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	<title>Espírito &amp; Alma &#8211; LOGON</title>
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	<description>An online magazine with articles about spiritual development</description>
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	<title>Espírito &amp; Alma &#8211; LOGON</title>
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		<title>De uma peça de quebra-cabeça a uma imagem</title>
		<link>https://logon.media/pt-br/logon_article/de-uma-peca-de-quebra-cabeca-a-uma-imagem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joao Castro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 16:15:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[À minha frente, vejo peças de um quebra-cabeça dispostas sobre a mesa. Se tudo der certo, o resultado será uma bela paisagem. Começo com algumas peças da borda e vou avançando em direção ao centro da imagem. Penso: não somos nós, humanos, como peças de um quebra-cabeça? Cada um tem forma e conteúdo próprios, sentimentos [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe title="Spotify Embed: #223 De uma peça de quebra-cabeça a uma imagem" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/episode/5dgiwC8861ELQ1xtpu1S6U?si=HWvFSxvlTRmqHVoCpIB-9Q&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À minha frente, vejo peças de um quebra-cabeça dispostas sobre a mesa. Se tudo der certo, o resultado será uma bela paisagem. Começo com algumas peças da borda e vou avançando em direção ao centro da imagem. Penso: não somos nós, humanos, como peças de um quebra-cabeça? Cada um tem forma e conteúdo próprios, sentimentos e pensamentos distintos, hábitos e objetivos que variam. Apesar dessa individualidade, estaremos atuando na formação de um novo e belo quadro? Estaremos trabalhando por um objetivo comum, pelo próximo passo no desenvolvimento da humanidade, como se espera da Era de Aquário?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grandes visionários descrevem um objetivo comum para a humanidade e estágios de desenvolvimento que precisam ser alcançados. Alguns falam de paz e liberdade. Outros, de amor fraternal que abrange toda a criação. Diferentemente de um quebra-cabeça, não somos peças prontas que se encaixam para formar uma imagem pré determinada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como o indivíduo está ligado ao coletivo e as ondas da vida são interdependentes, o desenvolvimento de cada um afeta o cosmos como um todo. Todas as ondas da vida têm suas próprias tarefas de desenvolvimento, mas permanecem conectadas, influenciando-se mutuamente. Assim, por exemplo, sem o mundo vegetal, não teríamos oxigênio para respirar. Sem a polinização pelos insetos, as flores não gerariam novas plantas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda a criação se baseia em um único grande plano, que vibra como potencial impulsionador em cada ser. Max Heindel, autor dinamarquês-americano, teosofista e rosa-cruz, fala de sete corpos celestes que passam por sete vezes sete ciclos de desenvolvimento ao longo de longos períodos, alternando fases de atividade e repouso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">DIAGRAMA</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora um objetivo seja predeterminado, o desenvolvimento em direção a ele é um processo criativo no qual a liberdade é intencional e a participação é voluntária. Todas as ondas da vida passam por esse processo criativo em grande harmonia e consonância. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A humanidade atual desviou-se desse plano divino de desenvolvimento ao usar seu livre-arbítrio para fortalecer seu próprio ego. Por isso, precisa amadurecer pela experiência. Somente então, poderá reconhecer a alma espiritual em desenvolvimento e, assim, servir ao processo de desenvolvimento do cosmos. Então, a humanidade se transformará em peças de um quebra-cabeça que criarão uma nova e bela imagem da humanidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A humanidade é acompanhada em tudo pela harmonia e unidade do Divino-Espiritual, o que permite que a alma espiritual em cada um, mais cedo ou mais tarde, se expresse — a alma em cuja consciência o todo pode resplandecer. Assim, somos constantemente confrontados com uma escolha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de desejar e escolher algo livremente, precisamos compreender com clareza o que buscamos com nossos pensamentos e sentimentos. Por meio de experiências diversas, aprendemos que a vontade, muitas vezes, produz o oposto do que pretendemos, devido à imprevisibilidade das outras pessoas, das circunstâncias e de nossa própria incerteza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nossos sentimentos também podem nos enganar, e aprendemos isso por correções internas e externas. Internas, porque nosso eu mais íntimo sabe o que é certo; externas, porque o mundo nos mostra repetidamente o quanto nossos sentimentos estão distantes de perceber e compreender pessoas e coisas a partir de uma perspectiva mais ampla.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Somente quando razão e sentimento são purificados pela experiência é que  conseguimos nos orientar para o que realmente faz sentido. Isso só pode ser compreendido intuitivamente quando escutamos profundamente nosso interior, pois é ali que reside a resposta. Ela se torna clara à medida que nos purificamos, quando os véus diante do nosso íntimo se tornam mais permeáveis e podemos ouvir e compreender a voz interior.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu livro Dei Gloria Intacta, Jan van Rijckenborgh descreve o processo de tornar-se verdadeiramente humano com base em etapas de iniciação. Antes que uma nova vontade possa se sintonizar com o plano divino — o que ele chama de iniciação de Marte —, ocorrem as iniciações de Vênus e Mercúrio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As iniciações de Mercúrio (mente) e Vênus (sentimento) tornam-se patrimônio do novo ser humano. Uma luz de Deus e um poder de Deus lhe são concedidos. Uma nova vontade, forte, equilibrada e dinâmica, passa a direcionar os dons de Mercúrio e Vênus. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, após a iniciação de Vênus, a alma espiritual — o novo “companheiro” — ainda não está plenamente formada. Essa plenitude só se revela após a iniciação de Marte, na qual se desenvolve a nova vontade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem começa pela vontade segue por um caminho equivocado. Age de modo experimental e forçado. Permanece nos circuitos do condicionamento, como uma peça que não se encaixa organicamente no todo vivo. No entanto, novos aspectos da consciência podem despertar, e uma auto-iniciação no íntimo do ser pode acontecer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso conduz à compreensão do que é bom para o organismo humano e para a Terra, para as criaturas e os mundos aos quais estamos indissoluvelmente ligados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A alma em amadurecimento nos transforma em um novo ser humano, capaz de se integrar de forma criativa e responsável ao processo contínuo de desenvolvimento da criação, momento a momento, situação a situação. Cada um de nós é uma peça indispensável do quebra-cabeça desse todo maior. Tudo está à sua espera de que encontre o lugar que só ele ou ela pode ocupar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O impulso para isso vem do Espírito. O Espírito inquieta a alma e a impele ao desenvolvimento. O objetivo é a espiritualização da alma e, em última instância, a espiritualização do mundo.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">1 Max Heindel, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Visão de Mundo Rosacruz,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Diagrama 8.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">2 Jan van Rijckenborgh, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dei Gloria Intacta</span></i><span style="font-weight: 400;"> , Capítulo 6</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A Beleza &#8211; uma Revelação</title>
		<link>https://logon.media/pt-br/logon_article/a-beleza-uma-revelacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joao Castro]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2026 14:35:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Um fio de grama salpicado de cristais de gelo cintilantes. Um céu noturno repleto de estrelas. Uma macieira em flor contra um céu azul-claro de primavera. Um pôr do sol vermelho-sangue. O que faz nosso coração se encher de admiração, maravilhado diante de tanta beleza? Isso parece ser algo próprio do ser humano, pois nenhum [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><iframe title="Spotify Embed: #222 Beleza - Uma revelação" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/episode/6uGlI0wsxxnA1tRsue4Fdf?si=4TJFVUhaTluuFTuUtrQOoA&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>Um fio de grama salpicado de cristais de gelo cintilantes. Um céu noturno repleto de estrelas. Uma macieira em flor contra um céu azul-claro de primavera. Um pôr do sol vermelho-sangue. O que faz nosso coração se encher de admiração, maravilhado diante de tanta beleza?</p>
<p>Isso parece ser algo próprio do ser humano, pois nenhum animal seria capaz de um sentimento como esse. Enquanto a felicidade do animal depende, acima de tudo, da procura por alimento e procriação, parece haver no ser humano uma busca que se alimenta da beleza.</p>
<p>Essa busca incessante tem muito pouco a ver com o pensamento – por mais que este eleve o ser humano acima do animal. Trata-se, na verdade, de alguma coisa que vai além: algo imediato, quase uma comoção que nos toca de repente no mais profundo de nosso ser e nos conecta a um “não sei quê” sublime e verdadeiro, que não pertence à nossa natureza mortal.</p>
<p>Todas as grandes obras de arte, sejam elas pinturas, esculturas, literatura ou música, nasceram desse princípio. Quando mergulhamos em obras desse tipo, temos um rápido vislumbre do que significam Perfeição e Eternidade. Elas despertam em nós uma lembrança que já conhece essa Perfeição. Então, um cintilar do Sagrado nos toca – e ficamos sem palavras.</p>
<p>O que é esse “não sei quê”? Talvez seja o que Plotino menciona quando diz que há algo no ser humano que se reconhece a si mesmo no sentido literal. É a parte espiritual da alma que toma consciência de que existe e de quem é. Ao contemplar o Ser, ela contempla a si mesma em toda a sua plenitude.</p>
<p>Quando vamos ao encontro da verdadeira Beleza no exterior, de repente tomamos consciência de quem somos no mais profundo de nós mesmos: um deus em farrapos; uma pedra preciosa escondida na pedra bruta e cinzenta, que pede para ser desenterrada e lapidada.</p>
<p>É então que uma parcela de nossa nobreza interior se torna visível. Então, um grande anseio desperta em nós: o desejo de crescer em direção a essa Beleza e Perfeição – como uma flor que estava coberta de mato, e que descobre pela primeira vez o poder da Luz, que a eleva e permite que ela floresça.</p>
<p>É que a Beleza está intimamente ligada ao Amor. Tudo o que é contemplado com os olhos do amor se torna beleza. A pessoa que amamos é, para nós, a mais bela do mundo. Quanto mais estamos preenchidos de amor, mais o mundo ao nosso redor se torna belo.</p>
<p>Quanto mais libertamos a pedra preciosa de sua capa grosseira e a lapidamos, mais a beleza de seu interior radiante brilha no exterior.</p>
<p>Quanto mais libertamos o Deus-em-nós de seus trapos, para que seu amor possa despertar em nosso interior, mais reconhecemos o esplendor da vida.</p>
<p>Portanto, a Beleza não é algo objetivo, pois nasce na mente daquele que a contempla. O que alguém considera belo pode deixar outra pessoa totalmente indiferente. O que é determinante é o que o observador faz com aquilo que percebe. Como a imagem exterior ressoa dentro dele? Será que ele já desenvolveu uma consciência do mundo espiritual?</p>
<p>“A beleza é a perfeita harmonia entre o sensual e o espiritual”, diz o poeta Franz Grillparzer. Mas, para percebermos essa harmonia, precisamos possuir, por um lado, órgãos dos sentidos capazes de reconhecer o que é espiritual, e, por outro, órgãos dos sentidos naturais suficientemente despertos para captar os impulsos do exterior. Assim, uma pessoa que se preocupa apenas com sua luta pela sobrevivência terá pouca sensibilidade para as maravilhas que a cercam. E, quanto mais descobrirmos o mundo espiritual, mais beleza descobriremos no mundo exterior.</p>
<p>Tudo o que é terreno não passa de uma parábola. E, quando percebemos a realidade que se esconde por trás dessa parábola, a beleza de seu símbolo se revela diante de nós.</p>
<p>Mas isso só pode acontecer no aqui e agora. Precisamos estar plenamente despertos neste exato instante, para não perdermos os raios de luz que brotam do mundo espiritual em meio ao tumulto do cotidiano.</p>
<p>A beleza que vivemos no passado vai se desvanecendo a cada lembrança que evocamos. O que esperamos de maravilhoso do futuro não passa de uma ideia que criamos – e não vai além daquilo que já conhecemos. Mas é aqui e agora que se encontra a Vida. E ela espalha sua magia por toda parte: só precisamos enxergá-la.</p>
<p>Essa Beleza atemporal não pode ser descrita com palavras. Não podemos contá-la a ninguém. Cada palavra a aprisiona em uma camisa de força que retira seu caráter especial e rouba todo o seu brilho. Mesmo quando tentamos contar para alguém, percebemos que só conseguimos transmitir uma pálida cópia do que se revelou para nós como um milagre. Então, só nos resta um sentimento de decepção e perda.</p>
<p>É o que sempre acontece com todas as coisas do mundo espiritual que queremos manifestar no mundo material. Elas só podem ser reconhecidas e eficazes no momento presente. Toda tentativa de reter essa felicidade está fadada ao fracasso.</p>
<p>Rainer Maria Rilke descreve tudo isso maravilhosamente em seu poema Mir zur Feier (1898):</p>
<p>Não precisas compreender a vida:<br />
assim ela se tornará uma festa.<br />
E deixa cada dia passar<br />
como uma criança que, ao caminhar,<br />
recebe muitas flores<br />
de cada brisa.</p>
<p>Esse tipo de Beleza nos inunda, nos deixa perplexos e sem palavras. Não conseguimos compreendê-la – e, além disso, não temos a menor vontade de explicá-la. Para nós, basta simplesmente viver esse mistério. Mergulhamos no maravilhamento e nos esvanecemos nele.</p>
<p>É o sabor do prenúncio do mundo espiritual, onde nos tornamos unos com a Beleza, onde o nosso eu perde todo o sentido, onde – fora do tempo, do espaço e dos limites – fazemos parte dessa maravilha.</p>
<p>Momentos como esses nos deixam sem fôlego e nos enchem de uma alegria indescritível. São presentes da eternidade – apenas para nós e só para este instante.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Uma experiência especial (ep. 2): O que aconteceu depois da crise</title>
		<link>https://logon.media/pt-br/logon_article/uma-experiencia-especial-parte-2-o-que-veio-depois-da-crise/</link>
					<comments>https://logon.media/pt-br/logon_article/uma-experiencia-especial-parte-2-o-que-veio-depois-da-crise/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joao Castro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 16 Mar 2026 15:03:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Doía muito. A dor mental me abalou profundamente. Mas essa grande crise da minha vida levou a uma transformação duradoura. Ir para a parte 1 Eu tinha 19 anos quando me apaixonei de verdade pela primeira vez. Ele era alcoólatra e me disse que não queria um relacionamento sério, mas em minha ingenuidade eu acreditei [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Doía muito. A dor mental me abalou profundamente. Mas essa grande crise da minha vida levou a uma transformação duradoura.</em></p>
<p><span id="more-126247"></span></p>
<p><a href="https://logon.media/pt-br/logon_article/uma-experiencia-especial-parte-1-um-encontro-excepcional/">Ir para a parte 1</a></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu tinha 19 anos quando me apaixonei de verdade pela primeira vez. Ele era alcoólatra e me disse que não queria um relacionamento sério, mas em minha ingenuidade eu acreditei que poderia ajudá-lo. Depois de um ano de namoro, ele declarou que precisava romper antes que nos acostumássemos um com o outro. De minha parte, isso já tinha acontecido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A separação doeu. A dor mental me abalou profundamente e toda a minha atitude em relação à vida foi questionada. O amor que eu sentia por ele parecia indestrutível, mas agora era uma espécie de caos. Essa, a minha maior crise na vida, levou-me a uma transformação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No início, tive que lidar com a dor da separação. Tentei recuperar meu amor por aquele homem, mas somente em relacionamentos posteriores eu entendi que não é preciso recuperar o amor. Ele existe ou não existe. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mergulhei em uma fase de luto que me levou a uma crise existencial total. Questionava tudo, tentava encontrar sentido nas coisas que percebia no mundo e em tudo que eu queria fazer ou ser. Tudo baseava-se em incertezas. Até então, eu era ateia e completamente materialista. Não acreditava em um poder superior. Assuntos religiosos ou espirituais me pareciam inacreditáveis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal estado de crise durou muitos anos. Primeiro, tentei anestesiar meu cansaço do mundo. Eu não tolerava álcool, mas experimentei drogas – o que acabou sendo uma experiência profunda que eu não recomendaria. O psicodelismo levou-me a uma saturação sensorial excessiva que me fez ansiar violentamente por paz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Num dia em que eu passava mal, uma das colegas de quarto entrou para ver como eu estava. Trocamos algumas ideias por um instante e ela saiu. Fiquei surpresa, pois havia notado um brilho intenso naquela pessoa, uma luz que ela mesma parecia irradiar. O efeito dessa luz permaneceu em mim muito mais do que todas as outras percepções. Ela despertou algo. A sensação de sinceridade surgiu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><b>O ponto de virada</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A impressão daquela luz não me abandonou. Nunca mais usei drogas e, a partir daquele momento, senti uma forte necessidade de descobrir o que era aquela luz que vi na colega. Nunca tinha ouvido falar de aura ou algo parecido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Eu era movida pela questão de saber se o mundo sensorial-material era realmente tudo ou se existiam outras formas de existência. A questão do significado tornou-se existencialmente importante para mim. Passei a me perguntar se poderia haver Deus ou algo divino, se a vida seria regida por um poder superior&#8230; </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inicialmente, deparei-me com respostas como: &#8220;Esta é uma questão de fé, você não pode provar nada aqui.&#8221;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas isso não era suficiente para mim. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos poucos, minha vida mudou. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conheci outras pessoas e comecei a filosofar com amigos. Certa vez, conheci alguém que recomendou que eu lesse um livro de Rudolf Steiner. Li-o e fiquei muito surpresa. Uma visão de mundo completamente diferente se apresentou diante de mim e tive a certeza de que o que eu lia ali não era uma “questão de fé”. Havia respostas. Então, devorei todo tipo de literatura esotérica e espiritual. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante nove anos, absorvi tudo o que encontrava sobre ensinamentos e caminhos espirituais. E havia muita coisa. Mas ler sozinha não seria suficiente a longo prazo. Desenvolvi uma necessidade de renovação completa, de libertação, de fusão com o divino. Muitos desses escritos me atraíam. Mas qual dos muitos caminhos eu deveria escolher? Qual seria o certo para mim? Nunca fui ingênua e, por isso, permaneci cética até quando encontrei o grupo ao qual agora pertenço, onde cheguei por meio de um contato do meu círculo de amigos. Durante minha primeira visita a uma das salas, tive uma percepção espontânea e absolutamente clara. Estabeleci conexão com o campo espiritual daquele grupo que encontrei e que ainda hoje é uma fonte de inspiração e transformação para mim.</span></p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Uma experiência especial (ep. 1): Um encontro excepcional</title>
		<link>https://logon.media/pt-br/logon_article/uma-experiencia-especial-parte-1-um-encontro-excepcional/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Joao Castro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Mar 2026 14:17:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Nossa atitude perante a vida pode mudar quando começamos a buscar o sentido da existência. Quando há um propósito, a perspectiva sobre os acontecimentos se transforma, passando a ser vivenciados com maior consciência. Brigitte Bergengruen (nome alterado pelos editores) escreveu sobre um encontro excepcional: Embora tenha acontecido muitos anos atrás, essa experiência nunca me deixou [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Nossa atitude perante a vida pode mudar quando começamos a buscar o sentido da existência. Quando há um propósito, a perspectiva sobre os acontecimentos se transforma, passando a ser vivenciados com maior consciência.</em></p>
<p><span id="more-126039"></span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: #213 Uma experiência especial Parte  1" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/episode/7qxu24fY3A76F0nFxusKw1?si=mxhqogAhRt-TiNp0OEZr0Q&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>Brigitte Bergengruen (nome alterado pelos editores) escreveu sobre um encontro excepcional:</p>
<p>Embora tenha acontecido muitos anos atrás, essa experiência nunca me deixou — ela permanece viva e clara na minha memória. Numa tarde, justamente quando eu tirava uma torta de ameixa do forno, a campainha tocou. Corri até a porta e abri. Do lado de fora estava um jovem com uma pilha de revistas. Como eu já havia feito duas assinaturas, em anos anteriores, que ficaram largadas e não lidas, recusei a fazer mais uma.</p>
<p>O jovem então explicou sua situação angustiante. Ele precisava fechar assinaturas ou seria demitido, e não sabia como iria se sustentar. Mantive minha recusa, mas perguntei o motivo de tamanha aflição.</p>
<p>“Fiquei muito tempo na prisão”, confessou, “e estou em liberdade condicional.”</p>
<p>“Não vou assinar nada”, respondi, “mas você gostaria de um pedaço de torta de ameixa recém-assada?” Ofereci, movida por um impulso estranho.</p>
<p>O rosto dele se iluminou. “Faz muito tempo que não como um bolo assim. Ah, sim, eu adoraria!”</p>
<p>Convidei-o a subir, pedi que se sentasse à mesa da cozinha, bati um pouco de creme e passei café. Conversamos sobre o passado. Ele falou especialmente da mãe, que era alcoolista e pouco se importava com ele. Era evidente que ele apreciava tanto a torta quente quanto a nossa conversa, mas logo precisou ir embora, e eu o acompanhei até à porta.</p>
<p>Ele me disse o quanto aquilo tinha lhe feito bem e falou: “Eu queria ter tido uma mãe como você. Não sei como agradecer. Posso te dar um abraço de despedida?”</p>
<p>Concordei, mas, espontaneamente, perguntei por que ele tinha sido preso.</p>
<p>&#8220;Eu tirei uma vida&#8221;, respondeu em voz baixa. “Bem, acho que agora não tenho mais permissão para dar um abraço&#8230;”</p>
<p>Hesitei por um instante, mas ao olhar em seus olhos, soube que naquele momento, sem qualquer dúvida, eu representava a mãe dele. Deixei que ele me abraçasse e, em seguida, ele foi embora enxugando os olhos.</p>
<p>Cerca de um ano depois, um policial tocou a campainha.</p>
<p>“Aconteceu alguma coisa?”, perguntei, apreensiva.</p>
<p>“Não, não”, ele me tranquilizou. “Há alguém aqui que está sendo transferido para a prisão em Munique e tem como último desejo despedir-se da senhora.”</p>
<p>No fundo do carro da polícia estava o vendedor de revistas, algemado e vigiado por outro policial. Concordei e permitiram que ele viesse até mim.</p>
<p>“O que houve?” &#8211; perguntei.</p>
<p>&#8220;Tive uma recaída&#8221; &#8211; ele disse, abatido. “Você me abraçaria mais uma vez?”</p>
<p>Sem hesitar, eu o abracei com todo o carinho de meu coração. Antes de ser levado embora, ele disse que oraria por mim até o fim da vida.</p>
<p>Talvez nossa curta convivência tenha sido o início de uma transformação.</p>
<p>O que terá sido feito dele?</p>
<p>(continua na <a href="https://logon.media/pt-br/logon_article/uma-experiencia-especial-parte-2-o-que-veio-depois-da-crise/">parte 2</a>)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>O Novo Pensamento</title>
		<link>https://logon.media/pt-br/logon_article/o-novo-pensamento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joao Castro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 12 Feb 2026 14:46:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Os pensamentos nascidos de consciências e realidades de existência diferentes, como os daqueles com referências ou orientação espirituais, às vezes parecem completamente ilógicos do ponto de vista da nossa consciência egocêntrica. Eles se baseiam no Amor e na Verdade que irradiam em seu ser a partir do princípio espiritual crescente dentro deles e constroem padrões [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><i><span style="font-weight: 400;">Os pensamentos nascidos de consciências e realidades de existência diferentes, como os daqueles com referências ou orientação espirituais, às vezes parecem completamente ilógicos do ponto de vista da nossa consciência egocêntrica. Eles se baseiam no Amor e na Verdade que irradiam em seu ser a partir do princípio espiritual crescente dentro deles e constroem padrões inteiramente novos e imperecíveis.</span></i></p>
<p><span id="more-125491"></span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: #210 O novo pensamento" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/episode/5A2gqLm1Y6xhsAovz0lwFd?si=NzSozhcARHywCsrBAoS-GQ&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p><b>O Novo Pensamento</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a ciência esotérica, pensamentos são seres vivos, as chamadas formas-pensamento. Essas estruturas circulam no campo energético que envolve cada indivíduo, por meio de seus sentimentos e desejos. Ao mesmo tempo que se conectam a eles, os influenciam. Se um indivíduo deixa de pensar em uma determinada direção, ele para de alimentar a forma-pensamento correspondente. Consequentemente, esta começa a perder energia e &#8220;desmaia&#8221;. Isso faz com que ela tente influenciar seu criador e &#8220;forçá-lo&#8221; a pensar novamente naquela direção. Por outro lado, quanto mais se pensa em coisas consideradas importantes, mais fortes se tornam as formas-pensamento correspondentes. Em certo ponto, elas se tornam tão fortes que exercem uma influência irresistível sobre seu criador, os chamados &#8220;pensamentos obsessivos&#8221;, dos quais é tão difícil se libertar. A tarefa é ainda mais difícil pelo fato de que as formas-pensamento de um indivíduo estão conectadas, em um nível energético, à formas-pensamento semelhantes de todas as outras pessoas. Desse modo, elas se nutrem mutuamente e se agrupam, podendo acumular uma energia enorme. O apoio mútuo dos pensamentos torna muito difícil a tarefa do pensamento puro, pelo qual as pessoas de orientação espiritual se esforçam e que é incomum para muitos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso é que se diz que, além de superar a si mesmo, é preciso também superar o mundo. É também por isso que, se os pensamentos das pessoas de orientação espiritual são puros e dedicados ao seu trabalho pelo mundo e pela humanidade, tais pensamentos têm um efeito tão curativo. Por meio deles, a nuvem de energia dos pensamentos inferiores perde gradualmente seu poder e se purifica. Além disso, o campo energético criado por esses pensamentos puros tem o poder de apoiar os indivíduos em seu caminho espiritual.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os seres humanos constroem padrões de pensamento que os ajudam a alcançar diversos objetivos e a realizar intenções e desejos. Esses padrões são baseados no que percebemos com nossos sentidos, mas a maneira como percebemos e processamos as informações é influenciada principalmente pelo nosso estado de consciência. Sabemos que em nossa consciência somos o centro da realidade do nosso ser, o aspecto mais importante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nossa consciência é centrada em nós próprios, ou seja, é egocêntrica. Em outras palavras, a autopreservação é o padrão de comportamento lógico e natural do ego de cada um de nós e dá origem a pensamentos correspondentes. É natural que, às vezes, nos sacrifiquemos por nossos entes queridos ou por nossos ideais. No entanto, por exemplo, como nossos parentes estão ligados a nós por laços sanguíneos, se nos sacrificarmos apenas por ideais ou pessoas que selecionamos, isso não é muito diferente de uma forma oculta de autopreservação. O verdadeiro Amor não exclui ninguém.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da consciência egocêntrica que nos é familiar, as Sagradas Escrituras de todos os povos testemunham, ainda que muitas vezes de forma velada, a existência de outra consciência ainda não manifesta, latente, nos seres humanos. Um exemplo vem de diversos trechos da Bíblia, em que é mencionado que o Reino de Deus está dentro de nós. Isso se refere precisamente ao ser espiritual (divino) que habita em nós, portador dessa consciência. Essa consciência, adormecida, é a consciência onipresente, que vem a ser o oposto exato da consciência egocêntrica, pois sua definição mais simples é que ela está presente em tudo e em todos os lugares. Para despertar essa consciência, as pessoas com orientação espiritual podem aprender a compreender e seguir a voz do silêncio interior, como a denomina Helena Petrovna Blavatsky. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A voz dessa consciência que desperta gradualmente e que não se comunica por meio de sons, mas de imagens, impulsos e sentimentos pode ser chamada intuição. Guiados por essa intuição superior, aprendemos a mudar a direção de nossas vidas diárias e a nos orientar para o espiritual. Aprendemos também a compreender e aceitar todas as pessoas e a nós mesmos como somos, sem críticas ou julgamentos, removendo assim as barreiras construídas pela consciência egocêntrica. Isso cria espaço para que o princípio espiritual desperto amadureça, cresça e irradie, sem ser perturbado pela persona que cada um de nós é. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse comportamento, contudo, só pode ser baseado no princípio espiritual ativo e não pode ser forçado com base na consciência egocêntrica, pois a imposição cria tensão, que eventualmente terá que ser liberada da maneira usual, por meio de explosões emocionais. Em última análise, o que aqueles com consciência onipresente ativa percebem é a unidade com o Todo, com tudo e todos. Essas pessoas não precisam de laços sanguíneos para sentir sua afinidade orgânica com os outros. Elas vivem conectadas ao Todo e não podem fazer nada além de trabalhar para o Todo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É por isso que, voltando à frase que abre esse texto, os pensamentos nascidos de uma consciência e realidade de existência diferentes, como dos candidatos espirituais,  parecem completamente ilógicos do ponto de vista da consciência egocêntrica. Eles são baseados no Amor e na Verdade, que irradiam em seu ser a partir do princípio espiritual crescente dentro deles e constroem padrões inteiramente novos e imperecíveis. Assim, uma nova Sabedoria gradualmente surge, sabedoria que percebe o Universo de uma maneira totalmente nova e com sentidos completamente novos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É tarefa do ser humano iluminado trazer os impulsos e ideias divinas abstratas para a realidade em seu cotidiano. Em última análise, esse trabalho em Amor e Verdade conduzirá a uma transformação interior fundamental que beneficiará a todos e o Todo. </span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A lenda do velho homem inabalável e um pequeno galho</title>
		<link>https://logon.media/pt-br/logon_article/a-lenda-do-velho-homem-inabalavel-e-um-pequeno-galho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joao Castro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Feb 2026 01:04:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[ A liberdade não reside na pureza, mas na aceitação completa de qualquer vento, qualquer galho e qualquer caos sem resistência interna ou preferência pessoal. Ouvi essa parábola pela primeira vez há alguns anos e, desde então, gosto de contá-la para amigos e entes queridos. Ela é frequentemente atribuída a Bodhidharma (Damo), o primeiro Patriarca da [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><i><span style="font-weight: 400;"> A liberdade não reside na pureza, mas na aceitação completa de qualquer vento, qualquer galho e qualquer caos sem resistência interna ou preferência pessoal.</span></i></p>
<p><span id="more-125389"></span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: #208 A lenda do velho homem inabalável e um pequeno galho" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/episode/7FNUBhjiFJ01mklnPoHk6J?si=EXarYfgMRjSTRVMq-wapwA&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ouvi essa parábola pela primeira vez há alguns anos e, desde então, gosto de contá-la para amigos e entes queridos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela é frequentemente atribuída a Bodhidharma (Damo), o primeiro Patriarca da Escola Chan, que trouxe da Índia para a China o ensinamento da visão direta da essência do ser, no século VI.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando, recentemente, ela me veio à mente mais uma vez, decidi trazê-la para o conhecimento de mais pessoas. Seu tema é a provação final e a mais difícil em nosso caminho.</span></p>
<p><b>PARTE UM</b></p>
<p><b>Ladrões &#8211; O Primeiro Teste</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um dos vales montanhosos da China vivia um homem idoso. Dizia-se que sua mente era tão calma quanto a superfície de um lago de montanha. Nenhuma tempestade conseguia perturbar o reflexo do céu em suas profundezas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele não era mestre, não tinha discípulos e não buscava fama. Simplesmente vivia, como fazem aqueles que não têm pressa para chegar a lugar nenhum.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Certa noite, ladrões invadiram sua casa. O homem, sentado em meditação, observou-os calmamente enquanto levavam seus parcos pertences.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Levem tudo”, disse ele em voz calma e tranquila. “Só não façam muito barulho.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Impressionados e confusos com seu distanciamento, os ladrões partiram.</span></p>
<p><b>Traição &#8211; O Segundo Teste</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dia, ao voltar para casa, o idoso encontrou a esposa com seu vizinho. Ele apenas acenou levemente com a cabeça, sem alterar sua expressão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Perdoe-me por perturbar sua paz”, disse e saiu, como se tivesse entrado pela porta errada.</span></p>
<p><b>Exílio &#8211; O Terceiro Teste</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seus filhos, para quem honra e status significavam tudo, declararam:</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Você é fraco, envergonha nossa família. Vá embora.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Como quiserem, meus filhos”, respondeu o senhor calmamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fazendo uma reverência, pegou seu cajado e sua tigela de esmolas e partiu para as montanhas.</span></p>
<p><b>No Mosteiro</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando chegou no destino ao mosteiro, o homem foi recebido, abrigado e incumbido da tarefa de varrer o pátio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele passava os dias varrendo o quintal, limpando folhas e poeira, com movimentos medidos e familiares. A varrição tornou-se uma meditação em ação. Ele não varria pedras, mas a própria mente, e a cada movimento ela se tornava mais vazia e luminosa. Em seu tempo livre, ele se retirava para o fundo do pátio, sentava-se sob uma árvore e meditava, observando a respiração e os movimentos da mente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E nessa calma, nesse silêncio que parecia durar para sempre, o velho homem começou a perceber leves sussurros e movimentos sutis ao seu redor. Sombras se acumulavam onde jamais houvera qualquer pensamento de ansiedade. Imagens surgiam, quase imperceptíveis na luz bruxuleante. Eram os primeiros presságios dos Maras. No budismo, assim como na mitologia europeia e eslava, Maras são demônios que se alimentam dos apegos humanos.</span></p>
<p><b>O Ataque dos Maras</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os Maras começaram a se manifestar com mais clareza, tentando distrair o velho senhor de seu trabalho e meditação. Assumiam formas aterrorizantes e sussurravam sobre o passado. O homem apenas suspirava baixinho, como de costume, a cada varrida da vassoura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, mudaram de aparência, surgindo em esplendor radiante e proclamando que estavam diante do maior santo de todos os tempos. Queriam despertar nele o orgulho e a sede de reconhecimento. Mas ele apenas sorriu interiormente e continuou varrendo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Certo dia, quando tinha acabado de limpar o pátio, ele sentou-se sob um antigo pinheiro. Uma brisa suave agitou um galho e um pequeno graveto seco caiu sobre uma pedra próxima a seus pés. Uma sombra cruzou o rosto do velho: uma leve irritação, uma preferência quase imperceptível por ordem e limpeza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os Maras uivaram em triunfo: não encontraram nele paixão nem medo, mas identificaram uma preferência sutil, seu apego secreto. Naquele exato momento, desencadearam uma tempestade furiosa sobre o pátio, levantando agulhas de pinheiro, poeira e detritos em um vórtice violento, profanando em questão de segundos a obra impecável de limpeza que ele fizera.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O homem, então, deu um passo à frente, erguendo as mãos em silencioso desespero.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A harmonia interior se quebrou – não maior que um pequeno galho caído! O homem identificou o que estava acontecendo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele havia perdido.</span></p>
<p><b>PARTE DOIS &#8211; Significado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta história não trata da derrota de Bodhidharma pois, segundo a tradição, o Patriarca alcançou seu objetivo. Ela revela as armadilhas finais no caminho para a liberdade. É precisamente essa derrota que expõe as correntes mais frágeis que prendem o nosso &#8220;eu&#8221; e é por isso que ela importa. Vamos examinar isso mais de perto.</span></p>
<ol>
<li><b> Filhos e esposa são o apego ao Mundo das Formas</b></li>
</ol>
<p><span style="font-weight: 400;">Os filhos personificam o ego social: reputação, status, família, honra, opinião pública. O velho se desapega disso facilmente pois vê esses valores como meros rótulos, não como essência. Seu exílio é um ato de completa renúncia aos contratos sociais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A esposa e o vizinho simbolizam o apego sensual, a posse e o ciúme. O idoso não se identifica com o corpo nem com os relacionamentos em seu sentido comum e mundano.</span></p>
<ol start="2">
<li><b> Os demônios (Maras) são a Personificação da Mente Ego</b></li>
</ol>
<p><span style="font-weight: 400;">Estes não são entidades externas, mas representam forças da própria ignorância, tais como:</span></p>
<ul>
<li><span style="font-weight: 400;">         </span><span style="font-weight: 400;">Medo, repulsa e raiva (demônios inferiores), que são os primeiros obstáculos que um buscador supera.</span></li>
<li><span style="font-weight: 400;">         </span><span style="font-weight: 400;">Orgulho, desejo de reconhecimento e arrogância espiritual, que são  inimigos mais sutis. O velho passa nesse teste, mostrando que até mesmo a ideia da própria santidade é uma ilusão.</span></li>
<li><span style="font-weight: 400;">         </span><span style="font-weight: 400;">Hábitos da mente, que são preferências mecânicas, quase inconscientes – são o demônio final e mais esquivo.</span></li>
</ul>
<ol start="3">
<li><b> “O Pequeno Galho” é a âncora final do Eu</b></li>
</ol>
<p><span style="font-weight: 400;">O último apego é quase imperceptível. É uma minúscula armadilha da consciência. Mesmo depois de abandonar família, riqueza, medo e orgulho, a mente se contrai em um ponto microscópico de identificação. Pode assumir a forma de:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Apego à limpeza e à ordem.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">O prazer secreto por seu próprio desapego.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Uma leve irritação causada com um som, uma entonação ou o clima.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;">Uma preferência imperceptível pelo conforto, como o silêncio, sabores e rituais.</span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Este &#8220;galho&#8221; é perigoso porque aparenta inocência ou até mesmo virtude. Nele se esconde a faísca final do dualismo: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu existo aqui, e isto – este galho, esta desordem – não deveria existir no meu mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;.</span></p>
<ol start="4">
<li><b> Furacão — a vida como ela é</b></li>
</ol>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida é imprevisível, incontrolável e constantemente causa estragos em nossos mundos interior e exterior. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O teste final não é manter a paz e a calma em condições ideais, mas permanecer sereno quando a realidade interfere na ordem e, assim, ser verdadeiramente livre.</span></p>
<p><b>Conclusão</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história termina não em vitória, mas em derrota. Contudo, essa derrota é a maior mestra, e clama:</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Permaneçam vigilantes até o fim. Não olhem para as tempestades, mas escutem o sussurro quase inaudível dentro de suas próprias almas. A liberdade não reside na pureza, mas na aceitação completa de qualquer vento, qualquer galho, qualquer caos – sem resistência interna ou preferência pessoal</span></i><span style="font-weight: 400;">.”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Você já sabe onde está escondido o seu pequeno galho?</span></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Maravilhamento</title>
		<link>https://logon.media/pt-br/logon_article/maravilhamento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joao Castro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Dec 2025 11:11:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Você já viveu um momento diferente do momento presente? Já viveu um momento no passado ou um momento no futuro? Não, certo? Porque o passado só existe em seus pensamentos, que remetem a memórias. Nesse sentido, você pode recordar, no presente, algo ocorrido no passado. Mas isso é um pensamento, um sentimento; não é aquele [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Você já viveu um momento diferente do momento presente?</p>
<p>Já viveu um momento no passado ou um momento no futuro? Não, certo? Porque o passado só existe em seus pensamentos, que remetem a memórias. Nesse sentido, você pode recordar, no presente, algo ocorrido no passado. Mas isso é um pensamento, um sentimento; não é aquele momento do passado em si.</p>
<p>Sobre o futuro, você tem pensamentos especulativos, cria representações.Você nunca está no futuro. Sempre está no momento presente. O Agora é a única coisa que podemos experimentar. No livro <em>Por quê o Tempo (Não) Flui</em>, Jos Stollman explica que todas as experiências pessoais são ordenadas pela consciência do eu. O fluxo do tempo nada mais é do que a nossa consciência do eu; onde o eu experimenta o mundo ao seu redor e a si mesmo.</p>
<p>Pensamentos e imaginações determinam os sentimentos no Agora. O Agora é como um fluxo contínuo de consciência. Toda a criação é criada continuamente. Uma corrente de sensações externas flui através dos sentidos, e um rio de todos os tipos de sentimentos e pensamentos colore esse Agora, a realidade do Agora. E em meio a esse sentimento, existe a consciência de que você é você mesmo.</p>
<p>Recentemente, foi publicado um livro científico chamado O Código da Consciência, escrito pelo neuropsicólogo Cyriel Pennartz. Durante muito tempo, o tema da consciência não foi objeto de estudo científico, pois os cientistas não conseguiam mensurar muitos aspectos concretos do fenômeno. A pesquisa científica tornava-se, então, difícil, visto que a ciência só reconhece como verdade o que pode observar ou mensurar.</p>
<p>Mas há cerca de vinte anos a consciência deixou de ser um tabu para a ciência. Afinal, com equipamentos sofisticados de hoje, é possível medir muitas coisas. Correntes elétricas, que exibem padrões de ondas eletromagnéticas, reações químicas ou bioquímicas entre moléculas muito complexas em locais onde as células nervosas influenciam umas às outras. É possível medir todo tipo de coisa enquanto cobaias vivas realizam tarefas. Assim, a relação entre o cérebro e seu ambiente é mensurada.</p>
<p>Bem, podemos dizer que isso é consciência? Essa continua sendo uma questão difícil. É notável que, na última página do livro, o autor admita: são duas realidades difíceis de conciliar, ou seja, por um lado, vejo correntes elétricas, reações químicas e, por outro lado, provo, sinto, vejo e ouço: tenho a experiência. São todas as mesmas correntes, mas todos podem confirmar que a experiência de ver ou ouvir é muito diferente da experiência de cheirar, por exemplo. O autor admite: “Não podemos desvendar o mistério da consciência”.</p>
<p>A experiência subjetiva interna é bastante diferente daquilo que se tenta compreender<br />
pensando sobre algo externo a si. A mente está ligada aos sentidos, já dizia Hermes no<br />
antigo Egito.</p>
<p>Sim, essa é a diferença. A pesquisa científica sempre olha para o outro como ele se fosse sensorialmente perceptível. A mente intelectual só consegue compreender coisas. A consciência não é uma coisa. Por definição, a razão jamais poderá compreender a consciência.</p>
<p>A filósofa holandesa Marjan Slob explica em seu livro Hersenbeest (Besta Cerebral) que existe uma diferença fundamental entre a experiência interior e o que outra pessoa pode observar dela. Na conversa com os outros, as palavras se interpõem entre esses dois extremos. Marjan explica que os próprios neurocientistas parecem não perceber que aquilo que pensam estar pesquisando é moldado por palavras. As palavras tentam nos dar uma noção da realidade em nossa comunicação com os outros. Somos todos ilhas em nosso próprio mundo de experiências. As palavras são uma espécie de acordo, com o qual esperamos nos conectar uns com os outros. Mas como é difícil nos entendermos bem!</p>
<p>O pensamento intelectual sobre a consciência também faz com que o milagre desapareça. Porque se conseguimos explicar algo, isso deixa de parecer um milagre. Como se a própria explicação e as leis da natureza em si também não fossem um milagre.</p>
<p>Por que não simplesmente parar? Deixe seu pensamento intelectual silenciar, percebendo que, na verdade, você não entende nada, e que tudo é um milagre que você contempla com admiração. Que você é consciência, que tudo é consciência e que você faz parte disso. Quando sua mente se silencia, uma sensação maravilhosa pode tocá-lo. Isso se aproxima do<br />
amor, da unidade e da reverência. Isso traz felicidade. Como pode ser tão simples! Esta é uma experiência na consciência do coração. Estar consciente sem a interferência do pensamento racional.</p>
<p>Devolva o milagre a Deus. Tudo é um milagre. Einstein sabia disso.</p>
<p>Quando você se abre para o fluxo da vida e permanece em silêncio diante do milagre do Agora, um novo fogo toca seu coração. E tudo se renova.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aguardando o inesperado</title>
		<link>https://logon.media/pt-br/logon_article/aguardando-o-inesperado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joao Castro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Dec 2025 10:53:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Viver no espírito é viver constantemente no inesperado No caminho espiritual, fala-se frequentemente sobre como estamos conectados desde o princípio. Essa conexão interior é a base de todo a jornada. O espírito imanente, profundamente oculto e latente, nos conecta com o espírito transcendente, o grande espírito que está fora de nós. No entanto, “tudo é [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Viver no espírito é viver constantemente no inesperado</em></p>
<p>No caminho espiritual, fala-se frequentemente sobre como estamos conectados desde o princípio. Essa conexão interior é a base de todo a jornada. O espírito imanente, profundamente oculto e latente, nos conecta com o espírito transcendente, o grande espírito que está fora de nós.</p>
<p>No entanto, “tudo é diferente”.</p>
<p>Focar em velhos modos de pensar e no raciocínio lógico e metódico, com planos e intenções que já foram aprovados pela nossa vontade, só nos leva ao culto de nossa personalidade. Nada surpreende. Nada nos conduz à admiração interior. O espírito dentro de nós permanece adormecido e imóvel.</p>
<p>O amor não faz planos se estamos apaixonados! Da mesma forma, quando não insistimos em nossos planos pessoais, os deixamos de lado e abrimos espaço para o espírito, ele se movimenta dentro de nós. A inércia dos nossos próprios planos e expectativas é bastante forte e duradoura, quase instintiva, e corresponde às nossas inclinações.</p>
<p>Quando amadurecemos gradualmente para um estado de entrega interior, aceitamos perdas e o recolhimento, dizendo “Seja feita a tua vontade”, então, por meio dessa perda e recuo, o espírito dentro de nós se conecta profundamente com o que está fora de nós. Essa ardente ignição da energia divina superior transforma, queima antigos laços opressivos e, assim, nos liberta.</p>
<p>Quando surge a necessidade de mudar o foco, o caminho da vida se revela passo a passo, dia após dia. Algo completamente diferente emerge de nossos corações e mentes, algo inesperado. Podiam ser coisas que suspeitávamos, víamos ou reconhecíamos, mas que não ousávamos agir sobre elas.</p>
<p>Por fim, nos maravilhamos com nossa coragem de viver o que vier. Ela vem de dentro e se manifesta como uma força interior inesperada. Confiamos nossa maneira de ser a essa força interior. Viver no espírito é viver constantemente no inesperado. Não esperamos nada e vivemos em abertura, com uma espera silenciosa, humilde e corajosa.</p>
<p>Aguardamos que o espírito nos mova e vemos se, e como, ele nos guiará.</p>
<p>Parece que não há um plano, mas na verdade, há.</p>
<p>Um plano divino absoluto superior, regido por leis espirituais, do qual participamos ao entrar em sua esfera de força e de energia.</p>
<p>Não há vazio aqui, apenas plenitude do espírito.</p>
<p>A plenitude do inesperado, que aguardamos sem qualquer expectativa.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A paz é uma experiência humana?</title>
		<link>https://logon.media/pt-br/logon_article/a-paz-e-uma-experiencia-humana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joao Castro]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Dec 2025 09:12:17 +0000</pubDate>
				<guid isPermaLink="false">https://logon.media/?post_type=logon_article&#038;p=124173</guid>

					<description><![CDATA[Há alguns anos, foi publicado um atlas diferente dos tradicionais. Ao invés de lugares, ele situa a imaginação, pensamentos e sentimentos em 23 mapas de experiências (1). É o Atlas da Experiência Humana– Cartografia do Mundo Interior. À primeira vista, parecem mapas comuns, com geografia, cidades, florestas, rios, mares, estradas, ferrovias, ruas, pontes e também [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Há alguns anos, foi publicado um atlas diferente dos tradicionais. Ao invés de lugares, ele situa a imaginação, pensamentos e sentimentos em 23 mapas de experiências (1). </em></p>
<p><span id="more-124173"></span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: #203 A paz é uma experiência humana?" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/episode/1cb2IUL57G036BVtq6NPls?si=a0KZPyQ2QjK3OtaCLW-pWA&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>É o Atlas da <em>Experiência Humana– Cartografia do Mundo Interior.</em><br />
À primeira vista, parecem mapas comuns, com geografia, cidades, florestas, rios, mares, estradas, ferrovias, ruas, pontes e também construções importantes. Porém, ao explorarmos a cidade chamada Caos, por exemplo, encontramos o lago Águas Agitadas, uma Válvula de Escape situada no cume da Exasperação, Ervas Daninhas e Pânico Descontrolado na área Proliferação, a Torre de Babel, os territórios Miscelânia, Estrago, Confusão, Lixo, Cacos etc&#8230; É um retrato da experiência de caos que conhecemos bem.<br />
Eu estava muito interessado na paz por causa do cenário de tantos conflitos no mundo e, por isso, tirei o livro da estante e procurei pela paz. Não achei.<br />
Será que a paz não é uma experiência humana?</p>
<h3>A Paz no Tao</h3>
<p>A despeito de não encontrar um mapa da paz, há uma referência a ela no capítulo do Atlas que trata do Vácuo. A compreensão da paz como uma experiência que ultrapassa o comum está em um poema do Tao Te Ching. Eis o que diz:</p>
<blockquote><p>Leve o vazio ao seu limite extremo,<br />
Mantenha a paz no caminho.<br />
As dez mil coisas lado a lado aparecem<br />
E por meio disso eu as vejo retornar.<br />
Cada qual retorna às suas origens.<br />
A isso se chama paz.<br />
Paz: isto significa retomar o seu destino.<br />
Retomar o seu destino é ser eterno.<br />
Conhecer a eternidade é ter sabedoria.<br />
Não conhecer a eternidade é ser selvagem e imprudente.<br />
Quando você é selvagem e imprudente, seus atos o levarão à ruína.</p></blockquote>
<p>Ele orienta a levarmos “o vazio ao seu limite extremo” e a “manter a paz no caminho”. O vazio, aqui, é espaço aberto, receptividade total. É onde não há nada mais a tirar. É o estado interior em que cessam as distrações, os apegos e as turbulências. Nele é possível permanecer em paz sem esforço, como modo de estar em sintonia com o fluxo da vida.<br />
É diferente de quando eu sou eu, você é você, e há um vácuo, um vazio entre nós. Aqui o espaço separa.<br />
Na receptividade total somos ligados a tudo, não há conflito. Cada um existe no vazio de si mesmo e como relacionamento com os outros, com o planeta, com o todo.<br />
Há multiplicidade na existência. Todos os seres, movimentos e transformações do mundo &#8211; as “dez mil coisas” que aparecem lado a lado &#8211; tudo faz parte de mim. Tudo faz parte de todos. E tudo retorna ao seu ponto de origem, apesar das diferenças.<br />
O retorno – retomarmos nosso próprio destino, nos conectarmos com a eternidade – é o que se chama paz.<br />
Ao conhecer essa eternidade, o ser humano age em harmonia, não contra o fluxo. Alinha-se ao Tao e encontra a sabedoria que preserva a vida.<br />
Nesse sentido, paz é reconciliação com a vida. É a consciência de que cada coisa segue o seu curso e, ao final, retorna ao mesmo mistério do qual brotou. Paz, portanto, é aceitar esse ciclo, compreender que o destino de tudo é voltar ao Todo.<br />
Nesse ensinamento, a paz é tanto experiência interior quanto lei universal. É serenidade pessoal e, ao mesmo tempo, princípio que sustenta todas as coisas<br />
Mas, será que isso ainda está no limite de uma experiência humana?</p>
<h3>Palavras da Paz</h3>
<p>Em teste nada científico, um grupo de trabalho foi provocado a pensar quais são as palavras e termos que se relacionam com a paz. A proposta tocou profundamente os participantes. A resposta foi uma chuva de palavras que descrevem um lugar que ninguém experimentou, mas mora na intuição ou em uma memória coletiva. Criou-se um lugar em que todos queriam viver.<br />
Não parece mero acaso que a paz não conste no Atlas da Experiência Humana. Esta falta insinua que a verdadeira paz dorme em um vazio cujo acesso é uma experiência supra-humana. O caminho da paz não é um mapa externo, mas interno, onde uma essência profunda nos aponta o norte verdadeiro.</p>
<h3>Referência:</h3>
<p>[1] Swaaij, Louise Van; KLARE, Jea; [tradução Celso de Campos Júnior e Isa Mara Landol]. Atlas da Experiência Humana &#8211; Cartografia do mundo interior.. São Paulo: Publifolha, 2004.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Gemidos de separação</title>
		<link>https://logon.media/pt-br/logon_article/gemidos-de-separacao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joao Castro]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Dec 2025 14:46:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Como é possível que tudo o que existe esteja presente na Consciência Única que é Felicidade, Bondade, Beleza, Amor, e nós, vagando na escuridão, só emitimos gemidos de separação? Poderíamos dizer que, como bebês separados das mães, clamamos em desespero, tomados pelo medo de nossa sobrevivência. Como bebês, não sabemos o que aconteceu. Nossa razão [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>Como é possível que tudo o que existe esteja presente na Consciência Única que é Felicidade, Bondade, Beleza, Amor, e nós, vagando na escuridão, só emitimos gemidos de separação?</em></p></blockquote>
<p>Poderíamos dizer que, como bebês separados das mães, clamamos em desespero, tomados pelo medo de nossa sobrevivência. Como bebês, não sabemos o que aconteceu. Nossa razão ainda em desenvolvimento não consegue compreender. Ansiamos desesperadamente pelo reencontro com nossa mãe, por um estado de conexão, segurança e felicidade. Em meio a todo o nosso desespero, esquecemos que foi nosso ato de rebeldia que fez com que &#8216;a mãe nos deixasse em um berço vazio por um tempo&#8217;, apenas para que percebêssemos nosso erro, recuperássemos o fôlego e retornássemos à harmonia com ela. Afinal, ela é a mais sábia, nos ama mais, só quer o nosso bem; ela é nossa mestra, que deseja transformar seu filho egocêntrico em um ser humano belo, emanando bondade, paz e, acima de tudo, o amor que ela nos transmitiu.</p>
<p>Separados do verdadeiro Eu, sentimos dor existencial porque nos desconectamos da Consciência Una. Ficamos presos no esquecimento, chafurdando na lama do egocentrismo, emitindo apenas gemidos de separação, pois nada compreendemos sem conexão. Tentamos até mesmo nos acomodar nessa lama, dizendo a nós mesmos que, afinal, não é tão ruim assim. Cheios de medo, buscamos culpados fora de nós, punimos o exterior pela situação em que nos encontramos. Pensamos que a culpa é dos outros, não nossa. E se a culpa é deles, podemos nos aproveitar deles – afinal, é isso que a &#8216;justiça&#8217; exige. Afundamos cada vez mais na lama da desarmonia e do mal.</p>
<p>E, no entanto, somos UM! – ilimitados, magníficos e eternos. Somos uma emanação da Consciência única, Deus, o Tao, na qual tudo o que existe está contido. Essa Consciência única não pode ser expressa em nenhuma língua humana, pois nenhuma possui as palavras adequadas, e nossa capacidade de compreensão é incapaz de apreender essa Magnificência.</p>
<p>Todos os seres humanos são iguais. São nossos irmãos e irmãs, compartilhando o mesmo destino, a mesma experiência. Porém, só começamos a compreender isso verdadeiramente quando a Luz da Eternidade começa a penetrar em nossa consciência.</p>
<p>Antes que isso aconteça, damos voltas e voltas sem rumo – por eras a fio – até finalmente percebermos que tudo isso não leva a nada, que é impossível tirar qualquer proveito disso. Ficamos à beira de uma dor existencial, que finalmente nos força a dizer: &#8216;Chega, desisto! Alguém me ajude, porque não consigo fazer mais nada! Deve haver outra saída para esta situação!&#8217;</p>
<p>Com essa entrega, surge a oportunidade para que os raios da Gnose toquem nosso coração, e com esse toque a jornada de volta da terra do esquecimento à Plenitude pode começar. Contudo, devemos fazer essa jornada por nós mesmos, não buscando ajuda externa, mas concentrando-nos em nosso próprio ser interior e descobrindo a Consciência que se encontra no espaço mais íntimo do nosso ser.</p>
<p>Ela não para de esperar por nosso retorno.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
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