{"id":104344,"date":"2023-08-21T23:23:24","date_gmt":"2023-08-21T23:23:24","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/logon_article\/transformar-a-sombra-em-luz\/"},"modified":"2024-02-17T13:11:03","modified_gmt":"2024-02-17T13:11:03","slug":"transformar-a-sombra-em-luz","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/transformar-a-sombra-em-luz\/","title":{"rendered":"Transformar a sombra em luz"},"content":{"rendered":"<p><strong>Voc\u00ea prefere ouvir este artigo? <\/strong><\/p>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-104344-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Transformar-sombra-em-luz-final.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Transformar-sombra-em-luz-final.mp3\">https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2024\/02\/Transformar-sombra-em-luz-final.mp3<\/a><\/audio>\n<blockquote><p>\u201cQuando todos sob o c\u00e9u afirmam que o belo \u00e9 belo,<br \/>\no feio se manifesta.<br \/>\nQuando todos pensam saber t\u00e3o bem o que \u00e9 bom,<br \/>\no mau se manifesta.<br \/>\nO ser e o n\u00e3o ser geram um ao outro.<br \/>\nO dif\u00edcil e o f\u00e1cil produzem um ao outro.<br \/>\nO comprido e o curto provocam mutuamente<br \/>\nas diferen\u00e7as na forma.<br \/>\nPor isso, o s\u00e1bio<br \/>\nfaz do n\u00e3o fazer sua tarefa;<br \/>\nele ensina sem usar palavras.<br \/>\nQuando a obra est\u00e1 terminada,<br \/>\nele n\u00e3o se prende a ela;<br \/>\ne justamente por n\u00e3o prender-se a ela,<br \/>\nela n\u00e3o o abandona.\u201d<\/p>\n<p>Tao Te King, cap\u00edtulo 2<\/p><\/blockquote>\n<p>Quem vive na luz n\u00e3o tem sombra, sabe reconhecer o que n\u00e3o est\u00e1 na luz porque v\u00ea no escuro. Quem vive na luz v\u00ea o que a luz mostra na sua tonalidade, sem nuances, em sua plena realidade. Tem todas as coisas em si, \u00e9 uno com tudo e com todos e, porque n\u00e3o exige nem recusa, n\u00e3o sofre nenhuma perda.<\/p>\n<p>Quando dizemos \u201cbonito\u201d, n\u00f3s separamos. Se dizemos \u201cn\u00e3o \u00e9 bom\u201d e assim pensamos ou sentimos, delimitamos. E se dizemos \u201calto\u201d, criamos o baixo. O que \u00e9 separado cria uma sombra. N\u00e3o desaparece se o exclu\u00edmos, pois nada pode desaparecer. Para onde poderia desaparecer? N\u00e3o \u00e9 tudo uma unidade? Mas o exclu\u00eddo, ent\u00e3o, se expressa de outra forma: como deslocado, escravizado. \u00c9 uma dualidade manifesta na qual os opostos, a polaridade, n\u00e3o s\u00e3o vistos e aceitos como os dois polos da realidade de uma e mesma vida.<\/p>\n<p>Quem separa por falta de aceita\u00e7\u00e3o perde contato com o que n\u00e3o aceita; contudo, o que n\u00e3o foi aceito continua existindo, e \u00e9 carregado consigo como uma sombra. Ele identifica sua personalidade com o que aceita, e isso se torna uma &#8220;imagem&#8221; de si que n\u00e3o corresponde \u00e0 realidade.<\/p>\n<p>Considerando-se justo, ele exclui definitivamente a possibilidade de ser injusto. Sua pr\u00f3pria retid\u00e3o \u00e9, ent\u00e3o, julgada de modo muito elevado, e surge um julgamento de valor que calcula e pesa tudo a\u00a0 favor ou contra. Assim, ele se coloca deste lado e n\u00e3o do outro, porque uma coisa lhe parece boa e a outra n\u00e3o. A tend\u00eancia de se afastar de um polo torna-se um h\u00e1bito que logo leva \u00e0 escravid\u00e3o e se ancora em uma parte da consci\u00eancia, distorcendo a realidade.<\/p>\n<p>Tudo o que n\u00e3o queremos aceitar em nossa identidade torna-se, para n\u00f3s, uma sombra, n\u00e3o na luz, n\u00e3o na vida, n\u00e3o na realidade, n\u00e3o na verdade \u2014 mas ao lado delas. Essa sombra surge diretamente das imagens mentais criadas por n\u00f3s, imagens que nosso &#8220;eu&#8221; imagina, mas que desconhecemos.<\/p>\n<p>Chamamos de sombras todas as possibilidades rejeitadas da realidade que o ser humano n\u00e3o v\u00ea ou n\u00e3o quer ver. A sombra \u00e9 seu maior perigo porque ele a possui sem saber. Tudo que o ser humano esconde inconscientemente e o que mais teme encontrar em si ele projeta como um mal an\u00f4nimo no mundo exterior. Assim, o que uma pessoa mais teme ver em si a mant\u00e9m em constante movimento na maior parte do tempo e a torna sempre medrosa e na defensiva. Ao mesmo tempo, ela n\u00e3o sabe e n\u00e3o tem consci\u00eancia de que o medo surge da rejei\u00e7\u00e3o da sua pr\u00f3pria realidade.<\/p>\n<p>O ser humano est\u00e1 envolto nessa cegueira, nesse n\u00e3o ver. At\u00e9 a morte ele estar\u00e1 preso \u00e0s suas identifica\u00e7\u00f5es e proje\u00e7\u00f5es e ser\u00e1 seu escravo. Essas proje\u00e7\u00f5es e identifica\u00e7\u00f5es demonstram exclus\u00e3o e mostram a sombra, o que significa que o que n\u00e3o queremos aceitar em n\u00f3s mesmos transferimos para fora para v\u00ea-lo e combat\u00ea-lo do lado de fora. Ent\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o temos nada a ver com isso, porque nos &amp;quot;livramos&amp;quot; dele. Mas isso \u00e9 uma ilus\u00e3o, porque o \u201ceu\u201d, formado apenas por aquilo com que se identifica, \u00e9 respons\u00e1vel por nossa separa\u00e7\u00e3o de toda a exist\u00eancia.<\/p>\n<p>Nosso ego carrega essa exclus\u00e3o como uma sombra ao nosso redor. A sombra \u00e9 escura, dificultadora, incita medo e, como uma corrente, prende o prisioneiro. Por\u00e9m, a sombra nunca existe sozinha, ela est\u00e1 conectada \u00e0 luz da realidade e, para desaparecer, precisa retornar \u00e0 luz. Deve tornar-se luz. Portanto, o buscador da luz sempre encontrar\u00e1 sua pr\u00f3pria sombra e, primeiro, dever\u00e1 transferir sua pr\u00f3pria sombra para a luz. Tal pessoa ter\u00e1 que aceitar o vil, assumir o exclu\u00eddo, libertar o que n\u00e3o est\u00e1 livre, vivendo ambos os polos dentro de si, n\u00e3o s\u00f3 em esp\u00edrito, mas com toda a sua alma e todo o seu corpo. De fato, mesmo quando a menor no\u00e7\u00e3o do bem ou do mal permanece em n\u00f3s,<br \/>\ndefinhamos devido \u00e0 nossa sombra. A sombra nos leva \u00e0 morte, que \u00e9 a sombra da vida. A sombra nos prende firmemente, n\u00e3o nos solta, impede-nos de viver a vida em sua plenitude. Al\u00e9m disso, mesmo com a menor ideia de sombra, n\u00e3o nos encontraremos na plenitude da luz, nem na plenitude da vida, nem na unidade. A morte, a sombra e o mal est\u00e3o t\u00e3o intimamente relacionados quanto poss\u00edvel e s\u00e3o o lado escuro do bem, e, portanto, n\u00e3o t\u00eam diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>Carregamos a imagem da sombra com tudo que n\u00e3o consideramos bom e chamamos de mau. O que n\u00e3o consideramos bom n\u00e3o queremos ver, reprimimos, suprimimos, e o que reprimimos expulsamos de nossa consci\u00eancia. Empurramos para o inconsciente tudo que n\u00e3o queremos e n\u00e3o gostamos; e ent\u00e3o nada temos a ver com isso. Nada sabemos disso. Mas tudo est\u00e1 l\u00e1. Como uma realidade obscura que vem constantemente \u00e0 tona, como uma tens\u00e3o nas \u00e1reas do inconsciente. Essa tens\u00e3o espalha seus tent\u00e1culos para fora e, onde percebemos o mal e o indesejado, lutamos contra eles. Essa a\u00e7\u00e3o \u00e9 uma necessidade para n\u00f3s. Parece n\u00e3o s\u00f3 justific\u00e1vel, mas mesmo \u00e9tica e moralmente necess\u00e1rio combater e exterminar essa sombra, esse mal, onde e como se manifeste. E o ser humano que o vivencia n\u00e3o v\u00ea que est\u00e1 lutando contra seu pr\u00f3prio subconsciente, sua pr\u00f3pria sombra e sua pr\u00f3pria repress\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 o mundo que \u00e9 o mal, mas a perspectiva de quem se identifica com o bem e luta contra o mal. Os olhos do solit\u00e1rio s\u00f3 podem perceber separa\u00e7\u00e3o e divis\u00e3o. O ser humano est\u00e1 sob o feiti\u00e7o de uma luta t\u00e3o necess\u00e1ria, ao que lhe parece, contra o mal, que n\u00e3o percebe que todos os seus esfor\u00e7os s\u00e3o in\u00fateis e devem fracassar constantemente, porque o bem e o mal s\u00e3o dois aspectos da unidade e, portanto, dependem um do outro para continuar a existir. O bem vive no mal e o mal vive no bem. Quem conscientemente apoia o bem, inconscientemente alimenta o mal. Lutar contra o mal permite-nos superestimar o bem. Muitas vezes, com essa superestima\u00e7\u00e3o, adornamos a hipocrisia, a aparente bondade, com a qual orgulhosamente procuramos disfar\u00e7ar nosso nada e nossa irritabilidade. N\u00e3o se trata, portanto, de um bem que s\u00f3 pode ser bom porque s\u00f3 serve \u00e0 unidade, mas de um bem que exclui e, portanto, n\u00e3o pode ser bom porque causa tens\u00f5es e conflitos.<\/p>\n<p>O dif\u00edcil auto exame de consci\u00eancia que todos devem fazer n\u00e3o significa grandes perdas, sacrif\u00edcios, mas \u00e9 sempre um confronto com sua pr\u00f3pria sombra. Ele envolve a sensa\u00e7\u00e3o deprimente de enfrentar tudo o que um dia se rejeitou. O rosto e as m\u00e3os s\u00e3o as \u00fanicas partes expostas do corpo. Olhar algu\u00e9m ou algo no rosto significa v\u00ea-lo descoberto, v\u00ea-lo como ele \u00e9. Significa verdadeiramente perceber e compreender. Aceitar com as m\u00e3os limpas significa j\u00e1 n\u00e3o recusar, mas unir o separado, reconciliar os implac\u00e1vel. Ent\u00e3o o amor ser\u00e1 aceso, e sem amor n\u00e3o h\u00e1 vida.<\/p>\n<p>Aceitar o mal como a pr\u00f3pria polaridade e dualidade requer coragem. Coragem \u00e9 for\u00e7a. Por\u00e9m, \u00e9 coragem sem luta, \u00e9 calma. Significa adquirir o tipo de coragem que permite perseverar em equil\u00edbrio, sem oscila\u00e7\u00f5es. Sim, nessa jornada voc\u00ea ficar\u00e1 abalado, perturbado e assustado. Sua paz e apoio ser\u00e3o tirados de voc\u00ea e, com a perda desse suporte, voc\u00ea encontrar\u00e1 seu ego, que criou esse fundamento de paz como um substituto, como uma defesa contra o que n\u00e3o aceitamos. Somos escravos de sangue desses substitutos que nos impedem de ver a verdade. Durante algum tempo, esses substitutos nos d\u00e3o satisfa\u00e7\u00e3o. Eles nos oferecem uma libera\u00e7\u00e3o no tempo e na dualidade e, como estamos temporariamente libertos, n\u00e3o buscamos mais nada. Satisfazemos nossa fome, estamos saciados, mas n\u00e3o h\u00e1 realiza\u00e7\u00e3o real, n\u00e3o h\u00e1 liberdade real. A tens\u00e3o vibra sob a pele, em cada fibra, como uma press\u00e3o interior que intensifica as rea\u00e7\u00f5es de evitar e reprimir, e ent\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o pode ser descarregada, exceto mediante viol\u00eancia, ansiedade, agita\u00e7\u00e3o e v\u00edcios. A tens\u00e3o tamb\u00e9m se manifesta de outro lado, na dire\u00e7\u00e3o oposta: quando se trata da luta por ideais, humanismo, virtude etc., porque tens\u00e3o \u00e9 energia e energia leva a movimento. A energia deve fluir, e com a ajuda da energia podemos concretizar nossas ideias, dar-lhes forma e express\u00e1-las.<\/p>\n<p>O buscador da luz busca vida, busca apenas luz. A luz est\u00e1 em toda parte, dentro e fora. O buscador da luz busca apenas uma conex\u00e3o, uma conex\u00e3o com a luz. N\u00e3o \u00e9 detido por nenhum outro v\u00ednculo: dinheiro, poder, influ\u00eancia, conhecimento, dignidade, satisfa\u00e7\u00e3o, comida, misticismo, imagens mentais religiosas, imagens mentais comuns etc.. Cada evento \u00e9 para ele uma oportunidade, um convite \u00e0 verdade. Atrav\u00e9s de cada evento, atrav\u00e9s de cada pessoa, podemos nos conhecer, podemos observar nossas rea\u00e7\u00f5es como num espelho.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 amor: transformar a pr\u00f3pria sombra em luz. Confrontar o pr\u00f3prio eu com sua exclus\u00e3o, de modo que finalmente toda identifica\u00e7\u00e3o e proje\u00e7\u00e3o desapare\u00e7am. Isso \u00e9 ao mesmo tempo o fim do eu, o fim da sombra. Ent\u00e3o a realidade, o verdadeiro eu, preenche a forma, o corpo. A forma, ent\u00e3o, conecta- se com a fonte do amor e v\u00ea a mesma possibilidade de amor em todas as outras formas. \u00c9 por isso que Lao Tz\u00e9 diz: o iluminado completa a sua vida porque abarca, em si, tudo na unidade.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a mensagem de nossa era. Esta mensagem vibra nos \u00e9teres de nosso planeta; \u00e9 o impulso da vida. Deixe toda dualidade morrer. Na morte nada resta do velho, nada! Como j\u00e1 nada resta, h\u00e1 apenas vida, luz, sem sombra, sem morte. J\u00e1 n\u00e3o se fala de ego-personalidade, o ser humano elevou-se \u00e0 unidade. A alma rec\u00e9m-nascida e a luz s\u00e3o uma, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 sombra.<\/p>\n","protected":false},"author":917,"featured_media":101994,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110108],"tags_english_":[],"class_list":["post-104344","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-spiritsoul-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/104344","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/917"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/101994"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=104344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=104344"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=104344"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=104344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}