{"id":102690,"date":"2023-05-24T11:27:37","date_gmt":"2023-05-24T11:27:37","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/?post_type=logon_article&#038;p=102690"},"modified":"2025-01-01T16:18:44","modified_gmt":"2025-01-01T16:18:44","slug":"a-bolha-que-habitamos","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/a-bolha-que-habitamos\/","title":{"rendered":"A bolha que habitamos"},"content":{"rendered":"<p><iframe title=\"Spotify Embed: #111 A bolha que habitamos\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"152\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/episode\/6lDjWXMBVKK0vXoPGOrZ4M?si=UAsc7fcrSAemvB7B0Evusw&amp;utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outro dia, estava eu na estrada voltando para casa de \u00f4nibus, em uma viagem de longa dura\u00e7\u00e3o. Enquanto observava a paisagem externa, tinha todo o tempo do mundo para refletir sobre qualquer pensamento que surgisse. Convido voc\u00ea a vir comigo nessa viagem.<\/p>\n<p>Era in\u00edcio do dia e o sol estava luminoso, o que deixava tudo reluzente. O interior do \u00f4nibus era climatizado, com ar-condicionado, poltronas reclin\u00e1veis, muito confort\u00e1vel. Est\u00e1vamos n\u00f3s, os passageiros, protegidos do calor que sentimos ao descer em uma primeira parada para um lanche, um vapor quente do dia que provocava certa moleza acompanhada de leve tontura.<\/p>\n<p>Aquilo me fez perceber, que est\u00e1vamos como que encapsulados dentro do ve\u00edculo, envoltos por a\u00e7o e vidro, o que nos permitia ver o mundo l\u00e1 fora, mas n\u00e3o sentir realmente o que acontecia para al\u00e9m das paredes do \u00f4nibus. De certa maneira, isso nos protegia e nos isolava.<\/p>\n<p>Em um dado momento, parei de contemplar a paisagem e procurei interagir com amigos atrav\u00e9s do meu smartphone. Isso me distraiu bastante, nem vi o tempo passar, e quando paramos para o almo\u00e7o \u00e9 que me dei conta do corrido das horas.<\/p>\n<p>Ao descer na parada, outro choque t\u00e9rmico. Sair daquele conforto e prote\u00e7\u00e3o foi muito inc\u00f4modo, embora estivesse faminto. Enquanto aguardava meu pedido, um pensamento me visitou: estava eu dentro de um \u00f4nibus com v\u00e1rios passageiros, cada um mergulhado em seu infinito particular, seus celulares, navegando nas redes sociais e interagindo com pessoas, fora dali. Al\u00e9m de estarmos protegidos do calor de fora, est\u00e1vamos protegidos uns dos outros de intera\u00e7\u00e3o real.<\/p>\n<p>O que nos separava dentro daquele ve\u00edculo?<\/p>\n<p>Seriam nossos h\u00e1bitos?<\/p>\n<p>Percebi t\u00e3o claro como um raio de luz daquele sol ardente, que cada um de n\u00f3s estava encerrado em seu mundinho pessoal, sua esfera de vida poss\u00edvel, como que dentro de uma bolha. Foi a\u00ed que tive uma vis\u00e3o de v\u00e1rias bolhas viventes, cada ser humano envolvido por uma esfera toda sua, e para onde quer que se locomovesse, estaria isolado e ilusoriamente protegido dos outros seres. Fiquei muito perturbado com aquela sensa\u00e7\u00e3o&#8230;. Meu almo\u00e7o chegou, fui me sentar.<\/p>\n<p>A partir daquele instante, parece que tudo mudou ao meu redor. Eu observava a tudo e a todos, percebendo agora que parecia haver uma membrana protetora me envolvendo todo. Eu podia observar as pessoas, elas nem percebiam minha presen\u00e7a, ocupadas o tempo todo com seus celulares, ou simplesmente com seus pensamentos particulares. Senti-me invis\u00edvel e foi uma experi\u00eancia interessante.<\/p>\n<p>Sou jovem, tenho 26 anos e fico tentando imaginar como era o mundo antes disso.<\/p>\n<p>Ser\u00e1 que as pessoas sempre viveram isoladas em si mesmas?<\/p>\n<p>Olhei para fora novamente, precisava sentir algo diferente, olhar para a terra, plantas e animais que estavam por ali ao redor desse local, que era um lugar simples, no meio do sert\u00e3o paraibano. A vegeta\u00e7\u00e3o era exuberante e n\u00e3o parecia cultivada, parecia tudo muito naturalmente \u201cdesorganizado\u201d, um caos em total harmonia.<\/p>\n<p>Sa\u00ed para fora, senti o sol arder em minha pele, senti os cheiros caracter\u00edsticos dali: uma mistura de perfume de flores, aroma de temperos e comida, odor de animais que pastavam no capim&#8230;respirei fundo. Fiquei parado por uns minutos que pareceram eternos de t\u00e3o intensamente presente que me senti.<\/p>\n<p>Voltamos ao \u00f4nibus e minha imagina\u00e7\u00e3o estava a mil.<\/p>\n<p>Imaginei que uma membrana envolvia cada um de n\u00f3s, e que essas possu\u00edam sensores que identificavam os tipos em semelhantes ou diferentes. Bolhas isoladas, dentro de uma bolha maior, em movimento, que por sua vez, se encontrava dentro da grande bolha planeta Terra.<\/p>\n<p>Por que s\u00f3 queremos conversar com quem pensa parecido conosco?<\/p>\n<p>Por que nos incomoda o diferente?<\/p>\n<p>Parei esse pensamento e fui para outro, que me levou \u00e0 primeira bolha \u00e0 qual pertenci, o ovo fecundado, antes mesmo de me tornar embri\u00e3o. A bolsa amni\u00f3tica que envolve o embri\u00e3o que se desenvolve no \u00fatero da m\u00e3e proporciona a este um espa\u00e7o em que ele pode se desenvolver livremente, e ajuda a proteger o embri\u00e3o contra les\u00f5es. A barriga \u00e9 uma bolha que protege e isola esse germe de vida no in\u00edcio dela, h\u00e1 um fundamento, um desenvolvimento e fortalecimento de um ser vivo!<\/p>\n<p>\u201cQuando o beb\u00ea atinge pleno desenvolvimento, ele nasce, e sua liga\u00e7\u00e3o e rela\u00e7\u00e3o com a m\u00e3e mudam completamente\u201d. Ele respira uma nova atmosfera, abre os olhos e v\u00ea, pela primeira vez, os olhos amorosos da m\u00e3e que agora o fitam diretamente, e o acolhem&#8230;\u201d (1)<\/p>\n<p>Quando a bolha \u00e9 rompida pelo beb\u00ea, ele \u00e9 acolhido em um novo mundo.<\/p>\n<p>Pensei em minha m\u00e3e e na m\u00e3e de todos n\u00f3s, a m\u00e3e Terra. A bolha maior, onde todos n\u00f3s cabemos.<\/p>\n<p>Como sair da bolha do isolamento e adentrar um novo mundo, um mundo real?<\/p>\n<p>Seria esse pensamento algo plaus\u00edvel ou apenas uma fantasia desses tempos t\u00e3o ricos em imagina\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Parece que algo dentro de mim me fustiga, me provoca, como se fosse um fogo que arde em meu peito e que quer romper amarras. Eu procuro olhares que me transmitam esse sentir para caminharmos juntos em busca dessa atmosfera. Sinto que existe esse lugar de ruptura dentro de meu ser, por onde possa entrar uma nova for\u00e7a que me impulsione para um novo desenvolvimento.<br \/>\n\u00c9 como se eu me sentisse um fruto maduro, pronto para romper a casca e deixar sementes pela terra para germinarem.<\/p>\n<p>Nossas c\u00e9lulas do corpo poderiam ser vistas como pequenas bolhas, que envolvem um n\u00facleo. Uma c\u00e9lula n\u00e3o vive isolada sem a outra. Quando uma c\u00e9lula adoece, o corpo todo entra em uma opera\u00e7\u00e3o de resgate da condi\u00e7\u00e3o de sa\u00fade anterior. As c\u00e9lulas trabalham em conjunto. Se as c\u00e9lulas sadias vencerem, o corpo se cura, caso contr\u00e1rio o corpo todo adoece. O que me faz pensar que o ego\u00edsmo \u00e9 um tipo de doen\u00e7a que pode ser curado.<\/p>\n<p>Meu \u00f4nibus est\u00e1 chegando ao meu destino. Essa viagem valeu ouro para mim, percorri dentro de mim uma jornada imersiva. Chego em minha terra natal cheio de for\u00e7as para procurar algo sobre como sair da bolha e encontrar companheiros e companheiras de caminho. N\u00e3o sei qual \u00e9 o caminho ainda, s\u00f3 sinto que o encontrarei. Sinto um desejo enorme de me movimentar, de caminhar, dan\u00e7ar, pular, abra\u00e7ar, cantar e conversar. Isso me parece uma vida poss\u00edvel e fora da bolha.<\/p>\n<p>Espero que voc\u00ea, leitor, que embarcou comigo, tenha gostado da viagem.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS:<br \/>\nLECTORIUM ROSICRUCIANUM. Caos Exterior, Despertar Interior, p. 147. Jarinu, SP, Pentagrama Publica\u00e7\u00f5es, 2021<\/p>\n","protected":false},"author":609,"featured_media":102505,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110108],"tags_english_":[],"class_list":["post-102690","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-spiritsoul-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/102690","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/609"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/102505"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=102690"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=102690"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=102690"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=102690"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}