{"id":100453,"date":"2023-02-19T18:25:45","date_gmt":"2023-02-19T18:25:45","guid":{"rendered":"https:\/\/logon.media\/logon_article\/a-realeza\/"},"modified":"2023-09-28T16:44:38","modified_gmt":"2023-09-28T16:44:38","slug":"a-realeza","status":"publish","type":"logon_article","link":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/logon_article\/a-realeza\/","title":{"rendered":"A Realeza"},"content":{"rendered":"<p><strong>Voc\u00ea prefere ouvir este artigo?<\/strong><\/p>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-100453-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/A-Realeza-Final.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/A-Realeza-Final.mp3\">https:\/\/logon.media\/wp-content\/uploads\/2023\/09\/A-Realeza-Final.mp3<\/a><\/audio>\n<hr \/>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As chamadas revistas de celebridades ou tabl\u00f3ides est\u00e3o bem estabelecidos h\u00e1 d\u00e9cadas e atualmente se proliferam na Internet. Elas existem, de uma forma ou de outra, no que chamamos de mundo ocidental. S\u00e3o espa\u00e7os onde, com uma autoconfian\u00e7a mais ou menos medida, qualquer banalidade de pessoas bonitas \u00e9 analisada, desde reis e rainhas at\u00e9 a aristocracia chique e outras celebridades: atores e atrizes, modelos, influenciadores \u2013 termo usado para tal profiss\u00e3o. Em suma, os que se destacam nesta sociedade em que se deve saber as coisas mais \u00edntimas sobre os outros e n\u00e3o tanto sobre si mesmo<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno foi ampliado hoje em dia nas redes sociais que, ao que parece, governam e ditam o que deve ser dito, por quem e no tempo e lugar certos. Fa\u00e7a chuva ou fa\u00e7a sol.<\/p>\n<p>Eu estava errado, sempre desprezei esses meios de comunica\u00e7\u00e3o porque desconhecia o que eles realmente significam, o capital humano e mental que eles movem e os n\u00edveis de interpreta\u00e7\u00e3o que eles escondem.<\/p>\n<p>\u00c9 bastante conhecido que o que n\u00e3o perdoamos em n\u00f3s mesmos, ou que escondemos com grande zelo &#8211; infidelidades, confus\u00f5es fiscais, moral frouxa ou muito frouxa &#8211; perdoamos de bom grado \u00e0queles que figuram nestes espa\u00e7os privilegiados, alguns dos quais sustentados com dinheiro p\u00fablico.<\/p>\n<p>Bem, mas que tipo de fasc\u00ednio \u00e9 oferecido pela vida privada de pessoas que, ao aparecerem na m\u00eddia p\u00fablica, desfrutam do prest\u00edgio que chamarei de \u2018realeza\u2019? A realeza \u00e9 entendida aqui como status e privil\u00e9gio semelhantes aos de reis e rainhas, sendo mostrada em seu ambiente \u00edntimo em todos os momentos por aqueles que levam \u2018vidas reais\u2019. Al\u00e9m, \u00e9 claro, da imagem projetada por eles e da atitude adotada pelos \u2018n\u00e3o-soberanos\u2019: submiss\u00e3o, medo, rever\u00eancia, admira\u00e7\u00e3o, inveja, imita\u00e7\u00e3o&#8230; e, n\u00e3o raro, \u00f3dio, avers\u00e3o e assim por diante<\/p>\n<p>Isto quer dizer que o que \u00e9 apreciado de positivo ou negativo nestes olhares tem a ver com sentimento, emotividade, subconsciente e cora\u00e7\u00e3o, aquilo que tem vida pr\u00f3pria e que raramente dominamos. Em outras palavras, os que governavam e ainda governam as emo\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Muitas vezes me perguntei por que esta admira\u00e7\u00e3o e rever\u00eancia de origem t\u00e3o distante, que passou por revolu\u00e7\u00f5es, decapita\u00e7\u00f5es e ex\u00edlios reais, mudan\u00e7as radicais nos pap\u00e9is das mulheres, pessoas de outras ra\u00e7as ou condi\u00e7\u00f5es sexuais diferentes, continua a sobreviver em n\u00f3s como uma liturgia profana, \u00e0s vezes t\u00e3o pr\u00f3xima da liturgia religiosa que n\u00e3o conseguir\u00edamos distingui-las.<\/span><\/p>\n<p>Na aus\u00eancia de religi\u00f5es cujos postulados deveriam ser seguidos &#8211; tal tem sido o descr\u00e9dito em que elas ca\u00edram &#8211; \u00e9 necess\u00e1rio que este espa\u00e7o sagrado de nossa consci\u00eancia seja alimentado de uma forma ou de outra. Em nosso tempo, os tribunais, altares e pal\u00e1cios foram substitu\u00eddos por espa\u00e7os onde todos podem se expressar livremente (pois o indiv\u00edduo \u00e9 sagrado e o povo soberano desde a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa), seja de fato ou de opini\u00e3o, ou atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o pura e simples da chamada <em>p\u00f3s-verdade<\/em>. P\u00f3s-verdade \u00e9 um termo definido pelo Dicion\u00e1rio RAE como &#8220;distor\u00e7\u00e3o deliberada de uma realidade, que manipula cren\u00e7as e emo\u00e7\u00f5es a fim de influenciar a opini\u00e3o p\u00fablica e as atitudes sociais&#8221;.<\/p>\n<p>Houve um tempo em que os reis eram ao mesmo tempo sacerdotes e profetas, o que lhes dava uma aura de poder sobre o povo como se fossem a pr\u00f3pria divindade, cujos des\u00edgnios eles transmitiam ao seu povo. Pense nos ju\u00edzes e reis de Israel &#8211; Samuel, Saul, Davi, Salom\u00e3o, etc. Sua un\u00e7\u00e3o viera diretamente de Deus atrav\u00e9s de seus sacerdotes, o que significava que eles estariam no lugar pr\u00f3prio da verdade e do poder. Era uma \u00e9poca em que os seres humanos eram mais primitivos e tribais e viviam segundo padr\u00f5es e cren\u00e7as coletivas. Foi no cristianismo, no Imp\u00e9rio Romano e, antes disso, na Gr\u00e9cia cl\u00e1ssica, que se desenvolveu no Ocidente um prot\u00f3tipo de individualidade que assumiu a exist\u00eancia de uma alma individual com livre arb\u00edtrio; quer voc\u00ea fosse patr\u00edcio, plebeu ou escravo, homem ou mulher, judeu ou gentio, voc\u00ea tinha uma alma e uma idiossincrasia pr\u00f3prias.<\/p>\n<p>Como nos referimos a lugares sagrados, ent\u00e3o vamos falar sobre templos.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos anos sessenta do s\u00e9culo passado, McLuhan disse: &#8220;o meio \u00e9 a mensagem&#8221;, ou seja, voc\u00ea est\u00e1 onde voc\u00ea &#8220;se mostra&#8221;. E o espa\u00e7o privado, agora tornado p\u00fablico, \u00e9 o lugar onde o sagrado \u00e9 exibido.<\/p>\n<p>O que \u00e9 exibido dentro do espa\u00e7o sagrado de difus\u00e3o da m\u00eddia tem esse poder de fasc\u00ednio porque, ao ocuparmos aquele lugar privilegiado onde colocamos nosso cora\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o principal impulso, n\u00f3s ansiamos, nem que seja por um instante, por aquele pedestal que os novos lugares sagrados proporcionam. Porque queremos, no fundo de nossa alma e com todo direito, ser reis. Ocorre que quase nunca visamos o verdadeiro trono e, por pura ignor\u00e2ncia, enchemos o palco com figuras desfocadas, com her\u00f3is ou monstros reais ou plastificados, com muitas formas de sombras na caverna.<\/p>\n<p>Felizmente, sa\u00edmos destes lugares t\u00e3o rapidamente quanto nele entramos, pois o que antes era um templo se torna um carnaval.<\/p>\n<p>Por que esses lugares s\u00e3o tomados como sagrados? Porque eles t\u00eam a palavra, ou neles s\u00e3o ditas as palavras da tribo, as palavras que alcan\u00e7am a maioria. Antes citava-se que &#8220;as escrituras assim o dizem&#8221; e da mesma forma se falava de um livro quando era impresso com autoridade. Depois, &#8220;a TV assim o diz&#8221;. Agora &#8220;apareceu na internet&#8221;. \u00c9 o circo da vida de hoje.<\/p>\n<p>Dado que a m\u00eddia e as redes sociais tomaram hoje o lugar do sagrado e aqueles que aparecem nelas representam os seres ungidos, o sagrado tem sido gradualmente desacreditado, n\u00e3o por falta de audi\u00eancia, mas por falta de conte\u00fado sagrado. Poder\u00edamos dizer que, como na caverna de Plat\u00e3o, s\u00f3 vemos e agimos sob o impulso das sombras, e raramente a partir da luz que as torna poss\u00edveis. Por qu\u00ea? Uma s\u00e9rie de obst\u00e1culos ou entidades intermedi\u00e1rias fazem com que a luz original se torne uma sombra ou simulacro.<\/p>\n<blockquote><p><em>O peso deste mundo \u00e9 o amor.<br \/>\nSob o peso da solid\u00e3o,<br \/>\nsob o peso da insatisfa\u00e7\u00e3o,<br \/>\no peso que carregamos \u00e9 o amor.<\/em><\/p><\/blockquote>\n<p>Este \u00e9 o in\u00edcio de um poema de Allen Ginsberg, poeta americano da Gera\u00e7\u00e3o Beat.<\/p>\n<p>Esse amor que o poeta vislumbrou \u00e9 c\u00f3smico, energia divina, amor universal, ainda sem passar por filtros humanos que desfiguram seu poder e clareza; e assim, nossa sede por uma fonte de luz pura \u00e9 saciada por uma representa\u00e7\u00e3o de personagens de entretenimento em espa\u00e7os midi\u00e1ticos: a realeza.<\/p>\n<p>A energia universal \u00e9 uma s\u00f3. Depende do estado em que n\u00f3s a absorvemos, do estado de consci\u00eancia com que a percebemos, se vemos um caminho claro ou um espa\u00e7o nublado. E n\u00e3o estou falando de crit\u00e9rios morais, mas pura e simplesmente de energia, tanto da simples escala de pureza do ar que respiramos, como das diferentes oitavas de uma escala musical.<\/p>\n<p>Em geral, hoje se pensa incorretamente que o ideal da tribo \u00e9 a acumula\u00e7\u00e3o de poder, dinheiro, gl\u00f3ria. \u00c9 o simulacro da verdadeira luz, ou seja, o discernimento, a compaix\u00e3o, o amor desprendido. Estamos lidando com a \u00fanica energia da vida, apenas em diferentes graus de vibra\u00e7\u00e3o e representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na obra <em>O Casamento Alqu\u00edmico de Christian Rosacruz<\/em> (1616), de Joannes Valentin Andreae, fala-se de &#8220;encarnar a realeza&#8221;, ou seja, de alcan\u00e7ar atrav\u00e9s de um processo alqu\u00edmico a uni\u00e3o do rei e da rainha, os aspectos masculino e feminino de nosso ser, a Alma e o Esp\u00edrito: liberta\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da compreens\u00e3o em primeira m\u00e3o, do que somos e do que a vida realmente \u00e9.<\/p>\n<p>O processo alqu\u00edmico envolve a posse de um anseio, um toque ou um chamado, e o in\u00edcio de um caminho de purifica\u00e7\u00e3o interior no qual, atrav\u00e9s do fogo fornecido pelas for\u00e7as do caminho &#8211; as for\u00e7as gn\u00f3sticas, do conhecimento &#8211; todos os fantasmas passados e presentes s\u00e3o apagados. Ent\u00e3o, podemos vislumbrar algo do que realmente somos: o ser humano original, o rei que sabe quem ele \u00e9; o Odisseu voltou \u00e0 sua verde e humilde ilha de \u00cdtaca.<\/p>\n<p>Este parece ser o destino de todos os seres humanos: ser reis em seu sentido mais primitivo. Filhos de Deus, reis de si mesmos. A realeza que ocupa os espa\u00e7os sagrados da m\u00eddia \u00e9 apenas um reflexo opaco da verdadeira realeza que somos chamados a ser. \u00c9 por isso que eles atraem a aten\u00e7\u00e3o, porque s\u00e3o um espelho do que queremos ser: livres e eternos.<\/p>\n<p>O tempo falar\u00e1 para aqueles que est\u00e3o e, acima de tudo, para aqueles que s\u00e3o. Porque, no final, \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de ser ou n\u00e3o ser.<\/p>\n","protected":false},"author":930,"featured_media":98853,"template":"","meta":{"_acf_changed":false},"tags":[],"category_":[110120],"tags_english_":[],"class_list":["post-100453","logon_article","type-logon_article","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","category_-zeitgeist-pt-br"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article\/100453","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/logon_article"}],"about":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/logon_article"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/930"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/98853"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=100453"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=100453"},{"taxonomy":"category_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/category_?post=100453"},{"taxonomy":"tags_english_","embeddable":true,"href":"https:\/\/logon.media\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags_english_?post=100453"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}