{"id":100910,"date":"2023-03-06T03:50:13","date_gmt":"2023-03-06T03:50:13","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/logon_article\/deusa\/"},"modified":"2023-09-28T16:50:22","modified_gmt":"2023-09-28T16:50:22","slug":"deusa","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/deusa\/","title":{"rendered":"A Deusa"},"content":{"rendered":"<p><strong>Voc\u00ea prefere ouvir este artigo?<\/strong><\/p>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-100910-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/A-Deusa-Final.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/A-Deusa-Final.mp3\">https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/A-Deusa-Final.mp3<\/a><\/audio>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A era de Aquarius, na qual estamos entrando, tem uma influ\u00eancia muito decisiva no que poder\u00edamos chamar de \u201ca busca pelo feminino\u201d, ou \u201carqu\u00e9tipos femininos\u201d. Como resultado, enquanto o modelo de uma sociedade patriarcal vem sendo debatido numa crise profunda, \u201ca Deusa\u201d come\u00e7ou a recuperar seu antigo status. N\u00e3o \u00e9 somente uma quest\u00e3o de equalizar valores, direitos e posi\u00e7\u00e3o social de ambos os sexos, mas tamb\u00e9m de uma mudan\u00e7a profunda cultural e espiritual, na qual os aspectos femininos da alma (essencial em qualquer processo de autorrealiza\u00e7\u00e3o) come\u00e7am a ganhar o valor que merecem.<\/p>\n<p>Nem tampouco \u00e9 uma quest\u00e3o, claro, de impor \u201co feminino\u201d sobre \u201co masculino\u201d, mas antes de uma s\u00edntese essencial de ambos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil delimitar e definir o que a imagem da \u201cDeusa\u201d abrange. Se tiv\u00e9ssemos que sintetiz\u00e1-la em poucas palavras, dir\u00edamos que a Deusa encarna todos os processos da natureza: cria\u00e7\u00e3o, fertilidade, maternidade, sexualidade&#8230; Mas, tamb\u00e9m, aspectos que v\u00e3o al\u00e9m, aspectos arquet\u00edpicos associados \u00e0 nossa pr\u00f3pria mente e, igualmente, \u00e0 nossa pr\u00f3pria psique (alma).<\/p>\n<p><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-63323\" title=\"\" src=\"http:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/10-Auguste_Puttemans_Isis_2-pinterest.jpg\" alt=\"Isis\" width=\"640\" height=\"1096\" srcset=\"https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/10-Auguste_Puttemans_Isis_2-pinterest.jpg 640w, https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/10-Auguste_Puttemans_Isis_2-pinterest-175x300.jpg 175w, https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/10-Auguste_Puttemans_Isis_2-pinterest-598x1024.jpg 598w, https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/10-Auguste_Puttemans_Isis_2-pinterest-14x24.jpg 14w, https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/10-Auguste_Puttemans_Isis_2-pinterest-21x36.jpg 21w, https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2020\/07\/10-Auguste_Puttemans_Isis_2-pinterest-28x48.jpg 28w\" sizes=\"(max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A primeira coisa que percebemos \u00e9 que a manifesta\u00e7\u00e3o da Deusa compreende formas e estados muito diversos. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aprision\u00e1-la nos estere\u00f3tipos associados ao que, popularmente, costuma ser definido como &#8220;feminilidade&#8221;, pois \u00e9 algo muito mais complexo, que inclui aspectos como nascimento (vida), exist\u00eancia e destrui\u00e7\u00e3o (morte).<\/p>\n<p>Neste sentido, a Deusa engloba todos os opostos, incluindo o masculino e o feminino, o que d\u00e1 a vida e o que a tira.<\/p>\n<p>Na mitologia grega, o arqu\u00e9tipo da Grande M\u00e3e, como personifica\u00e7\u00e3o da M\u00e3e Terra, era representado por Gaia, a primeira cria\u00e7\u00e3o c\u00f3smica ap\u00f3s o Caos inicial (aquela coisa indefin\u00edvel que existia antes de tudo, e compar\u00e1vel \u00e0 grande escurid\u00e3o informe).<\/p>\n<p>&#8220;Antes de tudo era o Caos&#8221;, escreve Hes\u00edodo em sua Teogonia, &#8220;e depois disso Gaia com seus amplos seios, a sempre s\u00f3lida base de todos os Imortais que habitam os cumes do Olimpo nevado e o escuro T\u00e1rtaro&#8230;&#8221;<\/p>\n<p>Nesse sentido, parece evidente que Gaia se refere \u00e0 primeira emana\u00e7\u00e3o do Imanifestado (Caos) ou, em outras palavras, \u00e0 sua primeira manifesta\u00e7\u00e3o como mat\u00e9ria c\u00f3smica que, mais tarde, dar\u00e1 origem aos c\u00e9us (Uranus) e \u00e0s \u00e1guas (Pontus).<\/p>\n<p>Assim, em seu aspecto mais elevado, Gaia \u00e9 vista como a matriz de todas as coisas viventes (incluindo os c\u00e9us, os deuses do Olimpo e as \u00e1guas). Em seus aspectos mais densos, s\u00e3o os corpos da Terra. Referimo-nos a &#8220;corpos&#8221;, pois a Terra, como os seres humanos, tem sete corpos ou inv\u00f3lucros.<\/p>\n<p>Gaia foi posteriormente substitu\u00edda por sua filha Reia, \u00e0s vezes tamb\u00e9m chamada de Cibele, uma deusa fr\u00edgia, que era adorada em Roma como Magna Mater, a &#8220;Grande M\u00e3e&#8221;, e identificada com Ceres, a deusa romana da agricultura, equivalente \u00e0 Dem\u00e9ter grega. (Dem\u00e9ter e sua filha Pers\u00e9fone foram figuras centrais nos mist\u00e9rios de El\u00eausis).<\/p>\n<p>A Deusa e seu culto tiveram muitos nomes, embora seja sempre a mesma ess\u00eancia, que inclui tanto o que podemos chamar de mat\u00e9ria f\u00edsica densa quanto mat\u00e9ria da alma. O culto da Deusa M\u00e3e, pelo menos em seu aspecto gn\u00f3stico e mais luminoso, chegou at\u00e9 n\u00f3s, principalmente atrav\u00e9s da deusa eg\u00edpcia \u00cdsis.<\/p>\n<p>A criadora da Teosofia, H. P. Blavatsky, nos fala sobre isso.<\/p>\n<p>Como uma deusa de mist\u00e9rio, ela \u00e9 geralmente representada com o rosto coberto por um v\u00e9u impenetr\u00e1vel, e no frontisp\u00edcio de seu templo em Sais estavam escritas as seguintes palavras: \u201cEu sou tudo o que foi, \u00e9 e ser\u00e1, e nenhum mortal jamais removeu o v\u00e9u que esconde minha divindade dos olhos humanos\u201d. (H. P. Blavatsky, Gloss\u00e1rio Teos\u00f3fico).<\/p>\n<p>A imagem de \u00cdsis como m\u00e3e amamentando seu filho foi adotada pelo cristianismo, sob as in\u00fameras representa\u00e7\u00f5es da Virgem do Leite (vers\u00e3o crist\u00e3 de \u00cdsis amamentando H\u00f3rus) e da Virgem Maria com Jesus nos bra\u00e7os. Mas embora a imagem da Deusa tenha permanecido oculta nas tradi\u00e7\u00f5es esot\u00e9ricas, a sociedade (pelo menos no chamado primeiro mundo) acabou sendo estruturada com base em uma clara predomin\u00e2ncia do racionalismo masculino, em oposi\u00e7\u00e3o ao seu contraponto feminino. O resultado \u00f3bvio \u00e9 uma sociedade carente, em boa parte, de valores afetivos e, em particular, do reconhecimento de nosso habitat, a Terra, e tudo o que conforma o \u00e2mbito terrestre, como sagrado.<\/p>\n<p>Hoje, poucos s\u00e3o capazes de perceber a Terra como a &#8220;Deusa M\u00e3e&#8221;, como um todo org\u00e2nico ligado ao Logos Solar, uma unidade sagrada e viva que nos d\u00e1 vida e da qual precisamos continuar vivendo.<\/p>\n<p>O car\u00e1ter sagrado da M\u00e3e Terra foi perdido e, certamente, hoje mais do que nunca, \u00e9 necess\u00e1rio recuper\u00e1-lo. Vivemos em uma \u00e9poca em que a Natureza se tornou completamente dessacralizada, onde a Terra n\u00e3o \u00e9 percebida como um ser vivo, mas como algo que pode ser explorado sem qualquer considera\u00e7\u00e3o, em benef\u00edcio, quase sempre, de poucos. N\u00e3o \u00e9 por acaso, portanto, que a polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, da terra e do ar tenha atingido hoje um ponto cr\u00edtico que amea\u00e7a se tornar uma verdadeira cat\u00e1strofe para todos n\u00f3s que compartilhamos o planeta azul.<\/p>\n<p>Aprofundando-nos no mito da deusa, talvez possamos entender quais aspectos espirituais pulsam dentro dele, bem como tomar consci\u00eancia de como tais aspectos espirituais foram perdidos para um deus masculino que, longe de se harmonizar com a Natureza, optou por tentar subjug\u00e1-la e, no longo prazo, levou \u00e0 oposi\u00e7\u00e3o entre esp\u00edrito e mat\u00e9ria. Tal oposi\u00e7\u00e3o deu origem \u00e0 cren\u00e7a de que o mundo espiritual e o mundo f\u00edsico s\u00e3o totalmente separados, levando-nos a supor que, de fato, pertencem a realidades diferentes e opostas. Apesar da doutrina do dualismo ter marcado profundamente tanto a alma humana quanto a forma de abordar o sagrado, podemos dizer, no entanto, que esp\u00edrito e mat\u00e9ria n\u00e3o est\u00e3o em guerra. Nem o esp\u00edrito nem a carne, j\u00e1 que o divino se encontra no humano, assim como em qualquer lugar ou objeto que possamos alcan\u00e7ar com o olhar. N\u00e3o h\u00e1 nada, nem pode haver, que n\u00e3o seja divino. No entanto, quantas vezes tentamos separar o \u201cacima\u201d e o \u201cabaixo\u201d, o terreno e o celestial, supondo que \u201cacima\u201d ou celestial \u00e9 bom, e \u201cabaixo\u201d ou terreno est\u00e1 contaminado pelo \u201cpecado\u201d. Tal maneira de abordar a vida responde apenas \u00e0 nossa vis\u00e3o dualista, \u00e0 falta de consci\u00eancia da Unidade abrangente. Claro que, no processo que chamamos de espiritual, mais cedo ou mais tarde, o candidato se depara com tal dicotomia. Infelizmente, s\u00e3o poucos os que, depois de enfrentar a aparente dualidade entre corpo e esp\u00edrito, conseguem quebrar esse tabu e se atrevem a viver plenamente no corpo, sabendo que o corpo \u00e9 apenas um aspecto (sem d\u00favida o mais denso e, portanto, mais sombrio) da realidade luminosa do verdadeiro Eu.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9368,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110108],"tags_english_":[],"class_list":["post-100910","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-spiritsoul-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/100910","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9368"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=100910"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=100910"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=100910"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=100910"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}