, ou o da minha realidade profunda?<\/p>\n<p>E mesmo o meu corpo, o corpo hoje t\u00e3o bem \u201ccartografado\u201d gra\u00e7as aos dispositivos modernos, meu corpo que nem sempre \u00e9 plenamente capaz de se regenerar, ser\u00e1 que eu o conhe\u00e7o bem? Ser\u00e1 que conhe\u00e7o o seu \u00edntimo, o funcionamento daquilo que ocorre a cada minuto em meu interior, e que possibilita a minha vida? E minha vida? O que compreendo dela?<\/p>\n<p>Os estratos dessas quest\u00f5es me fazem perceber que essa curiosa forma de sentir e pensar que o ser humano possui oculta-lhe, na verdade, dados essenciais sobre si mesmo. Sim, o meu pensar habitual, tal como se articula com meus sentimentos, n\u00e3o me informa de maneira suficientemente objetiva sobre mim mesmo e sobre a realidade, e menos ainda sobre a minha vida. Quero libertar-me dessa limita\u00e7\u00e3o e encontrar uma abordagem de mim mesmo mais pr\u00f3xima da realidade. Ser\u00e1 que eu consigo me perceber de outra forma?<\/p>\n<p>Esta alma em mim se revela de um modo completamente distinto do que eu esperava. Ela possui v\u00e1rias dimens\u00f5es. Uma \u00e9 o aspecto imaterial dos fen\u00f4menos corporais que determinam a minha vida. Sim, ela anima meu corpo. Ela \u00e9 a minha vida biol\u00f3gica em seu movimento, sua fluidez, sua energia sutil, sua anima\u00e7\u00e3o encarnada (in carne = na carne). Ela \u00e9 tamb\u00e9m a minha vida, e por sua qualidade, sua maneira de ser, ela \u00e9 minha qualidade de ser, minha singularidade. Minhas for\u00e7as e minhas fraquezas, minha unicidade.<\/p>\n<p>Ela se interessa pela realidade, pela sensa\u00e7\u00e3o, anima minha interface corporal com o mundo, com meus pares. Ela corre em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 realidade superior, em dire\u00e7\u00e3o a c\u00e9us imensos, sobre a qual meus sentidos n\u00e3o me falam. Ent\u00e3o ela \u00e9 tens\u00e3o, impot\u00eancia, car\u00eancia. Ela se choca contra os muros do meu corpo, da minha reatividade, contra os limites do meu pensamento que n\u00e3o capta a sua ess\u00eancia real. Mais serena, ela me prop\u00f5e outros caminhos, outros modos de perceber, de ser.<\/p>\n<p>Apesar de sobrecarregada, encapsulada nas emo\u00e7\u00f5es, nos humores, nas preocupa\u00e7\u00f5es que meu pensamento alimenta ou que alimentam os meus pensamentos, ela tem a possibilidade de ascender \u00e0 uma realidade mais flamejante. Quando sua luz \u00abpr\u00f3pria\u00bb individual \u00e9 irrigada por uma luz mais poderosa, mais universal, por uma vida superior, sua natureza \u00e9 transformada.<\/p>\n<p>Eu percebo, eu constato que, nutrida, \u201cconectada\u201d \u00e0 dimens\u00e3o espiritual, ela adquire por si mesma caracter\u00edsticas mais universais. Isso repercute na minha vida. Sem d\u00favida, a alma \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o, tem a qualidade de quem a porta, e esse \u00f3rg\u00e3o tem uma voca\u00e7\u00e3o mais essencial.<\/p>\n<p>Eu descubro que essas perguntas tinham um prop\u00f3sito: impulsionar-me para seu devir consciente.<\/p>\n<p>A alma tem seu pr\u00f3prio devir no \u00e2mago da minha vida. Iniciando como uma alma biol\u00f3gica, se destina a ser uma alma consciente e vivente. E todos os ideais com os quais tinha afinidade adquirem sentido em torno de sua aspira\u00e7\u00e3o absoluta: liberdade, autonomia, perfei\u00e7\u00e3o, pot\u00eancia, conex\u00e3o com os outros, beleza, compartilhamento, colabora\u00e7\u00e3o ideal, amor\u2026<\/p>\n<p>Essa necessidade que n\u00e3o \u00e9 evidente no decorrer da vida, mais ardente para uns do que para outros, muito al\u00e9m das necessidades de sobreviv\u00eancia do corpo, \u00e9 dela que esse ideais se originam. Especificidade do ser humano que aspira ao que n\u00e3o pode ser. Quanto mais a consci\u00eancia se aprofunda na descoberta de suas necessidades que se tornam imperativas, mais sens\u00edvel se torna tudo o que delas nos separa.<\/p>\n<p>E percebo que \u00e9 um caminho espiritual, e que isso n\u00e3o tem nada de m\u00edstico, obscuro ou f\u00e1cil. A alma vivente \u00e9 uma realidade ao alcance da alma, mas n\u00e3o ao alcance do corpo. E, contudo, eu sei cada vez mais claramente que \u00e9 na vida, no presente do corpo, que tudo acontece. Essa liga\u00e7\u00e3o a uma for\u00e7a superior que percebo no \u00e2mago da minha vida, no \u00e2mago do meu ser, \u00e9 a liga\u00e7\u00e3o de minha alma com a sua realidade. \u00c9 um pr\u00e9-requisito para dar um passo adiante. E o meu corpo resiste. Minha maneira de apreciar ou desaprovar, de acolher ou rejeitar, e por conseguinte, refor\u00e7ar minha liga\u00e7\u00e3o com meus aspectos mais reativos, o meu modo de confirmar a mim mesmo a realidade do ego, est\u00e1 em contradi\u00e7\u00e3o com uma possibilidade da alma. Esse paradoxo, eu n\u00e3o o previ. Ele se torna crucial, insol\u00favel, conflito, renegocia\u00e7\u00e3o interior do aceit\u00e1vel e do confort\u00e1vel. Nega\u00e7\u00e3o e descoberta. Crescimento, deslumbramento e recusa. Descobertas e decep\u00e7\u00f5es, e todas as modalidades do ser tecidas ao longo dos dias da hist\u00f3ria de uma vida, de seus epis\u00f3dios.<\/p>\n<p>\u00c0 medida que ocorrem estes desencontros entre a alma, a personalidade, o ego, eu apreendo o lugar, o papel de cada um. No decorrer do tempo desses movimentos, dessa ordena\u00e7\u00e3o, dessa articula\u00e7\u00e3o, surge um novo elemento: a alma n\u00e3o est\u00e1 s\u00f3. Em ess\u00eancia, ela \u00e9 o oposto da individualidade. E todas essas perguntas, incluindo as relativas \u00e0 solid\u00e3o, ao sentimento de abandono, \u00e0 busca por amor, tomam forma em uma realidade unificada: para a alma nada est\u00e1 separado. Sua trama de ser constitui outra modalidade de vida. Agora ela sabe como me fazer experiment\u00e1-la. E essa realidade de ser n\u00e3o me pertence. Para aceitar a aus\u00eancia dos limites, \u00e9 preciso renunciar ao ego.<\/p>\n","protected":false},"author":923,"featured_media":3264,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110108],"tags_english_":[],"class_list":["post-105312","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-spiritsoul-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/105312","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/923"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3264"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=105312"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=105312"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=105312"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=105312"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}